12 de abril de 2009

A VIDA EM MIM NARRA


Dessa constante angústia suportável e prazerosa
Dessa imensa agonia tentadora e desejada
Desse vácuo de interesse por outros tantos
Dessa cruz sem imagem
Desse elevador que não imerge
Dessa beleza que não seduz
Desse som que penetra as entranhas
Desse amanhecer perpétuo e inoportuno
Desse anoitecer que acalma a alma
Desses dias repetidos e sem sentido
Dessa vida desejada e sem desejo
Desse foco que não focalizo
Dessa tempestade que se vai e finda o meu encanto
Desse incômodo ardendo em minha fé
Dessas estradas apontando setas para entregar-me ao desagradável ‘igual’
Dessa normalidade que me entontece
Dessas palavras que não posso gritar
Desse avesso que não se vira
Desse finito tempo que comparo ao infinito
Desses esses e essas que não entendo
A vida em mim narra:
Nada disso sou eu...
Aqui jaz apenas uma dor proclamada!!


by Val Costa Pinho