16 de fevereiro de 2009

viajei... (O tempo que não volta mais)

O tempo que não volta mais
Querendo partir me pediu piedade
Disse que ficaria tudo bem
‘’Que nem mesmo existe mais’’,
Consolou-me garantindo que me libertaria dos meus tormentos
Que eu o deixasse evaporar e não esperasse o encontro com a morte
Que esse é o momento.
O agora me grita pedindo que eu acorde e viva
Esqueça o que já não existe e não viva de amargores

Ainda sonolenta começo a compreender que não posso buscar nada no momento pretérito
E que inerte deixei de viver o que a pouco poderia ser uma oportunidade única
O tempo que não volta mais me impele para o agora
Estou entregue ao presente sem nenhuma expectativa que não seja a de viver
Pois nem mesmo o amanhã me pertence.
E quão imponente deve ser o amanhã que todos esperam.
Deve certamente zombar daqueles que ignoram o hoje

Do amanhã não escuto nada,
Do amanhã não sou íntima
Mais tarde quem sabe não o encontre
Acabo de conhecer o tempo que bate à porta da minha presente existência
As lembranças, as quais não posso viver outra vez,
se apresentam como gotas de aprendizagem.
Aos meus ouvidos falam baixinho oferecendo proteção aos percalços que o amanhã poderá me oferecer
Um presente de boas-vindas, talvez...

Não penso no amanhã como vilão de minha história
Sendo minha, quem mais poderia ter prejudicado a mim mesma?
O tempo que não volta mais partiu e eu segurei o quanto pude
Até o a pouco já passou
Confusa (...)
Acho que me juntarei a algumas expectativas sem me apegar ao longo prazo
Que dúvida cruel me ocorreu agora
Se a pouco comecei a discorrer sobre isso tudo
E ainda não finalizei o meu pensamento
O tempo que não volta mais não estará presente??

Hoje eu poderia dizer que já é amanhã?
Posso agora rir junto ao imponente amanhã, pois a ele já pertenço
Já passa da meia-noite
Aqui, mesmo agora, compreendo que nada tem explicação se voltarmos ao ponto de partida.
Logo, viver é a melhor forma de viver...

by Val Costa Pinho