26 de junho de 2009

Proteja-me

Leio o que dizem
Dizem tanta coisa
Quanto drama, quanta mentira

Encostada numa parede de bronze
Tento permanecer
Está frio então estou protegida
A luz se esconde detrás do muro, ainda não chega aos meus pés
Daqui não sei aonde ir

Os meus pés começam a se esconder de mim
Se eu pudesse ouvi-los
Caminhar em Tua direção

Agora o sol começa a queimar
O bronze não é forte
Algo bate forte e me leva ao chão

Essas mentiras jogadas ao vento estão a subordinar o meu ser
Emolduram a minha pureza
Quanta história estranha
Quanta dor ao redor
Corro em Tua direção
As portas estão fechadas

Não consigo entender o que dizem
Não associo ao que fazem

Quanta hipocrisia
O fizeram atributo
Eu já nem sei onde estou
Tento não me perder
E se falo "Meu Deus o que foi isso?
Alguma palavra saiu daqui?"
... Seguramente seu sentido correu de mim
Os donos do mundo a deturparam

Um momento apenas
Venha e simplesmente me abrace
Proteja-me
Deixe-me com o que tenho de mais verdadeiro:
A imagem de Você que eu criei para mim...


by Val Costa Pinho

19 de junho de 2009

Canção astuta


Canção
Eis o pedido

Leve-me para uma melodia dentro de mim que ainda não conheço
Escuto um violino a chorar
Leve-me daqui canção
São lágrimas afinadas, já as conheço
As vozes destes sinos me pesam a cabeça,
Não, por aqui eu não seguirei

Ali à frente, veja, são marcas de uma viagem que fiz por este lugar muito tempo atrás
Canção, leve-me para mais além do que vejo, além do que sinto
Faça a sua melhor composição correr em minhas veias
Seja meu condutor, minha energia,
Se resistir aos pesadelos dos sons estremecidos que estão dentro de mim, entorpeça a minha alma, mas não me deixe desistir

Leve-me para mais longe, eu sei, estou vendo
Estes acordes me param preciso de velocidade, dispare mil sons, eu exijo
Estou tão perto de algum lugar
Estou sangrando diante destes ruídos,
As harpas rangem e eu só quero continuar

Tem alguém à frente me observando,
Escuto o perigo,
São maldições sendo lançadas
Não querem me abandonar aos braços da paz
E eu continuo as perturbando com a minha fé

Um brilho dentro de mim extasia, envolve
E querem me privar de conhecer a minha melhor melodia?

Aqueles gigantes do lado de fora acham que sabem o que procuro
Canção, tape-nos os ouvidos
Não os deixe entrar por esse caminho
E não precisa colher os seus ‘’Adeus’’

Esses gritos, eu já passei por aqui, não é esse o caminho
Essas lamentações são iguais as de ontem, estão me iludindo
Deixe-as passar
Ah! Angústia,fique longe agora, não posso lhe dar atenção
Canção retire-a desse piano, pois este me seduz e eu não quero parar por aqui

Nada é tão claro assim
Estas palavras não estão sendo ditas do jeito que você acha que estão
São apenas conjugações confusas

Solidão
Por que ainda me observa, o que você quer?
Não posso lhe dar o que não existe! Você sequer está me vendo.
Deixe-me em minha viagem
Deixe-me...

Vejo os tambores retumbarem em recepção à minha chegada
E esses estrondos?!
Por que ainda não consigo ficar em paz?
Esse barulho começa a me entontecer

Canção, agora que estou perto da realidade de mim mesma, percebo que deixamos pistas demais pelo caminho
Conduza-me de volta, pois eu deixei todos para trás sem entendê-los

Agora eu sei por que estavam tão próximos de mim...

by Val Costa Pinho

18 de junho de 2009

O sonho de uma flor...

Corre bem-aventurada
Desejando voar
Anseia falar de amor
Anseia o amor encontrar
Canta em ritmo afinado
Uma melodia sem rimas
Não se importando com versos originais

Fina Flor despida, vestida de seiva
Vem correndo feliz
Deixa-se livre ao vento
Parece voar plena e confiante

Sozinha, viaja em direção à eternidade, um jardim de ‘’flores humanas’’
Dissemina-se aos solos do ‘’além-mundo’’
À espera de quem a contenha
Fecha os olhos e aperta-os bem forte
Ao abri-los vê brotar outras flores em sua frente
Crê-se protegida
Fazendo parte dessa melodia sem fim
A sensação do real acerta-se numa canção maior

Encontra-se aos olhos do presente amor
Abraça-o sem temores
Fina flor,
Mistura-se às outras e é aceita sem condições
Já não corre
Finda a sua viagem
Pousa nesse lar benquisto

De repente, sem reserva
Dos céus ressoam uma música singular
As flores se calam
É chegada a hora de despertar
Fina flor teme deixar para trás o que semeou
Não desiste de ficar
Recolhe-se em seu mundo de escolhas e se esconde do amanhecer
Mas,
Este arrebata os seus sonhos e ilumina a porta do seu olhar
Chega falando baixinho: “Fina flor, é hora de acordar’’.

by Val Costa Pinho

12 de junho de 2009

Tão simples...



Eles não entenderiam
É mais do que poderíamos explicar
Somos crianças em busca de um tesouro imaginário
Encontramos pistas em nós mesmos
Pintamos sorrisos, abraços e beijos
Borramos o papel com lágrimas
Desenhamos corações em forma de balões
Estamos partindo em busca do nosso castelo
Somos crianças
Brincamos de areia, construímos o que queremos
A alma é pura, somos anjos de alguém
Rezamos sem saber rezar
Chamamos atenção por querer
Seguimos juntos e separados
Somos crianças, desabrochando em novos ares
Estes desvios desviam os nossos olhares para mais além
E somos completos em nossas ilusões
Inteiros em nossas quedas
Metade da nossa inocência emprestamos sem questionar
Estamos livres de zelos
Estamos presos de amor
Somos crianças ciumentas, birrentas
Encantamos as pessoas com os nossos riscos desalinhados
Estamos crescendo
Mudando nossos retratos, pintando novas formas, novas emoções
Nossa vida é poesia
Somos amizade,
Sem cobrança, sem arreios
Somos nós
E ainda somos crianças!!!

Eles não entenderiam
É tão simples
Mais do que poderíamos explicar...


by Val Costa Pinho

Para os meus amigos