9 de abril de 2009

Um último mergulho



Olhos vedados e um alvo com sinais de dor
Atiro mais uma vez
E sigo em frente
Sigo nessa estrada com flechas sendo lançadas e ’nada’ me atinge,
As lembranças me guiam para muito, muito longe do que sou agora
Lanço-me em chances à primeira vista: Fantasia
À beira do rio ’Desafio’, mergulho
Curando feridas invisíveis enquanto marcas vão ficando aqui fora
Tomo algo, mais uma dose amarga oferecida
Algo aquém de mim surge invisível batendo forte
Tudo volta a ficar onde deveria, menos essa sensação aqui ao lado
Aceito, é meu registro aqui findado, cruel jogo do existir
Continuo alimentando o dia final
As tentações não hão de persuadir-me, mas há muito enganou o meu embarque
Então aqui dentro estou eu, abrigada, presa e de alguma forma sendo devorada
Esse adeus batendo em meus pensamentos me motiva, mantendo-me acordada
Recorro ao rio onde sempre seco as minhas feridas e mergulho bem fundo tentando não sentir nenhum sentido,
Regresso e eles continuam ali... quanto barulho
Eu silencio e permanecem insistindo... tão próximos.
Retorno refém, pagando penas doridas, sendo absolvida para manter o ciclo,
Virando-me ao avesso e voltando cada vez mais vazia de certezas.

Ainda me resta um último mergulho, retorno ao rio
Mas ele secou...



by Val Costa Pinho