14 de janeiro de 2009

Sou...

Posso ser um espinho que cause dor como dor de prazer ou dor de dor,
Posso ser estreita solidão como sofrer de só ou desejo de só ser só,
Posso ultrapassar os limites do meu próprio eu desconhecido e mostrar que sou além do que...
Tecer palavras doces e amargas com o mesmo ardor,
Ser maldosa com ternura.
Posso ser estupidamente angelical e graciosamente estúpida.
Querer traduzir o que penso saber, sem ao menos me doar para o saber.
Ter e não querer...
Posso fingir ser do jeito que você pensa que eu sou e abafar todos os sons que poderiam ecoar ao dizer quem você é,
Posso até ser assim, mas ainda sou um pouco mais e mesmo que esse mais seja pouco pra você, é no pouco do seu achar que eu me sustento e sigo forte.
Posso ser símbolo sem significar,
Estrela escura, invisível de brilho salutar,
Posso ser estranha aos teus olhos e até mesmo aos meus,
Querer chamar atenção para que você preste atenção,
Querer magoar para estar presente em sua tristeza,
Querer alegrar para fazer parte de seu contentamento,
Posso brotar lágrimas internas e refletir felicidade aos seus olhos e assim deixar que você continue achando que é o único a ter problemas,
Posso ser tão enigmática quanto cristalina, sem que você perceba em qual face estou.
Eu posso querer explicar quem eu sou de uma forma pura e simplesmente metafórica. A conclusão que você irá supor estará mais distante do que você e eu possamos imaginar de quem realmente eu possa ser.

by Val Costa Pinho