9 de fevereiro de 2009

Ela

Ela tocava a face com arrependimento dos últimos dias em que deixou os dias passarem à sua frente.
O amor de outrora se curvava aos seus pés como falso amigo de sua dor cruzando longo caminho para enganá-la.
Maldade fez o amor que intimidou o seu coração fazendo-a amiga da ilusão.
Sentia-se segura com a senhora Ilusão, que fazia sombra ao amor, ocupando lugar de direito em seu coração.
Havia rasgos de si pela casa, espalhados e escondidos. Lágrimas sofridas, choradas em silêncio e dores abafadas por entre úmidas almofadas.
Suas angústias se enfeitavam de auto piedade – falsa fantasia.
Rasgos doídos, remendos daquela pobre alma que sempre tentava conquistar o vento na esperança que este a levasse para algum lugar que não o dela – Mas ele a desprezava.
Era só sol, sempre só.
Seus retalhos iam se acumulando pela casa formando sua triste história. Um livro seco de folhas vazias, esperando que o desconhecido se apresentasse para reavivar a sua alma.
Pertencia sem pertencer. Estava presente em matéria, mas o seu espírito há muito se tinha ido.
Quando unia os seus remendos para buscar um novo ar, o amor sem avisar, voltava de viagem e mais uma vez lá estava a enganá-la.
Cansada da escuridão que refletia do seu olhar e da aparência assolada que contaminava outros olhares, ela chorava jovens lágrimas sofridas e em frente ao espelho continuava a tocar sua face ‘’devastada’’ arrependida pelos dias passados em que não aceitou o amor que hoje dilacera o seu viver...
by Val Costa Pinho