1 de novembro de 2009

Ser só ou um só em dois...

Aquele olhar grave que se mistura a muitos
Tenta ocultar-se da companhia de outrem
Alimenta a solidão que de muita já não é passageira
Cria em si distância sem fim com qualquer vínculo duradouro
Nutre sozinho, uma aspereza no pensar que sofre agora por não querer num futuro se desvencilhar de alguma alma que por ilusão possa tornar-se desertora
Varia deveras o seu pensar, ora deseja ser um só, ora um só em dois
Através da poesia encontra alento e pode desvanecer a sua dor colocando ao seu domínio palavras benditas que o consolam sem cobrar-lhe lealdade

Aquele olhar grave em plena confusão de sentimentos cai em desvelo
Desejando se jogar em arrecifes de vazio pensamento
Se purificando de todo o medo que criara dentro de si por crer-se protegido,
Liberto na ilusão de ser o causador de suas próprias dores estando imune à dor trazida por alguém
Decerto, sabe que a solidão o consumirá mesmo estando acompanhado
Mas de certo quem saberá o que há?

Aquele olhar
Ingênuo ser, possuidor de certezas efêmeras
É um desassossego à procura de uma calma ou de um fim

Porém
Que calma pode haver se a natureza o fez assim?
O fim é certo, mas qual é o fim?
Ser só ou um só em dois...

by Val Costa Pinho