8 de dezembro de 2009

A minha fé

Existe uma fé que não é expressa em vestes
Uma fé que não precisa ser reforçada
Não precisa de páginas gravadas na mente
Nem presenças em cultos ou manifestações

A minha fé
Ela não está nas palavras
Em arrumações de frases sagradas
No derramar de moral e valores

Não aprisiona o meu comportamento
Não me obriga a nada
Não me torna detentora de pré-julgamentos e pré-conceitos

A minha fé exala do coração
É uma fé-amor
Maior que qualquer crença
Ela está em meu silêncio
Minha visão de mundo
Minhas ações
No tratar ao próximo
Está em minha essência

Nossas oblações podem ser sentidas pelo divino que há em nosso interior
Pelo sentido que damos ao amor
Um nobre afeto, doado sem limites
O que para muitos pode ser ilusão

Acreditar na ilusão é ter fé na ilusão
Eu escolhi acreditar no amor
Em minhas mãos o configurei
E fiz deste, a minha fé...

by Val Costa Pinho

5 de dezembro de 2009

Em tempos de julgamento

A porta para o vazio
Uma porta escancarada
Onde muitos entram
Sem perceber

[1]
Em tempos de julgamento
Entram nesse vazio de onde pensam se achar
Nele não há sobras,
Só alimento para a utopia
O nada aparente, que se esconde de olhares inquietos
Embora não atraia, logo os conterá
Cada falta há de completar-se, por si só, com outras faltas

Uma vez íntimo, circundará mentes
Até ser adotado
Enganando, protegendo segredos que deveriam se revelar
Oferecendo momentos de euforia efêmera, mera forasteira

[2]
Um vazio sem suplentes,
É aceito como entidade
Conduzindo pensamentos, sentimentos e atitudes

A porta se fecha em silêncio
Um abrigo ardil,
Um vilão paralisando a realidade
Dedicado a corroer o presente e a pesar cada momento vindouro

[3]
Num êxtase mental
Em desacordo com tantas faltas
Quase desprovida de ação,
A alma acorda num pulo vivificante
E então choram aqueles que permaneceram cegos
Não há um toque externo a consolar
Agora os espaços entre as frestas da porta são pequenos, é o que resta
Não dá para ultrapassar

[4]
Mas pulsa a vontade em viver de onde não dá mais para fugir
Em tempos de julgamento
Não há mais tempo para se punir
É tempo de preencher todos os espaços, desfazer os enganos e encontrar a chave certa
Ou tentar derruir o que por muito tempo foi considerado um lar...


by Val Costa Pinho

4 de dezembro de 2009

Quando o amor é dor...

Quando o amor é dor, não é mais amor, é dor

Essa dor é dor ou é excesso de amor?
Excesso de amor é uma dor de amor ou excesso de amor é apenas algo além do que deveria ser?

Ser é dor ou amor?
Ser amor não é dor, não ser amor é dor
Mas o que é amor sem dor?
Seria apenas amor

Quem conhece o amor sabe que não há dor no amor
Mas, quem sabe o verdadeiro sentido do amor?
É um sentido com dor?
Olhar com dor, tocar com dor, sentir o prazer da dor
Não seria do amor?

Dizem que o prazer é uma forma de dor,
Mas, e o amor?
A dor é uma forma de amar sem amor
O amor é apenas amor

A perda de um amor causa dor
Mas o amor ser dor é uma perda no sentir do amor
Sendo assim, quando o amor é dor, não é mais amor, é apenas dor!

by Val Costa Pinho
[brincando com as palavras]

Além de...


...Disseram que você não poderia ir além destas muralhas
Você já procurou chegar ao horizonte?
Faça um teste,
Verá que não existem muros o rodeando
Ilusão apenas
A linha do horizonte pode ser vista de muito longe
Tente chegar perto,
Sempre verá novas linhas
Não existem limites
Você pode sempre ir além do que imagina

Às vezes é importante nos tornar ouvintes seletivos
Enxergar com poeira nos olhos
Conservamos assim o nosso cerne, proteção e guarda do nosso espírito

Já tentou?
Calados ouvimos barulhos com mais intensidade
Parados, estacionamos a nossa vida à espera de algo que talvez nunca venha
Este presente que sonhamos quando estamos em pleno devaneio é pura imaginação

Figura a tua imaginação
Torne-a real
Certo ou errado se não tentarmos não saberemos a resposta

O instinto diz que sim
A covardia nos trava atirando para longe mais uma chance
Mas qual seria a chance e será que seria assim ou assim

Quantos enganos ocorrem?
Se deixamos de ir ou se criamos coragem
Se arriscamos ou ficamos parados

Mais um dia
Amanhã é um novo começo
Será outra impossibilidade?

Está só
Suas aventuras mentais já ficaram ultrapassadas
Quer ir além? O que o impede?

Há muito
Homens já escalaram montanhas

Tem medo de altura?
Cave buracos
Imirja no oceano

O mar asfixia?
Tente voar, mas não voe tão alto
Sinta o ar
Ou permaneça com os pés no chão, mas não crie raízes
Elas penetram o solo
Não deixariam você se aventurar em outras andanças
Toque corações
Siga a música, seja maestro, siga a melodia
Você pode
Deixe-se levar pelos erros e acertos
É difícil saber quando se está errando ou acertando para si mesmo
Logo tudo será escuridão
Não verá a luz
Não verá seus erros e acertos

Não ou sim existem no além-mundo?
E em qual mundo podemos ir além, se não o nosso
Aqui, agora, é o que nos pertence
Existem oportunidades, escolhas e um monte de coisas que passam a nossa frente todos os dias sem cessar
Hoje
Escolha ser melhor do que foi ontem
Agarre-se a algo suficiente para o seu bem-estar.
Hoje
Solte-se de algo que o causa angustia.
Força
Viva sempre além de...
(O melhor que podemos ter está além do que podemos ser)

by Val Costa Pinho

20 de novembro de 2009

...quem é você?


Ela vem à noite
Não sei se a própria noite se faz criatura para me apanhar
Os passos de tão leves acalmam a surpresa do seu chegar
Em paz, me toma o abrigo do sono

Esse 'meu' que não conheço
De quem será?
Fantasia o meu prazer e confunde o meu pensar

Por saber da minha satisfação
Guia o meu querer à ilusão de aceitá-la
Deixo-me enganar
Os enganos consomem-se em si e passam a me domar

Por que fui subestimar aquela que chega à noite me oferecendo uma calma inventada?

Esse 'meu' que não conheço agora toma o meu corpo
Escandalizado por uma ausência já concebida pelo engano
O que esperar desse falso ser verdadeiro?

Esse 'meu' que não conheço agora toma a minha dor
Prendendo-me entre seus abraços invisíveis e seu calor candente
Toma a minha alma,
E o 'meu' que ainda reconheço se deixa seduzir ao seu favor
Aprisionando a minha paz noturna

Insônia, quem é você?

by Val Costa Pinho

1 de novembro de 2009

Ser só ou um só em dois...

Aquele olhar grave que se mistura a muitos
Tenta ocultar-se da companhia de outrem
Alimenta a solidão que de muita já não é passageira
Cria em si distância sem fim com qualquer vínculo duradouro
Nutre sozinho, uma aspereza no pensar que sofre agora por não querer num futuro se desvencilhar de alguma alma que por ilusão possa tornar-se desertora
Varia deveras o seu pensar, ora deseja ser um só, ora um só em dois
Através da poesia encontra alento e pode desvanecer a sua dor colocando ao seu domínio palavras benditas que o consolam sem cobrar-lhe lealdade

Aquele olhar grave em plena confusão de sentimentos cai em desvelo
Desejando se jogar em arrecifes de vazio pensamento
Se purificando de todo o medo que criara dentro de si por crer-se protegido,
Liberto na ilusão de ser o causador de suas próprias dores estando imune à dor trazida por alguém
Decerto, sabe que a solidão o consumirá mesmo estando acompanhado
Mas de certo quem saberá o que há?

Aquele olhar
Ingênuo ser, possuidor de certezas efêmeras
É um desassossego à procura de uma calma ou de um fim

Porém
Que calma pode haver se a natureza o fez assim?
O fim é certo, mas qual é o fim?
Ser só ou um só em dois...

by Val Costa Pinho

16 de outubro de 2009

"Seiva de jasmim"

O meu "toque"
Quebranta a tua essência
Minha admiração nem sabes tu como é tanta
Os olhos ao chão, de ti se escondem
Mas já te possuiu
Antes da tua chegada

Meu desejo aspira dias em que posso sonhar contigo envolta em mim
Misturando os nossos aromas
Suprindo a minha vontade

Mas estou ainda a esconder-me de ti
Deixando que os ventos que rumam para o sul a levem
E em cada nova alvorada a vejo retornar mais forte

Pura seiva de jasmim
Como esperar que os meus dias passem sem sorver a tua pureza por inteiro
Como posso ter de volta o que sinto
E me afagar dessa paz que emana de ti ao meu espírito
Poder tocar-te sem quebrantar-te
Eu simples mundana

Abençoa-me com tua candura
Oculta a minha solidão
Seja
Parte de mim
Sublime atmosfera a me abraçar
Minha nova essência
Meu ar!

by Val Costa Pinho

3 de outubro de 2009

Prece Avessa

Benditos sejam
Todos que usam em vão as trilhas da vida
Caminhando sobre linhas borradas
Envolto em sofrimento e dor

Não ignoram frases de efeitos
Ignoram pesos mortos agregados entre os caminhos matinais

Louvados sejam os que guardam em si o silêncio, transformando-os em atos fantasmas
Assim seja
Entre todos que deixam de lado os princípios rogados em comunhão materna
Àqueles que cobiçam degraus “rolantes”, almejam o topo do mundo
Que os anjos não apareçam disfarçados
Que digam amém aos que se espelham em modelos derramados de falsa devoção
Que os degraus sejam fortes para os agüentarem

Roguemos por todos que se protegem da tempestade envoltos em vestes de papéis
Santificado seja os que conseguem enxergar como aberração aqueles que já foram anjos um dia
Oremos por todos que conseguem ocultar-se da culpa

Digamos Amém
Amém aos bem sucedidos que não sabem dividir, compreendamos a sua compulsão em acumular
Amém aos cultos que não se doam, entupidos de letras e teorias, mas se furtam em idéias “salvadoras”
Amém aos fiéis que derramam lágrimas asfixiantes todos os dias aos pés do Senhor, mas negam uma única palavra afável para abençoar o dia do seu irmão

Assim seja... Caminhamos lado a lado, somos iguais em alguns instantes

Que os instantes avarentos não se estabeleçam em nossas vidas
E assim, para o nosso bem e o bem do próximo, possamos “orar” uma prece verdadeira
Que seja feita a vossa vontade!

by Val Costa Pinho

1 de outubro de 2009

Feliz Aniversário Minha Dádiva!

Eu tive um sonho na noite passada
Pensei pedir ajuda para decifrá-lo
Vou contar-lhe o que se passou:

Estava caminhando no cenário de minhas imaginações
De repente,
Anjos surgiram em minha direção, felicitando-me:
"Parabéns alma querida"
Fiquei surpresa, pois não tinha feito nada no dia anterior, nem mesmo até o presente momento, para merecer tal saudação
Eles sorriam pra mim, pareciam zombar
Mas estavam apenas plantando a sementinha da curiosidade dentro de mim
Fiquei olhando para eles em silêncio tentando imaginar que façanha teria eu realizado
Caminhamos à beira de um rio encoberto de flores com vários tons
Um dos anjos de nome estranho, nome esse que não recordo agora, perguntou-me:
"Estas flores, não te lembram nada?"
Eu continuava em silêncio, embora uma imagem tivesse brotado do meu coração e atingido de mansinho a minha retina,
Antes que a refletisse, eu a escondi no labirinto dos meus pensamentos
Simplesmente, não compartilhei o significado da beleza que vi naquele rio de flores coloridas
Era tudo muito estranho.
E se aqueles anjos não fossem anjos?
Por um instante pensei que roubariam a imagem de mim se eu a figurasse, então continuei em silêncio
Continuamos a caminhada
Paramos em frente de uma árvore cujas folhas eram feitas de papel em seda,
Um perfume suave exalava delas, neste momento vi o labirinto de meus pensamentos se abrindo, mais uma vez aquela imagem de outrora vestia o meu pensar
Os anjos perceberam o meu semblante variar
"Tente mais uma vez". Disse um dos anjos que continuou a indagar
"Duvido que não te lembre em nada este perfume.
Por que resistir alma querida?"
E enfim, eu sorri para eles.
Pedi que me explicassem o porquê da saudação
E eles silenciaram
Respeitei o silêncio naquela ocasião
Estávamos caminhando horas, passamos por várias representações desconexas
Jardins de fotografias
Montanhas cor salmão, nuvens de cetim
Pedras em forma de taças
Chuva de patuás
Guarda-chuvas em forma de balanças
Pensei cá comigo: Balanças?
Sorri docilmente, os anjos também
O meu coração estava mais sereno
Estávamos, os anjos e eu, mais próximos
Eu com as minhas incertezas esperava a última herança deixada por eles.
A noite caiu sobre nós e, quando olhei para o céu, vi estrelas e corações sorrindo pra mim.
Entre eles havia uma estrela maior
Em suas mãos, um coraçãozinho abria os braços querendo me abraçar
Sorria um sorriso vivo de brilho encantador
Só então, pude alcançar o significado do meu sonho
E antes que eu falasse algo
Um dos anjos, cujo nome também não se fixou em minha mente, disse:

"Alma querida, termina por aqui a nossa jornada. Creio que você já tenha definido o porquê de nós termos invadido o cenário das suas imaginações. Nós a felicitamos por ser merecedora de uma dádiva UNGIDA PELO SENHOR"

"Que você possa transmitir essa mensagem de carinho para essa dádiva e lembre-se, trate-a com muito amor. Os dias passam e presentes como esse se tornam cada vez mais raros. Dádivas só são dadas por merecimento, Val"

Um barulho me despertou, já era manhã. Catei um papel na cabeceira da cama e transcrevi o meu sonho para que você soubesse o significado que tem em minha vida. Você é o elo que me une a pureza que existe no meu interior. Minha dádiva "ungida pelo Senhor"

Feliz Aniversário
EU TE AMO
Sinceramente,
Val Costa Pinho.

Para alguém especial 

18 de setembro de 2009

Erros


Sim, eu erro
Erro quando deixo de ser
Quando ofereço um não por não querer ser intima dos sins que poderia ouvir
Erro quando deixo de ter
Prazer para arriscar novos episódios
Seguir novos scripts
Erro ao gritar o seu nome dentro de mim da forma mais silenciosa possível
Dando às costas aos meus pensamentos positivos
"Me pego" sofrendo
"Me apego" a solidão
Por medo de cometer acertos e por estes me embrulhar em erros, os mesmos que estou aqui agora a cometer, deixando que o tempo se consuma.
Erro quando não tento
Não falo, não me solto
Não te assalto
Fico eu, presa nestes erros
E a lembrança inventada dos meus acertos ao teu lado, coabita minha mente
Ao teu lado, tenho certeza que os meus erros seriam menos sentidos... Essa dor seria mais suportável.

by Val Costa Pinho

4 de setembro de 2009

Por toda a minha vida

Eu seguirei o meu coração
Haverá momentos em que
Ele será pisoteado, machucado,
Enfraquecido, ele caberá na palma da minha mão, onde o segurarei com força e não o deixarei parar de pulsar

Chegarei mais perto do anjo que deixei guardado, quase esquecido aqui dentro, enquanto crescia sendo carimbada por marcas que não deveriam ser minhas
Caminharei com amor e no amor em busca de um "para sempre" diferente do que vimos pintados em nossas mentes como em contos de fadas

Por toda minha vida
Buscarei uma verdade, na qual, creio eu, ser o amor
Uma verdade que nasce em nossos "corações" através de um madurecer na alma
Eu seguirei o meu coração
Acreditando que existe uma conexão através de uma verdade própria onde somos comandantes de um "para sempre". Num completo ser a dois.

Por toda a minha vida
Eu seguirei o meu coração
Confiando que existe o "para sempre" e nele estarei acompanhada

Sempre recomeçando em um novo ser
À espera de uma nova caminhada, ao princípio de uma nova história de amor eterno...


by Val Costa Pinho

Até a última estação


Cobranças de promessas que não se cumprem
Privam-nos de momentos que poderiam reflorescer uma alma
(Reascendemos assim dores sobejas)

Jogos que não terminam
Cortam-nos laços que poderiam consolidar uma majestosa união
(Perdemos assim formidáveis encontros por muitos caminhos da vida)

Posses do que não podemos levar para dentro de nós
Formam crostas pelos cantos de uma história copiada
(Por isso andamos tão pesados?)

Buscas por identidades alheias
Não há parada para descanso
Abandonamos o que nos é mais admirável
(Atrás dessas cópias mal-formadas, nos perdemos mais uma vez)

Negamo-nos mais uma vez
Qual o propósito dessas escolhas?
Esse sofrimento, a quem pertence?
Como afastá-los?
(Não há entendimento quando perseguimos o ideal do outro)

A segurança de verdades impostas
Geram dúvidas que nunca terminam
Escondemo-nos para os outros
Encobrimo-nos com os outros
(Perdemos assim nossa própria verdade, barramos nossas próprias satisfações)

A última estação está próxima
Seguiremos até lá, débeis, impotentes, alienados?
Donos de dúvidas perpétuas?
(E em nossas mentes, o sentido de uma dor aparentemente sem sentido?)

Até a última estação podemos reascender o que se apagou
Abrandar as nossas dores
Olhar como iguais aqueles que colocamos embaixo de nossos pés ao encarar a vida como competição
Compartilhar com os outros, o que exaltamos sem podar o prazer do sentir
O sofrer certamente não nos deixará de lado,
Que nossas derrapadas decorram de uma incansável busca por crescimento pessoal sem que deixemos a mercê dos nossos ideais, o que não nos pertence!

Até a última estação...

by Val Costa Pinho

21 de agosto de 2009

Tempo certo


Pensei no tempo da minha imaginação
Parei num tempo que não existe
Busquei um tempo para refletir
Me perdi no tempo da busca
Pensei naquele tempo ser feliz
Ledo engano. Não existia você
Então varri o tempo daquele passado presente
Perdi muito tempo me procurando
Me achei no tempo certo
Te encontrei nesse tempo
E,
Não vejo melhor tempo para viver

eu: te: am00 (AM/PM)

by Val Costa Pinho

10 de agosto de 2009

Maquiagem


Acordei
Estou meio tonta,
Tropeços na quina da cama
O mau-humor característico de toda manhã
Ainda sou eu

Parto ao encontro do dia
Nesse imenso teatro
Figurinos e trejeitos colocados à face
‘’Antenas’’ a postos
Estou em ação

Ao longo do trajeto cotidiano
"Bom dia" sendo disseminados com sorrisos,
Ora misturados com abraços
O costumeiro café com leite frio e adoçante falsificado de cada dia
E eu odeio café

Hora do almoço
O mesmo figurino,
Algumas alegorias coladas pelo vento começam a pesar o meu corpo
A face querendo repouso
Por um instante pensei está paralisada
Estou com fome!
Por favor! Sem essa de café com leite

A tarde está quase largando o dia
Ainda me pedem para interpretar mais um papel
Tento recusar
Olho para o caminho que me leva para casa
Muita poeira,
Procuro algo para tapar a minha visão
Tenho que ficar mais um pouco por aqui

Enfim, é noite
Eu já não sorrio, não enxergo, eu...

Estou em casa
Mais um papel preenchido
À frente do espelho
É necessário que se retire toda a maquiagem antes de dormir

Alívio, ainda sou eu
É hora de tomar um bom banho e adormecer

Amanhã mais um capitulo recomeça...
Espero ser demitida, mas, pensando bem,
Tenho que pagar as contas atrasadas
E novos estojos de maquiagem!


by Val Costa Pinho

5 de agosto de 2009

Eu esquecido

Coitada dela
Ela vive só
Só se ouve isso dela

Dela não tenho notícias há dias
Ela perde os dias trancada em seu mundo
Não sabe quanto da vida já perdeu

Perdeu muito tempo sem nada
Nada parece abalar aquela criatura

Criatura estranha ela
Ela vive um conto de fadas
Fadas não existem

Existem muitos iguais
Iguais a mim?
E eu, quem sou?


by Val Costa Pinho

1 de agosto de 2009

RECORTES NO ALVORECER


De mãos dadas com a inocência
Gotas de pureza caíam sobre si
Julgava o mundo seu lar
Dentro de si estava o sono de criança
Um urso invernara ali dentro
Não haveria de acordar

De mãos dadas com a vida
O primeiro beijo
O olhar desconfiado
O travesseiro abafado
Um pecado “anão” de fase passageira
Um medo ingênuo em metamorfose

De mãos dadas com a dor
As lágrimas em desalinho
O ódio mirando o tempo
As ilusões sendo entendidas
A distância sendo alcançada

De mãos dadas com a solidão
Um momento para pensar
Um desabrochar
A porta aberta sempre à espera de algo
As descobertas mal e bem vindas

De mãos dadas com o presente
Tenta segurar-se a inocência,
Buscando respostas da vida para aliviar suas dores
Deixando que a solidão se afaste lentamente de suas mãos

Mãos abertas para um novo ser que surge a cada imagem do seu álbum

by Val Costa Pinho

16 de julho de 2009

Mais uma noite

Nos bares da vida
Meu olhar distante confunde alguém ao lado
É somente um olhar oferecido ao nada que alcançou o meu profundo ser naquele instante
Um olhar não destinado, paralisado procurando alento
Perdão meu caro,
Não é você,
Não é ninguém,
Nem é aqui
Fora um momento de distração em meus olhos

Nos bares da vida
Um sorriso é lançado perturbando alguém ao lado
Um infeliz engano meu caro, não estou a flertar com um desconhecido sentado na mesa ao lado
Foi apenas uma lembrança distante que alcançou a minha mente já atordoada com goles de álcool acima do permitido

Nos bares da vida
Meus movimentos delicados absorvem um olhar afoito
Eu apenas estou a me situar na cadeira fria devido ao horário já ultrapassado
Desculpas eu peço, não estou tentando me insinuar.
É só um disfarce para medir o equilíbrio
Já passa da meia noite, é hora de ir embora

Não vejo escolhas
Não é você
Não é ninguém
Nem é aqui

Mais uma noite, mais uma noite!

by Val Costa Pinho

Marcas


Os livraram dos grilhões aos seus olhos
Deixaram livres as suas mãos

Adentramos o presente
E os grilhões os pesam na alma

Separados por irmãos entretons
Escondem nos recônditos do seu eu mais profundo
A dor de sofrer por semelhantes que se fazem diferentes...


by Val Costa Pinho

2 de julho de 2009

Amizade


Eu não sei muito da vida
O pouco me segura por aqui
E eu caio todos os dias um pouco
E a cada volta sei que acabo conhecendo um pouco mais
Nada que dói tanto ali dói na mesma medida por aqui
Algo me protege, me sustem

Eu não sei muito...
Você me acolhe nesse caos que é a minha mente
Você alimenta o que considero ser amor
Aprecio todos os teus erros e sei a hora certa de agir
Não me vejo lá fora sem você
E assim, cuidarei de você mesmo sem obrigação

Sem fazer distinção de nada à minha volta
Saberá que não existe disputa entre o diamante e o ouro de tolo
Não sou vendedor, não negocio vidas
Estou aqui por você
Terás, em demasia, o melhor de mim

Quando sentir frio, eu, mesmo longe, estarei correndo atrás de uma chama para lhe aquecer
Nada que disser será ofensa
Nada que chorar será vertido sem apreço
Tudo será bem vindo
Cada gesto de frieza será convertido em milésimos
Os milésimos me farão esquecer a indiferença
Os meus ouvidos serão conduzidos para os teus desejos me reportando para a gratidão

Eu jamais esqueço os sorrisos compartilhados
O colo doado
O abraço sorvido
A voz lenta emitindo palavras de agrado para tentar aliviar a minha dor
A falta de paciência contida num gesto atrapalhado de quem ama de forma simples

Eu não sei muito...
Na vida me encontro desvairada
A certeza dessa amizade me faz lúcida
O alcance dessa lucidez me traz a certeza que
Do pouco que ainda conheço da vida você é parte integral de mim.

by Val Costa Pinho

Sem Promessas


O teu silêncio
O silêncio em teu olhar
O teu olhar
Um lugar para ser livre
Livre dos porquês

Estamos aqui
Um imã fitando os nossos corpos
Passamos por nossa primeira vontade
Dois prazeres solitários se furtando
Sendo devotos do presente

Aqui, agora
Temos de sobra o que nos falta...
E falta tanto assim do que pensamos ter

Nossas vozes são lançadas ao entendimento de nossos corpos
Não há o que temer
O que se vai se repete depois
E nos mata de prazer
E como gostamos de morrer...

Um novo silêncio
É hora de partir
Nada fica sem ter sido semeado
Nada que vai é assim tão esperado
Este gozo é desejado
Não há culpa onde se encontra prazer

Sem promessas
Sigamos sem máscaras até um próximo dueto...

By Val Costa Pinho

1 de julho de 2009

Você merece o melhor

Injete na veia um pouco de loucura
Dessas que o fazem aspirar por um ar que não veio ainda
Dessas que o fazem sorrir de uma piada que nem ouviu ainda
É o seu último momento, é sua chance de ser um pouco ‘’normal’’

Injete na veia um pouco de emoção que não vem de você
Preste atenção aos sinais que vem de muito próximo
É a intenção de sua vida
Estão chamando por você
Não há o que temer

Injete sustos e olhe para trás temendo algo que não temia
Temer é fundamental
Seja um pouco bobo
Curve-se à bobagem
Escute os sons que vem daí ou daqui
Mas pare um pouco de ser esse ‘’você’’

Injete carisma na veia
Faça-se um bem, esteja com outros mais ou menos que você
E seja igual
Saia em busca,
Perca-se,
E que não haja preocupação em saber voltar
Alguém certamente o encontrará
Caia, envergonhe-se... Levante, caia novamente e sorria
Releve sempre, isso aqui passa... Vai passar
Já passou

Injete sonhos em sua veia, deixe que cheguem ao seu coração
Sonhe, flutue
Se alguém achar que a fantasia é demais
Fantasie o que está ouvindo
O mundo está aí, sim está
Mas não precisa seguir um manual
Fabrique o seu próprio manual,
Se não der certo,
Copie e cole o que achar interessante

Você não precisa passar por cima de ninguém
Você logo estará muito abaixo do que imagina

Injete na veia uma dose exagerada de infância
Brinque, corra, se esconda...
Se não o satisfaz
Acrescente o que quiser
A vida é toda sua
Sempre haverá um guia em nosso caminho
Se quiser, siga-o ou passe adiante, ele servirá para alguém

Injete na veia amor próprio
É forte, mas você consegue
Não tenha medo de se viciar
A prioridade dada a si mesmo lhe fará um bem incrível
Seja dependente desse amor
Quer sair, saia
Quer ficar, fique
O que é bom para o outro? É bom para você?
Arrisque-se,
Você merece o melhor

Injete humildade em suas veias
Talvez você fique um pouco debilitado
Talvez fique um pouco só
Assim perceberá como as coisas eram supérfluas a ponto de estar só

Não esqueça
Você não precisa de objetos pontiagudos para tal fazer
Use o pensar
Treine-o
Se achar que tudo é uma ilusão
Volte ao ponto de partida e siga outros dizeres
Você merece o melhor
Sempre...

by Val Costa Pinho

26 de junho de 2009

Proteja-me

Leio o que dizem
Dizem tanta coisa
Quanto drama, quanta mentira

Encostada numa parede de bronze
Tento permanecer
Está frio então estou protegida
A luz se esconde detrás do muro, ainda não chega aos meus pés
Daqui não sei aonde ir

Os meus pés começam a se esconder de mim
Se eu pudesse ouvi-los
Caminhar em Tua direção

Agora o sol começa a queimar
O bronze não é forte
Algo bate forte e me leva ao chão

Essas mentiras jogadas ao vento estão a subordinar o meu ser
Emolduram a minha pureza
Quanta história estranha
Quanta dor ao redor
Corro em Tua direção
As portas estão fechadas

Não consigo entender o que dizem
Não associo ao que fazem

Quanta hipocrisia
O fizeram atributo
Eu já nem sei onde estou
Tento não me perder
E se falo "Meu Deus o que foi isso?
Alguma palavra saiu daqui?"
... Seguramente seu sentido correu de mim
Os donos do mundo a deturparam

Um momento apenas
Venha e simplesmente me abrace
Proteja-me
Deixe-me com o que tenho de mais verdadeiro:
A imagem de Você que eu criei para mim...


by Val Costa Pinho

19 de junho de 2009

Canção astuta


Canção
Eis o pedido

Leve-me para uma melodia dentro de mim que ainda não conheço
Escuto um violino a chorar
Leve-me daqui canção
São lágrimas afinadas, já as conheço
As vozes destes sinos me pesam a cabeça,
Não, por aqui eu não seguirei

Ali à frente, veja, são marcas de uma viagem que fiz por este lugar muito tempo atrás
Canção, leve-me para mais além do que vejo, além do que sinto
Faça a sua melhor composição correr em minhas veias
Seja meu condutor, minha energia,
Se resistir aos pesadelos dos sons estremecidos que estão dentro de mim, entorpeça a minha alma, mas não me deixe desistir

Leve-me para mais longe, eu sei, estou vendo
Estes acordes me param preciso de velocidade, dispare mil sons, eu exijo
Estou tão perto de algum lugar
Estou sangrando diante destes ruídos,
As harpas rangem e eu só quero continuar

Tem alguém à frente me observando,
Escuto o perigo,
São maldições sendo lançadas
Não querem me abandonar aos braços da paz
E eu continuo as perturbando com a minha fé

Um brilho dentro de mim extasia, envolve
E querem me privar de conhecer a minha melhor melodia?

Aqueles gigantes do lado de fora acham que sabem o que procuro
Canção, tape-nos os ouvidos
Não os deixe entrar por esse caminho
E não precisa colher os seus ‘’Adeus’’

Esses gritos, eu já passei por aqui, não é esse o caminho
Essas lamentações são iguais as de ontem, estão me iludindo
Deixe-as passar
Ah! Angústia,fique longe agora, não posso lhe dar atenção
Canção retire-a desse piano, pois este me seduz e eu não quero parar por aqui

Nada é tão claro assim
Estas palavras não estão sendo ditas do jeito que você acha que estão
São apenas conjugações confusas

Solidão
Por que ainda me observa, o que você quer?
Não posso lhe dar o que não existe! Você sequer está me vendo.
Deixe-me em minha viagem
Deixe-me...

Vejo os tambores retumbarem em recepção à minha chegada
E esses estrondos?!
Por que ainda não consigo ficar em paz?
Esse barulho começa a me entontecer

Canção, agora que estou perto da realidade de mim mesma, percebo que deixamos pistas demais pelo caminho
Conduza-me de volta, pois eu deixei todos para trás sem entendê-los

Agora eu sei por que estavam tão próximos de mim...

by Val Costa Pinho

18 de junho de 2009

O sonho de uma flor...

Corre bem-aventurada
Desejando voar
Anseia falar de amor
Anseia o amor encontrar
Canta em ritmo afinado
Uma melodia sem rimas
Não se importando com versos originais

Fina Flor despida, vestida de seiva
Vem correndo feliz
Deixa-se livre ao vento
Parece voar plena e confiante

Sozinha, viaja em direção à eternidade, um jardim de ‘’flores humanas’’
Dissemina-se aos solos do ‘’além-mundo’’
À espera de quem a contenha
Fecha os olhos e aperta-os bem forte
Ao abri-los vê brotar outras flores em sua frente
Crê-se protegida
Fazendo parte dessa melodia sem fim
A sensação do real acerta-se numa canção maior

Encontra-se aos olhos do presente amor
Abraça-o sem temores
Fina flor,
Mistura-se às outras e é aceita sem condições
Já não corre
Finda a sua viagem
Pousa nesse lar benquisto

De repente, sem reserva
Dos céus ressoam uma música singular
As flores se calam
É chegada a hora de despertar
Fina flor teme deixar para trás o que semeou
Não desiste de ficar
Recolhe-se em seu mundo de escolhas e se esconde do amanhecer
Mas,
Este arrebata os seus sonhos e ilumina a porta do seu olhar
Chega falando baixinho: “Fina flor, é hora de acordar’’.

by Val Costa Pinho

12 de junho de 2009

Tão simples...



Eles não entenderiam
É mais do que poderíamos explicar
Somos crianças em busca de um tesouro imaginário
Encontramos pistas em nós mesmos
Pintamos sorrisos, abraços e beijos
Borramos o papel com lágrimas
Desenhamos corações em forma de balões
Estamos partindo em busca do nosso castelo
Somos crianças
Brincamos de areia, construímos o que queremos
A alma é pura, somos anjos de alguém
Rezamos sem saber rezar
Chamamos atenção por querer
Seguimos juntos e separados
Somos crianças, desabrochando em novos ares
Estes desvios desviam os nossos olhares para mais além
E somos completos em nossas ilusões
Inteiros em nossas quedas
Metade da nossa inocência emprestamos sem questionar
Estamos livres de zelos
Estamos presos de amor
Somos crianças ciumentas, birrentas
Encantamos as pessoas com os nossos riscos desalinhados
Estamos crescendo
Mudando nossos retratos, pintando novas formas, novas emoções
Nossa vida é poesia
Somos amizade,
Sem cobrança, sem arreios
Somos nós
E ainda somos crianças!!!

Eles não entenderiam
É tão simples
Mais do que poderíamos explicar...


by Val Costa Pinho

Para os meus amigos
 

14 de maio de 2009

A chave

Um pouco de atenção
Um copo de canção
Uma prisão num aperto de mão
O toque de um coração
Um jogo de emoção
Uma lágrima mesmo que em vão
Dois dizendo não
E essa sensação

Click! E ''abre-te sésamo''!

Uma forma de abraçar
Um jeito próprio de falar
Uma mentira pra gargalhar
Uma gozação pra perturbar
Um florete pra cutucar
Uma verdade pra conformar
Dois dizendo vem cá
E essa sensação

Click! E ''abre-te sésamo''

Uma noite perdida
Um dia inteiramente cansada
Uma vontade de bater
Outra de beijar
Vontade que permanece
Uma vida que se completa
Dois dizendo:
‘’Quero dormir’’
E essa sensação

Uns versos meio tortos
Um sorriso que cansa a face
Uma falta de rima
Uma lágrima que rola de saudades
Um telefone que acaba de tocar
Um dizendo: ‘’não acredito’’
E o outro querendo chorar

Nem precisa terminar...

Mas só pra confirmar
Click! E ''abre-te sésamo''

(rs)

by Val Costa Pinho
Para o meu AMIGO Edmilson

Olhar Displicente


Olhar displicente
Não sabe, mas me contém
Joga com a minha fingida inocência
E nesse enlace o domino também
Em silêncio continuo aqui.
Ao meu lado és lançado
E fala num sorriso abandonado
Que não pode ir além

Olhar displicente, caminha no meu olhar
Amedrontado, foge
E, num passar de humor que desconheço
Volta fulminante e me envolve

Num ato contrário condeno o meu olhar
Saio um pouco de mim, só pra chamar a tua atenção
Pronta calma que cai em desvelo
Um desespero querendo se revelar
Brincando de jogo de esconde
Oculto, querendo te encontrar

Olhar displicente
Mais um dia se passa e torna viúvo o meu olhar
Acordo a realidade
Comove o meu coração
Reticente, me abandona
E sem querer me faz chorar

by Val Costa Pinho

3 de maio de 2009

A CAMINHO DE CASA

Às vezes eles esquecem de fechar a porta
Parece quente lá dentro, aconchegante
Sorrisos inocentes me envolvem, me abraçam
Um barulho estranho surge,
Alguém caminha em direção a outrem oferecendo um beijo

Observo e sigo em frente

Ali ao lado alguns estão sentados em jornais
Compartilhando algo
Pão e tapinha nas costas
Tento não contaminá-los com meu olhar de desdém e culpa

Estou a caminho de casa
Parada num cruzamento
Lamentando a estrada deserta

(?)


by Val Costa Pinho

30 de abril de 2009

PEDIDO AO ACASO

Meu amigo Acaso traga-me um pouco de paz
Faça correr de mim essa vontade ‘crucificante’
Retira-me desse abismo
Absorva a minha dor, não desista
Remova as raízes venenosas que se escondem abaixo dos meus pés

Sinto dó da parte em mim que teima em ser salva
Ela não sabe, mas percorre um campo minado, escuro e
Repleto de outras partes assim como esta corajosa suicida

Acaso, devolva-me o prazer que se arrastou para onde não há um encontro
Ao menos purifique meus olhos para que eu encontre novos prazeres

Não se mostre assim com tanto desprezo
Admito minha culpa por não sair deste pequeno ‘malzoleu’
Por lamentar cada chance ofertada

Só?
Já não sei por onde andar, não seria possível
Não me acho para tal fazer!
Se me ouve, não insisto em permanecer nestas vontades ‘reais imaginárias’ que se alimentam de migalhas...
Acaso estará salvando o alicerce que me impulsiona para vida
A parte em mim que teima em ser salva

by Val Costa Pinho

NESSE TEMPO



Nesse tempo com tempo contado
Coloco os meus desejos em virtude do que me consome
Os meus vícios infectam as minhas vontades prematuras
Nada é sólido comparado a esse ‘iceberg’ pulsante
Ainda sinto frio
Ainda sinto: O meu corpo ainda permanece aqui...
A cada momento um ponteiro se desgasta
Os meus olhos o seguem,
A minha vida ‘gira’ e retorna com um tempo a menos...

by Val Costa Pinho

...

Dar-te-ei a minha alma para abduzir o que eu já não suporto
Vozes, olhares, gestos...

Mundo fique mudo por um instante ou me adormeça!

(...)

Alma, agitada alma, quando não mais suportares as vozes, os olhares e gestos
Recolhe-te ou renova-me
Pois o mundo não cessará, não silenciará!!

By Val e Consull

Cautela

Hei, vá mais pra esse lado, é o correto
Não fique assim, não é preciso
Observe menos, sorria menos
Não se mostre tanto assim, pode ser prejudicial
Assim como beber e fumar, renuncie!
Não olhe demais para essa direção, ela poderá te levar para um abismo
Não chore
Não, não, não!
Faça isso, aquilo, isso!
Siga essas setas, elas estão aqui para o seu bem
Desista dessas idéias absurdas
Siga a maioria
Desista de ser você mesmo

Siga frustrado
Siga infeliz
Siga vazio
Respire fundo e continue vivendo...

Hei, existe outro caminho
Um pouco solitário, porém mais verdadeiro...

by Val Costa Pinho

12 de abril de 2009

A VIDA EM MIM NARRA


Dessa constante angústia suportável e prazerosa
Dessa imensa agonia tentadora e desejada
Desse vácuo de interesse por outros tantos
Dessa cruz sem imagem
Desse elevador que não imerge
Dessa beleza que não seduz
Desse som que penetra as entranhas
Desse amanhecer perpétuo e inoportuno
Desse anoitecer que acalma a alma
Desses dias repetidos e sem sentido
Dessa vida desejada e sem desejo
Desse foco que não focalizo
Dessa tempestade que se vai e finda o meu encanto
Desse incômodo ardendo em minha fé
Dessas estradas apontando setas para entregar-me ao desagradável ‘igual’
Dessa normalidade que me entontece
Dessas palavras que não posso gritar
Desse avesso que não se vira
Desse finito tempo que comparo ao infinito
Desses esses e essas que não entendo
A vida em mim narra:
Nada disso sou eu...
Aqui jaz apenas uma dor proclamada!!


by Val Costa Pinho

PAIXÃO

Paixão que vicia
Não existe ‘um’ você
São faces passageiras
Corpos que abraçam o desejo de ti
Apenas o exposto basta sem mostrar-se puramente
Paixão sem extremos, apenas paixão
Sem algemas
Sem algoz
Apenas parte do que sou e a sou a cada segundo
Aqui em meus desejos, em minhas pausas de pensamentos distantes
Quase posso abraçar-te,
Fecho os olhos
Então adormeço.

Quem será você amanhã?



by Val Costa Pinho

9 de abril de 2009

Desde sempre...

Profundamente em mim
Desde sempre
Sempre amor
Olhar terno de desejo em cor
Todos os tons completam-se em mim
Próximo à entrada da salvação
Gritos tortuosos
PQ não? - Já os ouço...
Quero-te tão fácil como lamentar não estar ao teu lado
Já te imagino como uma metade perdida
em tempos de solidão
Posso anular as chances do meu destino
Desde sempre
Sempre em mim!


by Val Costa Pinho

Um último mergulho



Olhos vedados e um alvo com sinais de dor
Atiro mais uma vez
E sigo em frente
Sigo nessa estrada com flechas sendo lançadas e ’nada’ me atinge,
As lembranças me guiam para muito, muito longe do que sou agora
Lanço-me em chances à primeira vista: Fantasia
À beira do rio ’Desafio’, mergulho
Curando feridas invisíveis enquanto marcas vão ficando aqui fora
Tomo algo, mais uma dose amarga oferecida
Algo aquém de mim surge invisível batendo forte
Tudo volta a ficar onde deveria, menos essa sensação aqui ao lado
Aceito, é meu registro aqui findado, cruel jogo do existir
Continuo alimentando o dia final
As tentações não hão de persuadir-me, mas há muito enganou o meu embarque
Então aqui dentro estou eu, abrigada, presa e de alguma forma sendo devorada
Esse adeus batendo em meus pensamentos me motiva, mantendo-me acordada
Recorro ao rio onde sempre seco as minhas feridas e mergulho bem fundo tentando não sentir nenhum sentido,
Regresso e eles continuam ali... quanto barulho
Eu silencio e permanecem insistindo... tão próximos.
Retorno refém, pagando penas doridas, sendo absolvida para manter o ciclo,
Virando-me ao avesso e voltando cada vez mais vazia de certezas.

Ainda me resta um último mergulho, retorno ao rio
Mas ele secou...



by Val Costa Pinho

31 de março de 2009

Querer...

Querer ser como outro ser
Alívio?
Segurança?
Felicidade?
Ou são apenas lágrimas movendo-se para outro curso?


by Val Costa Pinho

Terreno estranho



Esse terreno é estranho
Piso em cima de marcas deixadas por tantos
Às vezes os caminhos parecem se comunicar indicando outros caminhos falantes
Vejo corpos ‘mudos’, imitações estranhas e ‘laxantes’
Aos que não vejo por inteiro dedico maior atenção

Hoje senti falta de uma ‘árvore’ de folhas secas
Tive curiosidade em saber se alguém mais tinha curiosidade em saber a causa de suas folhas serem secas
Uma imaginável semelhante talvez.

Esse terreno é estranho
Ontem deixei pegadas num caminho cheio de pegadas
Talvez de seres 'delirantes' como essa fulana que vos alimenta com palavras aparentemente desconexas
Indo e vindo em círculos sem ponto de partida

Delirantes, pisando em lugares férteis e outros muito sólidos
Tentando passar, assim como eu, ‘desapercebida’
À procura de algo que esteja à procura

Terreno desviante
Não lança cordas e nem abre algemas
Não engole, masca
Masca uma teia de vidas que deixam pegadas por onde passo e sempre me levam para o mesmo lugar...

by Val Costa Pinho

21 de março de 2009

São oito horas da noite

Apenas um horário comum entre os outros 23
Vejo luzes ofuscantes aqui de cima
Quantas vidas estão presentes nesse momento
Quantas estão partindo
Quantas chegando
Dentro destas paredes frias que vejo
Muitas lágrimas estão escondidas aos meus olhos
Muitos sorrisos presos entre as várias paredes que vejo sem poder contagiar os que anseiam por apenas um sufixo
Às vezes sorrio por imaginar sorrisos e,
Choro por imaginar a dor

Quantas energias perdidas, esgotadas, compartilhadas apenas entre os seus
E esse vento agradável que vem sentar-se ao meu lado
Observa todo o silêncio aqui de fora
E se despede sem dizer se volta amanhã p me fazer companhia...
Já não são oito horas
Já não há poesia.

by Val Costa Pinho

3 de março de 2009

Hoje dei um basta ao meu sofrer



Hoje dei um basta ao meu sofrer
Traguei você

(...)
Fez viagem em mim reconhecendo o meu interior
Permanecendo em meus pulmões,
Faltou-me ar
Viajou na rede dos meus pensamentos soltos onde estavam presos alguns dos momentos importunos que a vida apresentou ao meu desordeiro coração.
... Que pulsava querendo soltar-se das garras dos sentimentos que o caçara para entregá-lo ao sofrimento.
Senti arder por alguns segundos dentro de mim, como uma chama em brasa, os meus pensamentos de você.
Esse prazer que a ti foi apresentado hoje não mais o faz dono dos meus anseios
Fiz-me antes uma triste companhia a quem pertenci, sem doar meu coração
Pois este, já era possuído.

A verdade estava onde não se podia enxergar. E o que os outros poderiam julgar se apenas máscaras lhes eram apresentadas?
O desejo por você me fechou para outros prazeres.

Hoje resolvi morrer um pouco para você e viver um pouco para mim.
Traguei você e ao dispensá-lo do meu interior vi sua bela imagem passar em nuvem de fumaça por entre meus olhos
Quase titubeei, mas pelo menos por hoje, dei um basta ao meu sofrer...


by Val Costa Pinho

26 de fevereiro de 2009

Imagem

Podem olhar, alguns dizem que é assim mesmo
Não a viram sofrer como eu vejo

Não vêem seus olhos ’vermelhos’ querendo esconder a vergonha de si mesma
Dizem que foi uma escolha
Não vejo escolhas naqueles olhos que parecem implorar por ajuda

E eu quem sou?
Apenas acompanho de perto o seu sofrimento, oferecendo palavras de conforto que passam longe do seu entendimento

Do outro lado pessoas estão rindo, vivendo o pouco que resta da vida farta de mentiras
E aquela alma inocente, cheia de dores humanas ainda respira esperança

Um dia ela há de sentir Você sem cobrar a vida que a deste
Sem Lhe virar as costas pesadas da vida

Um dia ela há de sorrir com brilho ingênuo nos olhos
Revelando um amor próprio jamais sentido

Um dia ela há de reconhecer que sempre seguiu acompanhada
Saberá respeitar as Tuas vontades

Um dia ela há de não chorar para chamar a Tua atenção e assumirá os seus próprios erros

Mas antes que esse dia chegue, ela vai desejar que a sua alma por Ti seja abençoada, para que ela O aceite tão verdadeiramente quanto ao amor que sempre foi intrínseco nela.

E eu, mera espectadora da vida Lhe darei enfim, boas-vindas!!


by Val Costa Pinho

16 de fevereiro de 2009

viajei... (O tempo que não volta mais)

O tempo que não volta mais
Querendo partir me pediu piedade
Disse que ficaria tudo bem
‘’Que nem mesmo existe mais’’,
Consolou-me garantindo que me libertaria dos meus tormentos
Que eu o deixasse evaporar e não esperasse o encontro com a morte
Que esse é o momento.
O agora me grita pedindo que eu acorde e viva
Esqueça o que já não existe e não viva de amargores

Ainda sonolenta começo a compreender que não posso buscar nada no momento pretérito
E que inerte deixei de viver o que a pouco poderia ser uma oportunidade única
O tempo que não volta mais me impele para o agora
Estou entregue ao presente sem nenhuma expectativa que não seja a de viver
Pois nem mesmo o amanhã me pertence.
E quão imponente deve ser o amanhã que todos esperam.
Deve certamente zombar daqueles que ignoram o hoje

Do amanhã não escuto nada,
Do amanhã não sou íntima
Mais tarde quem sabe não o encontre
Acabo de conhecer o tempo que bate à porta da minha presente existência
As lembranças, as quais não posso viver outra vez,
se apresentam como gotas de aprendizagem.
Aos meus ouvidos falam baixinho oferecendo proteção aos percalços que o amanhã poderá me oferecer
Um presente de boas-vindas, talvez...

Não penso no amanhã como vilão de minha história
Sendo minha, quem mais poderia ter prejudicado a mim mesma?
O tempo que não volta mais partiu e eu segurei o quanto pude
Até o a pouco já passou
Confusa (...)
Acho que me juntarei a algumas expectativas sem me apegar ao longo prazo
Que dúvida cruel me ocorreu agora
Se a pouco comecei a discorrer sobre isso tudo
E ainda não finalizei o meu pensamento
O tempo que não volta mais não estará presente??

Hoje eu poderia dizer que já é amanhã?
Posso agora rir junto ao imponente amanhã, pois a ele já pertenço
Já passa da meia-noite
Aqui, mesmo agora, compreendo que nada tem explicação se voltarmos ao ponto de partida.
Logo, viver é a melhor forma de viver...

by Val Costa Pinho

9 de fevereiro de 2009

Ela

Ela tocava a face com arrependimento dos últimos dias em que deixou os dias passarem à sua frente.
O amor de outrora se curvava aos seus pés como falso amigo de sua dor cruzando longo caminho para enganá-la.
Maldade fez o amor que intimidou o seu coração fazendo-a amiga da ilusão.
Sentia-se segura com a senhora Ilusão, que fazia sombra ao amor, ocupando lugar de direito em seu coração.
Havia rasgos de si pela casa, espalhados e escondidos. Lágrimas sofridas, choradas em silêncio e dores abafadas por entre úmidas almofadas.
Suas angústias se enfeitavam de auto piedade – falsa fantasia.
Rasgos doídos, remendos daquela pobre alma que sempre tentava conquistar o vento na esperança que este a levasse para algum lugar que não o dela – Mas ele a desprezava.
Era só sol, sempre só.
Seus retalhos iam se acumulando pela casa formando sua triste história. Um livro seco de folhas vazias, esperando que o desconhecido se apresentasse para reavivar a sua alma.
Pertencia sem pertencer. Estava presente em matéria, mas o seu espírito há muito se tinha ido.
Quando unia os seus remendos para buscar um novo ar, o amor sem avisar, voltava de viagem e mais uma vez lá estava a enganá-la.
Cansada da escuridão que refletia do seu olhar e da aparência assolada que contaminava outros olhares, ela chorava jovens lágrimas sofridas e em frente ao espelho continuava a tocar sua face ‘’devastada’’ arrependida pelos dias passados em que não aceitou o amor que hoje dilacera o seu viver...
by Val Costa Pinho

2 de fevereiro de 2009

Amor vertido em ilusão


Uma folha tremula em minhas mãos
Pele rubra, sob pálida alma
Desejo puro
Só o desejo
Tua presença me cala
Que culpa tem o meu querer?
Julgo meu coração, réu confesso de minha paixão desmedida
Já não há dia
Quando em ti não há um encontro
Não existem surpresas em meus olhos
Contenho-me em sorrisos vazios
De onde vem
Desejo infame
Impuramente devasta-me
Aos poucos me condena
Desejo-lhe e,
Temo
Amor vertido em ilusão
Por que tomaste o pouco que me restava da lucidez?



by Val Costa Pinho

27 de janeiro de 2009

Reincidente

Sabe! Eu queria voltar ao meu lugar de origem.
Onde me sentia confortável, protegido, amado
Onde não via o que vejo hoje
Daria tudo para voltar a flutuar dentro dela, como não posso, flutuo em meus pensamentos
Ah se eu pudesse voltar, estaria mais seguro...

Sabe! Eu não nasci assim, eu sorria olhando nos olhos dela e me encontrava em seus olhos
Eu não desejei ser assim...
Não fiz planos para chegar onde estou
Sei que me perdi por mim mesmo
O mundo não perdoa
Apenas aceita desculpas e vira a sua face para onde eu não estou
Como não sou anjo
Troco a indiferença pelos meus atos
E retorno para o nada de sempre

Sabe! Procuro uma chance, mas ela parece ter caído do meu bolso no caminho de volta à realidade.
Na ponta dos meus dedos, lágrimas se dissolvem lentamente,
As minhas lembranças dela também se dissipam.
E eu volto a ser um reincidente...



by Val Costa Pinho
- lembranças de um amigo que se foi - prematuramente - por causa das drogas!

26 de janeiro de 2009

Se nos perdermos, quem salvaremos primeiro?

Por que é tão difícil estar onde se deseja estar?
O que faz as pessoas acharem que são melhores que as outras, apenas por perceber o mundo de forma mais coerente
Por que ser coerente?!!
Por que essa tendência em permanecer na verdade imposta pela maioria e anular sua própria verdade?
Qual a verdade, na verdade?
Até quando as pessoas permanecerão na ignorância velada e na hipocrisia medida?
Existe mal nisso? Por que mudar?
Quantos passos são dados até o próximo abismo?
São os mesmos a me acompanhar na volta?
Quantas dúvidas são precisas para se chegar ao extremo da loucura?

De onde sairá o coelho?
Para onde irá a magia?
Quem adormecerá os meus, os nossos demônios?
Até quando essa visão de um mundo ao contrário?
Estamos rendidos desde o primeiro respiro????

Por que se importar?
Quando perderemos o controle total?
Se nos perdermos, quem salvaremos primeiro?



by Val Costa Pinho

22 de janeiro de 2009

Encontrei Você...

Desde o primeiro encontro dos nossos olhos
Eu soube o quanto eu poderia te amar
Quantas chances eu teria de ser feliz
Desde o primeiro toque
Eu soube quantas desilusões sofreria
Quanto de amor me restaria
Quantos sonhos seriam realizados
Você despertou meus desejos mais profundos
Quantas respostas achei e perdi
Quantos erros pensei ter cometido até chegar aqui
Eu sabia que existias, mas não acreditava num encontro

Te busquei todos esses anos de minha existência
Te procurei no ar, mas dos pássaros não tive notícias
Te procurei nos oceanos esperando que as ondas te trouxessem para mim
Procurei você até mesmo em meio à tempestades, desejando que surgisse de um clarão no céu.
Te procurei dentro de mim, chorei de angústia por não achar-te

Senti tanta saudade do desconhecido
Sobrava um espaço vazio imenso dentro de mim querendo ser preenchido

Que pena a vida não ter nos apresentado no momento certo
Que pena eu ter chegado tarde
Desejo ter outros espaços dentro de mim para ir sobrevivendo
Ficar te admirando e agradecer por ter ao menos descoberto que cada caminho que me desviei foi um guia
Cada erro que cometi foi uma direção para chegar até você e
Desejar ter existido por cada segundo
Mesmo não sendo sua.



by Val Costa Pinho

21 de janeiro de 2009

Minha Vida, A sua...


Cada passo
Cada olhar
Há tanto sentimento misturado
Um sopro de sofrimento contido
Cada lágrima
Cada sorriso
Um adeus não dado
Alimento não provado
A certeza de que existe um "ponto"
A esperança
Cada sonho "jorrado"
Esquecido, baleado
Prisão de Amor
Prisão de Alma
Espírito em cor
Escuridão
Cada eu
Cada nada
Cheiro de "ferrugem"
Soma de dores
Flores murchas
Presenças Vazias
Desejos suspensos
Estórias e histórias
Minha vida, a sua...
Companhias tão necessárias
Falta de Tempo
Solidão!!!
By Val Costa Pinho

18 de janeiro de 2009

Antes de sair...

Sinto ser expulsa de teus poros como odores amargos
Suplico que me deixe exalar por tua alma, esse pouco de mim que ainda lhe resta

Tu não me ouves
Escondo minha face aguda para não deixar em teu corpo meu último adeus

Não acorde ainda meu amor
Tenho tanto de mim em você
Não se desfaça de mim, ao seu redor é só ilusão...

Tento não deixar-te, mas de que adianta?!
Pra você é o início de um novo desabrochar

Se ao amanhecer sentir um novo ar, lembre-se:
Antes de sair eu tentei viver, mas o vento me levou consigo...


by Val Costa Pinho

16 de janeiro de 2009

Por quantas lágrimas nos encontraremos

Somos um acaso mal-entendido
Instantes de uma companhia distante
Sentimentos confusos em meio a sombras tão íntimas

Por quantas lágrimas nos encontraremos?
Em quantos versos te perderei?
Em quantos sonhos te encontrarei?

Posso sentir em você o meu reflexo contínuo fazendo travessia para um porto seguro, onde tenho me sentido desprotegida
É tudo fim
A mesma história
O mesmo silêncio
Tento, sem sucesso, soltar-me da ilusão
Minha agonia: agonia, trepida, atormenta

Sem terminar o pensamento, surrupio um pouco da razão e desejo não ser eu o seu reflexo, pois se assim for, você estará perdido num caos de amor, onde me encontro agora.


by Val Costa Pinho

14 de janeiro de 2009

Devaneios rogados a ti

Em meus devaneios roguei a Ti
Querendo encontrar-te
Aos meus olhos tu estavas coberto de encantos
Os teus segredos não eram meus
E essa falta eu também desejei
Sei que tens fascínio
Que me domina em teu olhar me levando para dentro de ti através de tropeços que dou em meio a corações que me encalçam acompanhados de sons balbuciados de desejo.
Sei que existe um enigma em teus encantos.
Os sentimentos trazem à nossa natureza um realce, harmonia da presente sedução que se dispensa num olhar repleto de anseios. E a cada devaneio eu me consumo de desejo.
Nuanças confundem-se entre o esplendor de um sorriso ingênuo e a escuridão de um destino incerto.
Os segredos que não eram meus açoitam a minha calma temendo serem arrebatados pela razão.
Vejo no mar o abraço de um profundo oceano que traz a tempestade do afago proibido.
Cruel tempestade. Que perdão posso ter ao castigo que me impuseste?
Trouxeste a brisa em forma de vento; Transformaste a pequena grama em árvore de despedida e, gotas de chuva em pedras de diamante
E agora como dissipar a sua aura? Se ao menos pudesse retirar de mim a essência fantasia de você
Já começo a sentir um presente aperto de desejo do seu doce abraço, saudades do terno sorriso, uma divina consumação que trazia paz a essa confusa alma.
Sei que lamúrias não adiantam. Apenas turvam os meus olhos impedindo-os de refletir o meu amor...
Mais uma vez esqueço-me do caminho das flores e me perco no labirinto dos meus temores...

by Val Costa Pinho

Sou...

Posso ser um espinho que cause dor como dor de prazer ou dor de dor,
Posso ser estreita solidão como sofrer de só ou desejo de só ser só,
Posso ultrapassar os limites do meu próprio eu desconhecido e mostrar que sou além do que...
Tecer palavras doces e amargas com o mesmo ardor,
Ser maldosa com ternura.
Posso ser estupidamente angelical e graciosamente estúpida.
Querer traduzir o que penso saber, sem ao menos me doar para o saber.
Ter e não querer...
Posso fingir ser do jeito que você pensa que eu sou e abafar todos os sons que poderiam ecoar ao dizer quem você é,
Posso até ser assim, mas ainda sou um pouco mais e mesmo que esse mais seja pouco pra você, é no pouco do seu achar que eu me sustento e sigo forte.
Posso ser símbolo sem significar,
Estrela escura, invisível de brilho salutar,
Posso ser estranha aos teus olhos e até mesmo aos meus,
Querer chamar atenção para que você preste atenção,
Querer magoar para estar presente em sua tristeza,
Querer alegrar para fazer parte de seu contentamento,
Posso brotar lágrimas internas e refletir felicidade aos seus olhos e assim deixar que você continue achando que é o único a ter problemas,
Posso ser tão enigmática quanto cristalina, sem que você perceba em qual face estou.
Eu posso querer explicar quem eu sou de uma forma pura e simplesmente metafórica. A conclusão que você irá supor estará mais distante do que você e eu possamos imaginar de quem realmente eu possa ser.

by Val Costa Pinho

em mim...

Que o meu espírito encontre motivação para continuar respirando através da matéria corporal que tanto te deseja.

by Val Costa Pinho