5 de dezembro de 2009

Em tempos de julgamento

A porta para o vazio
Uma porta escancarada
Onde muitos entram
Sem perceber

[1]
Em tempos de julgamento
Entram nesse vazio de onde pensam se achar
Nele não há sobras,
Só alimento para a utopia
O nada aparente, que se esconde de olhares inquietos
Embora não atraia, logo os conterá
Cada falta há de completar-se, por si só, com outras faltas

Uma vez íntimo, circundará mentes
Até ser adotado
Enganando, protegendo segredos que deveriam se revelar
Oferecendo momentos de euforia efêmera, mera forasteira

[2]
Um vazio sem suplentes,
É aceito como entidade
Conduzindo pensamentos, sentimentos e atitudes

A porta se fecha em silêncio
Um abrigo ardil,
Um vilão paralisando a realidade
Dedicado a corroer o presente e a pesar cada momento vindouro

[3]
Num êxtase mental
Em desacordo com tantas faltas
Quase desprovida de ação,
A alma acorda num pulo vivificante
E então choram aqueles que permaneceram cegos
Não há um toque externo a consolar
Agora os espaços entre as frestas da porta são pequenos, é o que resta
Não dá para ultrapassar

[4]
Mas pulsa a vontade em viver de onde não dá mais para fugir
Em tempos de julgamento
Não há mais tempo para se punir
É tempo de preencher todos os espaços, desfazer os enganos e encontrar a chave certa
Ou tentar derruir o que por muito tempo foi considerado um lar...


by Val Costa Pinho