4 de setembro de 2009

Até a última estação


Cobranças de promessas que não se cumprem
Privam-nos de momentos que poderiam reflorescer uma alma
(Reascendemos assim dores sobejas)

Jogos que não terminam
Cortam-nos laços que poderiam consolidar uma majestosa união
(Perdemos assim formidáveis encontros por muitos caminhos da vida)

Posses do que não podemos levar para dentro de nós
Formam crostas pelos cantos de uma história copiada
(Por isso andamos tão pesados?)

Buscas por identidades alheias
Não há parada para descanso
Abandonamos o que nos é mais admirável
(Atrás dessas cópias mal-formadas, nos perdemos mais uma vez)

Negamo-nos mais uma vez
Qual o propósito dessas escolhas?
Esse sofrimento, a quem pertence?
Como afastá-los?
(Não há entendimento quando perseguimos o ideal do outro)

A segurança de verdades impostas
Geram dúvidas que nunca terminam
Escondemo-nos para os outros
Encobrimo-nos com os outros
(Perdemos assim nossa própria verdade, barramos nossas próprias satisfações)

A última estação está próxima
Seguiremos até lá, débeis, impotentes, alienados?
Donos de dúvidas perpétuas?
(E em nossas mentes, o sentido de uma dor aparentemente sem sentido?)

Até a última estação podemos reascender o que se apagou
Abrandar as nossas dores
Olhar como iguais aqueles que colocamos embaixo de nossos pés ao encarar a vida como competição
Compartilhar com os outros, o que exaltamos sem podar o prazer do sentir
O sofrer certamente não nos deixará de lado,
Que nossas derrapadas decorram de uma incansável busca por crescimento pessoal sem que deixemos a mercê dos nossos ideais, o que não nos pertence!

Até a última estação...

by Val Costa Pinho