30 de abril de 2009

PEDIDO AO ACASO

Meu amigo Acaso traga-me um pouco de paz
Faça correr de mim essa vontade ‘crucificante’
Retira-me desse abismo
Absorva a minha dor, não desista
Remova as raízes venenosas que se escondem abaixo dos meus pés

Sinto dó da parte em mim que teima em ser salva
Ela não sabe, mas percorre um campo minado, escuro e
Repleto de outras partes assim como esta corajosa suicida

Acaso, devolva-me o prazer que se arrastou para onde não há um encontro
Ao menos purifique meus olhos para que eu encontre novos prazeres

Não se mostre assim com tanto desprezo
Admito minha culpa por não sair deste pequeno ‘malzoleu’
Por lamentar cada chance ofertada

Só?
Já não sei por onde andar, não seria possível
Não me acho para tal fazer!
Se me ouve, não insisto em permanecer nestas vontades ‘reais imaginárias’ que se alimentam de migalhas...
Acaso estará salvando o alicerce que me impulsiona para vida
A parte em mim que teima em ser salva

by Val Costa Pinho

NESSE TEMPO



Nesse tempo com tempo contado
Coloco os meus desejos em virtude do que me consome
Os meus vícios infectam as minhas vontades prematuras
Nada é sólido comparado a esse ‘iceberg’ pulsante
Ainda sinto frio
Ainda sinto: O meu corpo ainda permanece aqui...
A cada momento um ponteiro se desgasta
Os meus olhos o seguem,
A minha vida ‘gira’ e retorna com um tempo a menos...

by Val Costa Pinho

...

Dar-te-ei a minha alma para abduzir o que eu já não suporto
Vozes, olhares, gestos...

Mundo fique mudo por um instante ou me adormeça!

(...)

Alma, agitada alma, quando não mais suportares as vozes, os olhares e gestos
Recolhe-te ou renova-me
Pois o mundo não cessará, não silenciará!!

By Val e Consull

Cautela

Hei, vá mais pra esse lado, é o correto
Não fique assim, não é preciso
Observe menos, sorria menos
Não se mostre tanto assim, pode ser prejudicial
Assim como beber e fumar, renuncie!
Não olhe demais para essa direção, ela poderá te levar para um abismo
Não chore
Não, não, não!
Faça isso, aquilo, isso!
Siga essas setas, elas estão aqui para o seu bem
Desista dessas idéias absurdas
Siga a maioria
Desista de ser você mesmo

Siga frustrado
Siga infeliz
Siga vazio
Respire fundo e continue vivendo...

Hei, existe outro caminho
Um pouco solitário, porém mais verdadeiro...

by Val Costa Pinho

12 de abril de 2009

A VIDA EM MIM NARRA


Dessa constante angústia suportável e prazerosa
Dessa imensa agonia tentadora e desejada
Desse vácuo de interesse por outros tantos
Dessa cruz sem imagem
Desse elevador que não imerge
Dessa beleza que não seduz
Desse som que penetra as entranhas
Desse amanhecer perpétuo e inoportuno
Desse anoitecer que acalma a alma
Desses dias repetidos e sem sentido
Dessa vida desejada e sem desejo
Desse foco que não focalizo
Dessa tempestade que se vai e finda o meu encanto
Desse incômodo ardendo em minha fé
Dessas estradas apontando setas para entregar-me ao desagradável ‘igual’
Dessa normalidade que me entontece
Dessas palavras que não posso gritar
Desse avesso que não se vira
Desse finito tempo que comparo ao infinito
Desses esses e essas que não entendo
A vida em mim narra:
Nada disso sou eu...
Aqui jaz apenas uma dor proclamada!!


by Val Costa Pinho

PAIXÃO

Paixão que vicia
Não existe ‘um’ você
São faces passageiras
Corpos que abraçam o desejo de ti
Apenas o exposto basta sem mostrar-se puramente
Paixão sem extremos, apenas paixão
Sem algemas
Sem algoz
Apenas parte do que sou e a sou a cada segundo
Aqui em meus desejos, em minhas pausas de pensamentos distantes
Quase posso abraçar-te,
Fecho os olhos
Então adormeço.

Quem será você amanhã?



by Val Costa Pinho

9 de abril de 2009

Desde sempre...

Profundamente em mim
Desde sempre
Sempre amor
Olhar terno de desejo em cor
Todos os tons completam-se em mim
Próximo à entrada da salvação
Gritos tortuosos
PQ não? - Já os ouço...
Quero-te tão fácil como lamentar não estar ao teu lado
Já te imagino como uma metade perdida
em tempos de solidão
Posso anular as chances do meu destino
Desde sempre
Sempre em mim!


by Val Costa Pinho

Um último mergulho



Olhos vedados e um alvo com sinais de dor
Atiro mais uma vez
E sigo em frente
Sigo nessa estrada com flechas sendo lançadas e ’nada’ me atinge,
As lembranças me guiam para muito, muito longe do que sou agora
Lanço-me em chances à primeira vista: Fantasia
À beira do rio ’Desafio’, mergulho
Curando feridas invisíveis enquanto marcas vão ficando aqui fora
Tomo algo, mais uma dose amarga oferecida
Algo aquém de mim surge invisível batendo forte
Tudo volta a ficar onde deveria, menos essa sensação aqui ao lado
Aceito, é meu registro aqui findado, cruel jogo do existir
Continuo alimentando o dia final
As tentações não hão de persuadir-me, mas há muito enganou o meu embarque
Então aqui dentro estou eu, abrigada, presa e de alguma forma sendo devorada
Esse adeus batendo em meus pensamentos me motiva, mantendo-me acordada
Recorro ao rio onde sempre seco as minhas feridas e mergulho bem fundo tentando não sentir nenhum sentido,
Regresso e eles continuam ali... quanto barulho
Eu silencio e permanecem insistindo... tão próximos.
Retorno refém, pagando penas doridas, sendo absolvida para manter o ciclo,
Virando-me ao avesso e voltando cada vez mais vazia de certezas.

Ainda me resta um último mergulho, retorno ao rio
Mas ele secou...



by Val Costa Pinho