21 de agosto de 2009

Tempo certo


Pensei no tempo da minha imaginação
Parei num tempo que não existe
Busquei um tempo para refletir
Me perdi no tempo da busca
Pensei naquele tempo ser feliz
Ledo engano. Não existia você
Então varri o tempo daquele passado presente
Perdi muito tempo me procurando
Me achei no tempo certo
Te encontrei nesse tempo
E,
Não vejo melhor tempo para viver

eu: te: am00 (AM/PM)

by Val Costa Pinho

10 de agosto de 2009

Maquiagem


Acordei
Estou meio tonta,
Tropeços na quina da cama
O mau-humor característico de toda manhã
Ainda sou eu

Parto ao encontro do dia
Nesse imenso teatro
Figurinos e trejeitos colocados à face
‘’Antenas’’ a postos
Estou em ação

Ao longo do trajeto cotidiano
"Bom dia" sendo disseminados com sorrisos,
Ora misturados com abraços
O costumeiro café com leite frio e adoçante falsificado de cada dia
E eu odeio café

Hora do almoço
O mesmo figurino,
Algumas alegorias coladas pelo vento começam a pesar o meu corpo
A face querendo repouso
Por um instante pensei está paralisada
Estou com fome!
Por favor! Sem essa de café com leite

A tarde está quase largando o dia
Ainda me pedem para interpretar mais um papel
Tento recusar
Olho para o caminho que me leva para casa
Muita poeira,
Procuro algo para tapar a minha visão
Tenho que ficar mais um pouco por aqui

Enfim, é noite
Eu já não sorrio, não enxergo, eu...

Estou em casa
Mais um papel preenchido
À frente do espelho
É necessário que se retire toda a maquiagem antes de dormir

Alívio, ainda sou eu
É hora de tomar um bom banho e adormecer

Amanhã mais um capitulo recomeça...
Espero ser demitida, mas, pensando bem,
Tenho que pagar as contas atrasadas
E novos estojos de maquiagem!


by Val Costa Pinho

5 de agosto de 2009

Eu esquecido

Coitada dela
Ela vive só
Só se ouve isso dela

Dela não tenho notícias há dias
Ela perde os dias trancada em seu mundo
Não sabe quanto da vida já perdeu

Perdeu muito tempo sem nada
Nada parece abalar aquela criatura

Criatura estranha ela
Ela vive um conto de fadas
Fadas não existem

Existem muitos iguais
Iguais a mim?
E eu, quem sou?


by Val Costa Pinho

1 de agosto de 2009

RECORTES NO ALVORECER


De mãos dadas com a inocência
Gotas de pureza caíam sobre si
Julgava o mundo seu lar
Dentro de si estava o sono de criança
Um urso invernara ali dentro
Não haveria de acordar

De mãos dadas com a vida
O primeiro beijo
O olhar desconfiado
O travesseiro abafado
Um pecado “anão” de fase passageira
Um medo ingênuo em metamorfose

De mãos dadas com a dor
As lágrimas em desalinho
O ódio mirando o tempo
As ilusões sendo entendidas
A distância sendo alcançada

De mãos dadas com a solidão
Um momento para pensar
Um desabrochar
A porta aberta sempre à espera de algo
As descobertas mal e bem vindas

De mãos dadas com o presente
Tenta segurar-se a inocência,
Buscando respostas da vida para aliviar suas dores
Deixando que a solidão se afaste lentamente de suas mãos

Mãos abertas para um novo ser que surge a cada imagem do seu álbum

by Val Costa Pinho