29 de dezembro de 2010

... parece amor



Você nasce dos meus chamados 
Do amém sagrado de cada dia
Daqueles desejos que apertam o imaginário
Fazendo refletir múltiplos cenários
Nos quais há sempre um encontro entre o meu desejo e a minha verdade 
O qual se resume em Você




Se há razão, eu a encontro quando me basta
Ela se refaz em Você
A razão que me cala o ego ferino
A razão que desafina o tom das palavras ditas bem depressa para não perder
Os versos do seu sorriso a casar com a melodia refletida dos seus olhos
A canção a me ninar
Pretexto a ganhar o seu colo
O meu céu sossegador

Bendita seja essa lembrança
Que mais parece amor

By Val Costa Pinho

5 de dezembro de 2010

Apenas me deixo brincar!






Até que eu me conheça,
Eu não sei entre o maior e o menor 
Quem ganha mais
Qual a melhor carona
O melhor lugar para estar

Não sei de dialetos, 
Línguas estranhas ou qual o verbo a chamar

Eu não entendo de moda, 
Só a minha própria, de um dia assim, sei lá!

É como um papel ao vento, 
Ao final do dia cheio de borrões, 
Mas, expresso a cada caminhar

Não me importa a tua cara, 
Teu status ou teu véu, nem se queres te mostrar!
Só sou o que sou e quando quero
E se não quero, o que vem
Vem me achar!

Sei dos meus problemas e amparo outros
É a vida
É onde quero ficar

Quanto as tuas amarras e o teu pesar
Não se importe comigo
Eu to vivendo
Um dia chego lá
E do lá que falo nem eu imagino
Estou passando os dias
Pra que tanta frescura?

Ah, não sei do que falo
Só sei que me divirto à beça, 
Fingindo ser a boba
De um rei sem lar

Quem sabe seja assim 
A descoberta do que procuro
A simplicidade de ser
De viver
De cantar
Remando em afluentes e fora do mar

Quanto ao meu destino
Deixo pra mente, que vai puxando
Um pouco das horas a imaginar
Um tempo que ainda não veio
E se estiver longe
Que fique por lá

O tanto de hoje me basta
Embora a tantos incomode a calma que tenho
É assim mesmo
Por que querer a tantos agradar?

Eu me divirto
Lembrou da boba e do lar?
É
Talvez eu já me conheça o suficiente
Para não me enganar
E se me engano, por ora, é porque quero
Apenas me deixo brincar!

by Val Costa Pinho




2 de novembro de 2010

Que seja assim...



Estou sendo um tanto mais de mim
Um tanto de amor mais que ontem
De se perder em ilusão
Ver sentimentos nascer
Em cores virgens,
Em novos traços

Tortos como alguém que escreveu
O certo nos caminhos teus
Que um encontro há tanto espera
E chama o teu existir
Confiando a ti, que célere me faça desejo

Estou sendo um tanto mais pedinte
Tornando-te guia da minha razão
Culpa da minha calma

Vem e finda ferida aberta
Sacia o apetite voraz

Que seja um ser além de mim
Que seja assaz impetuoso
Enquanto dure.

by Val Costa Pinho

30 de outubro de 2010

De volta




Agora o céu está nublado
Seria a minha visão?

Eu não estou entendendo muito
Peguei a carona errada

Lá, fora de mim
Está escuro, mas não dói
Os braços da escuridão estão abertos
Há luzes quando fecho os meus olhos
Estou em êxtase
Seja o que for
Estou acordada

Tudo parece ter sentido até ele se perder
O meio termo parece o ideal até se tornar um termo e meio
Nada é tolo e o tudo é excessivo demais

Está chovendo forte
Há obstáculos postos à frente do meu lar
Fora de mim
Preciso voltar

Não vejo outro caminho
Encontro-me parada no sinal
Precisando de uma condução

As luzes começam a atordoar
Os letreiros com tantas frases reais
A vida real está a me gritar
Ainda estou aqui
Voltando-me para dentro
Visto que sou a que deseja
Caio de joelhos,
Pedindo perdão
Estranhamente perdida

Agora, sem tampões
Dói querer esse prazer maquiado

Ela não pára
A perdição se dissolve nela, 
Inquieta, castradora
Traz-me, expulsando a voz-amiga cruel
Volto ao meu lar
Aqui, dentro de mim
Por cair em tentação
Sou dor
E não sou

Mas estou de volta
Construindo barreiras para não andar como andei
Dias e dias fora da realidade...

by Val Costa Pinho




29 de outubro de 2010

Vida em suas emoções...



Pequenos
Levemente estrábicos
Intensos em emoção
Vota o seu querer
Para uma fiel salvação

Salve-me
Sou como a ti
Sinta
Expulsai todos os medos
Pois em mim já não resta medo algum
Que não seja o de não mirar-te

Confia no encontro de nossas almas
Verás emergir as promessas do teu coração
Dando fim a uma longa espera

Salve-me
Serei vida em suas emoções
Guarda-me como a sua fiel salvação

by Val Costa Pinho 

24 de setembro de 2010

CONSTÂNCIA E O PERFUME DO SOFRER



Hoje,
Eu queria ludibriar os meus pensamentos a falar de flores
Seus cheiros e suas cores
Propor um pacto irreal com o tempo presente
Mas as curvas das folhas secas unidas ao chão
Retorcidas e amarelecidas,
Avivam sentidos avulsos, deslembrados, até então, em mim

É o valor consciente, indefinido, apaixonado pelos resquícios ignorados
São aqueles não contemplados, ressequidos e solitários
Unidos pela falta de aromas primaveris,
Que os meus olhos estão a seguir

Então esqueçam as orquídeas, rosas e lírios
E tantas outras que possam sorrir ao vê-los passar
Esperem a colheita dos seus corpos esmorecidos
Quando não mais a luz se fizer par

Ou se deixem ludibriar
Buscando perfumar o consciente
Contagiando o fosco inanimado que os dominam
Deleitando-se do “doce engano” que a vida proporciona
Em cada escolha
Em cada estação

by Val Costa Pinho

7 de setembro de 2010

O amor da minha vida atual


O amor da minha vida atual
É delirante,
Seus sonhos flutuam numa esfera que só os seus olhos podem mirar
Pequenas velas acesas iluminam as fendas de sua mente
E nem mil luzes de neon podem explicar
A gaita de fole que toca um pedaço de música donzela
Alegra o tiquinho de juízo que insiste em ficar
A leveza de sua companhia em dias de contenda
E o desejo de desejar é tudo que lhe basta
É o presente a pintar
Imagens de abraços polidos em braços do travesseiro amigo a esperar
Até a última hora de um sono que nem quer chegar
É a irretocável figura do espelho que reflete o amor verdadeiro de sua própria face, a lhe confortar.

by Val Costa Pinho

6 de setembro de 2010

Meu merecimento passageiro...

Foi você
A me deter
Naquele instante de escuridão
Onde desejei me perder

Você
Uma única luz
Uma única vez
Meu pretérito mais-que-perfeito
Conjugação dos meus desejos

Estas saudades acidentais,
É você
Teimosa aparição
Enjaulada dentro de uma tonta vontade
Mordaz, viciosa
Pulsante

Estes sinais que não alcanço
Também é você
Meu merecimento passageiro
Realidade distante
Que me acerta
Ensinando-me a caminhar
Fora dos meus anseios

by Val Costa Pinho

30 de agosto de 2010

Não me há


Olha lá
Há um olhar
No ar há
Não me há

Só há
O olhar
A desviar

Ah, que pena
Lá não me há

by Val Costa Pinho

15 de agosto de 2010

Frágil


Chovia,
Como único cúmplice
Os fios de ouro

Abraço de anjo
Sarava o frio

De um roço acalanto
Surgiu a culpa

Pela maldade do mau julgamento,
A transformação

Inocência frágil
Tudo que toca e não é bom
Dói

O tempo se refaz
Então renasce
Outra luz a envolve

É proteção,
Passageira,
É ilusão

Mais tarde,
Um fado
Meteoro sem domínio

Pela falta, a fuga
Pela lembrança, a desordem.

by Val Costa Pinho

7 de agosto de 2010

O meu abraço de hoje

Sentir o frio agasalhar a pele,
Distraindo a mente da companhia dos ventos
Que guiam os passos em direção
Àquela antiga dor sem nome,
É o meu abraço de hoje

O frio que nutre meus espaços em abandono
Sensibiliza uma força doentia
Que sorve a quietude sombria
Dentro de mim

Faz nevar o pó das dores
Há tempos
Atidos num cenário sem visitantes

Brota de meus poros
Sendo levado pela sorte
Suspenso no infinito

O frio que agora se agarra às minhas entranhas
Pulsa fagulhas de luz a despertar a minha mente
Pronta para um novo abraço.

by Val Costa Pinho

17 de julho de 2010

Um sentir particular


Somos um composto de desejos
Compomos o significado da vida à nossa maneira
Cada um com a sua fórmula
Sua vontade maior
À minha maneira eu vou seguindo
Fantasiando a realidade
Impondo os meus próprios limites
Colorindo o sofrimento
Eu e as minhas “catarses textuais”
Me purificando e re-purificando
Sendo especial para mim mesma
Conjugando o verbo amar de uma forma única
Em meu sentir e em minhas ações
Aprendendo com o amor
E como já foi dito por outros
"Falta aprender tanta coisa"
No caminho que segui até aqui, adotei grada confiança neste nobre sentimento
À minha maneira eu vou seguindo-o
Sem torná-lo cárcere privado
Um objeto de posse
Um réu
Pode ser que para alguns próximos eu seja “A idealista”
Ainda não aprendi a torná-lo "status"
Dele eu só quero uma recompensa

O teu sorriso...
Sejas tu quem fores!

by Val Costa Pinho

10 de julho de 2010

SER DUAL

Ele é assim
Colhe a minha atenção
Em segundos
Incendeia desejos em mim
Abrasa o meu corpo
Sou entregue ao seu domínio
Porém, previsível
Sentimento se cala

Me vem a metamorfose

Ah! Ela e suas fases - A corôo
Em deslumbre
Dispo a minha alma
Esvaneço na sua luz
Torna-me plena
Porém, tormenta
Transtorna o meu ser

Ao final do eclipse
Do sol
Da lua
Sou de ninguém

by Val Costa Pinho

9 de julho de 2010

Sem inspiração

Sem inspiração
Inspira ação
A mente prende
Não aprende
Não expressa
Pressa impulsiva
Pulsa sem controle
Luta contra si mesma
Saudável expiação
Haja gozo

by Val Costa Pinho

30 de junho de 2010

Abrigo


O meu mais querido lugar
Lugar de minhas respostas
Onde o meu Deus habita
Os meus demônios pousam

As minhas lágrimas brotam como gotas de orvalho
Posso desenhar tempestades
Escrever ao som dos trovões
Alegrar-me com o sorriso dos lampejos

A minha paz se inventa em meio às minhas aflições
Posso inventar novas histórias
Consentir com candura o que não adiro

Meu silêncio
O meu mais querido lugar

A melhor das minhas glórias
A cura da minha não-adaptação
A qualquer coisa
Não há perdas

É minha unção passageira
Sem predicados
O meu conforto
A minha proteção

by Val Costa Pinho

28 de junho de 2010

Vontade


Perante a pele que queima
Teus olhos devoram
Minha boca há sede
Em meu corpo escorre
O suor me lava
Treme em mim desejo
De ser
Possuída pela mesma minha
Vontade em ti
Almas afins
Uma noite quente - A sós,
Aqui, apenas
Um sonho

E no frio de Junho
Acordo
Estou só!

by Val Costa Pinho

21 de junho de 2010

Pontos de Vista


Junto a mim
Caminham muitos olhares
De tempos em tempos fixam-se aos meus
Lançando-me pesares
Tudo é tão subjetivo...

É como se ao caminhar, as minhas queixas se soltassem de mim
Deixando pedidos de socorro pelas calçadas

Pontos de vista alheios
Suponho que sejam com bons intentos

Suponho

Entretanto, alheios ao que sou
Onde está a porta de saída?

Uma voz profetiza:
“Então a vida é assim, tem dois caminhos. Para ser alguma coisa escolha um”

Comigo?

Não faz a minha cabeça
Não dá certo
Eu sempre vejo três
Ou nenhum

E essa de ‘’ser alguma coisa’’
Escolher um?
Um?

(...)

O tempo está passando
Preciso ser alguma coisa
Que não seja alheia a mim

Preciso de um tempo
Preciso costurar os meus bolsos
Deixar de andar pelas calçadas

Tempo...

Tempo para trabalhar os meus próprios pontos de vista.

by Val Costa Pinho

18 de maio de 2010

Um capítulo a menos?


O abajur à noite ilumina a minha desordem
Os meus dedos traçam um risco em meio a poeira dos meus cômodos
Incômodos
Acúmulo de dias perdidos

Os maços misturados a sementes de frutos cítricos provados
Mostram-me o desastre que tenho causado à minha construção

"Permaneça o amor fraternal", diz a Bíblia toda vez que a abro
Capítulo 13 de algum lugar, deste eu não saio nunca
Treze,
Talvez seja o número de capítulos deixados de escrever por dia em minha vida
Insisto em não mudar a página

As garrafas estão vazias
Os livros estão contra mim
A música envolve, fustiga
As letras estão aqui
Batendo-se contra as paredes do meu quarto
Tentando esquecer uma verdade cruel
O som se vai e ela insiste em ficar

Eu me obrigo a dormir
Luz apagada
Olhos fechados,
Volto-me para dentro
E o conforto da escuridão me adormece
Mais um dia
"Permaneça o amor fraternal"
De alguma maneira
Insisto em não mudar essa página

by Val Costa Pinho

10 de maio de 2010

Faltas


Porque ser só
Me fazem só
Eu me faço

Não sei de tal merecimento
Nem quantas "fés" destruí
Quantos fiz chorar

Não sei de mim que choro
Me fecharam as lágrimas às lembranças vãs

Então sei de quem fiz feliz
Sei do bem que lhe fiz
Mas não sei por que me fez só

Lanço-me àquele espaço
Vazio faltante no quebra-cabeça
Fico a observar
Como ser só
Junto a partes iguais a mim

by Val Costa Pinho

7 de maio de 2010

Um adeus

Sou fruto descendente
De várias árvores sou cria
No solo que vim ao mundo
Sou a história que semeei

Ali plantado foi
Por muito tempo meu retentor

Entre laços de união
Deram luz há uma flor
Flor de um fruto sonhador

Quantas vidas me puseram aqui
Quantas lágrimas me serviram de adubo

Muitos frutos
Vi secar
Quando ainda
Abotoava-me como incógnita
Num galho frágil e delicado

Eu não sequei
Tornei-me ternura
Fruto precioso
Afável sedutor

Protegido entre o calor de um sol punidor
E de tempestades enfurecidas
Eu cresci
Fui colhido e provado

As minhas sementes semeadas
Tornaram-me bosque
Regressei ao solo do meu criador

Uma falta aflora
Muitos se foram
Como muitos hão de partir

Esta noite
Dou adeus ao tronco-rei varonil
Mas,
Continuo a seguir
Renovando a minha morada

Até quando
Quem há de prever?
Sigo olhando a minha história
Aquela que semeei
Sigo olhando de perto um novo adeus
Há de nascer um jardim no lugar daquela árvore que a vida levou?


by Val Costa Pinho

10.04.2010+
(...)

19 de abril de 2010

Fascínio


Ali à beira do penhasco
À beira do meu controle
O grande corpo celeste
Banha os seus raios
Encantando o rei dos oceanos

Corpo celeste que embriaga a minh’alma
Seduz-me junto ao encanto das águas
Feiticeira união
Paixão antiga do meu espírito
Sou graça pura ao agito das ondas

Ali eu posso ver
Tridente de ouro
Riscando a linha do horizonte
Onde irei caminhar

Entra e me domina os sentidos
Leva-me de seus irmãos
Afoga a minha insânia
A mim

Hei de renascer logo mais
À beira de um penhasco qualquer


by Val Costa Pinho

4 de abril de 2010

O pôr de uma satisfação

Um pequeno afeto não há de surgir para me consolar
Atrás do sol se esconde quem desejo e eu não o posso alcançar
Se a minha satisfação antes de existir se vai
Oh sombra, deixai de existir então

Pelos montes está indo
E mais distante estará
Quando o sol se puser no seu lugar
Estarei perdendo quem por detrás daquela luz se esconde

Eu não precisarei mais de sombra
A noite nascerá findando o meu desejo

by Val Costa Pinho

20 de março de 2010

Uma Verdade: A Minha Mentira


Ao meu lado
Uma espera
Um nada prometido
Esperança que abre os braços
Traz lágrimas ao meu coração

Um chamado ao meu corpo
Arrasta a minha atenção
Lentamente, esqueço de mim
Uma noite a mais
Desejo a alva cor do dia

Vem
Parte com quem me invade
Este que me deseja em vão
Não pertence ao meu querer

Há muito mereço viver o que é meu
Pertencer à minha vontade
Já não posso perder as horas que findam os meus dias
Em uma verdade: a minha mentira
Não estou em sonhos onde o tempo se consome e pode nascer ao mesmo dia sem obrigação

Que a noite se renove com uma ausência ao amanhecer!

by Val Costa Pinho

8 de março de 2010

Mulher


Uma valsa dança sem saber
Pelos salões da vida
Desliza com o seu corpo
A encantar as ilusões acolhidas
A iludir os encantos não confiados

Compositora de intensas emoções
Intérprete de sentimentos vivos
Gira senhora amante do tempo
Neste baile tu és a principal

Goza em canções de sofrimento
Desenha os seus instantes de beleza
Pura graça em seus movimentos
Gira em tempestades
Movimenta a vida
Jóia viva, derivada do amor

Os passos em alinho
Enfraquecem em descanso aos vários festivais
Dança que o tempo há de passar
E as lembranças de quem és parte de ti
Na corte eterna da vida há de ficar
Vestida em teus movimentos
Sendo mais uma jóia a ti representar.

by Val Costa Pinho

1 de março de 2010

Nós

Adoro o pronome que nos une
Nós,
Aquele olhar na primeira impressão de um dia de solidão
O choro de lágrimas silenciosas, velando o sono de alguém
Nós,
Do tipo que sempre permanece um minuto a mais
Somos presenças sentidas sem sentir

Nós,
Sumiço sem vestígios
Acostumados a voltar com versos e canções,
Admitimos os nossos erros
Enquanto erramos o outro erra também
Entendemos erros e somos réus de alguém

Nós,
Leituras incompletas
Complexas e simples palavras que alguém por indolência deixou de ler
Vontades devoradas sem apreciação
Somos corpos cicatrizados
Esperanças de velhos desejos
Atos em pausas, nós na garganta

Nós,
Torrente de amor e paixão
Intensos, paralelos de emoções
Somos uma comunhão,
Somos nós
Você e eu...

by Val Costa Pinho

26 de fevereiro de 2010

Lacunas


Um observar que não é meu
Rodeia as minhas palavras contidas
Observa o véu que delicadamente encobre o meu rosto
De surpresa, se aproxima com interrogações
Atenta a minha reação

As palavras retornam inseguras
Incompletude
Ignora quem sou eu ou quem és tu
Então me dobra palavra solta

Traços e pontos abusam de mim,
Desejos se apresentam nas entrelinhas
Entre nós, tudo está suspenso
O véu, em meu rosto fica
Resguarda o que penso não conhecer
Até o próximo encontro...

by Val Costa Pinho

3 de fevereiro de 2010

Lado a lado

Se fosse ao meu lado
Tu desejarias ter dias mais longos
Viver acordando com os meus afagos
Acordar vivendo em meu “ser quem sou”

Se fosse ao teu lado
Desejaria eu, ter mais dias para olhar em teus olhos
Ter o prazer de ver o teu prazer com os meus afagos
Acordaria satisfazendo o “ser quem tu és”

Se lado a lado fosse o lado que desejo
Ah, o meu desejo
Ai de ti..."

by Val Costa Pinho

1 de fevereiro de 2010

Labirintos

Apertei o gatilho de minha memória
Um rastro de pólvora se formou
Um labirinto se abriu
A mente me conduzirá...

Ele olha profundamente nos meus olhos
Me sorri com doçura
Está sofrendo
Sinto a sua dor ao ver o seu corpo trêmulo
As suas vestes rasgadas
O seu suor misturado ao seu sangue

Mas, ele continua a me sorrir docilmente
Guardando a sua dor
Não deixando que aquele momento me condene ao ódio

Ele esta só,
Lutando por outros
Não consigo entender as suas escolhas
O seu olhar me expulsa daquele lugar fétido

O gatilho é disparado novamente
A mente me conduz a outro tempo

Onde estará aquele homem que me sorriu docilmente?
Eu não o vejo
Estou em meio a uma multidão de doentes,
Famintos, misturados a nobres
Prostitutas e castas caminhando lado a lado
Purificados, se vangloriando acima de pedestais de ouro
Abaixo deles, flagelados como aquele senhor de outrora

Aqueles a quem olho me devolvem um olhar frio e nebuloso
Procurando em mim algum benefício
Estou despida
Como companheira apenas minha consciência

Um ar escravizador me rodeia
Consigo sentir a essência desse lugar imundo
Volto os meus pensamentos para o senhor de sorriso acolhedor
Uma sensação de paz me toma e estou de volta ao meu tempo

Observo atentamente o meu mundo
Sãos os mesmos personagens
Os mesmos espíritos, cobertos com novos trajes
Nada é melhor, nada é pior

Em meu interior, uma semente se faz fruto
Fruto de alguém que estava, através da sua dor, tentando mudar o outro
Talvez eu nunca entenda o porquê de suas escolhas
Mas, seguramente, consigo entender o valor daquele sorriso

by Val Costa Pinho

24 de janeiro de 2010

Além de nós

Ele se expõe,
É aceito numa linda canção,
Segue o horizonte
Ganha vida além de quem o pertence
Em meus olhos se espelha
A beleza em si, confunde o admirador
Acende a brasa em meu coração
Nasce uma paixão
Um casal além de nós
Meu olhar e o sorriso seu
Declaram-se no primeiro encontro
Conduzem os nossos corpos
Num enlaço primoroso

Ele se põe,
Enlaçado, segue o horizonte
Não se recolhe mais junto a solidão
Completa-se ao me tocar com os seus versos
Silencia ao ver serenamente refletir de minha retina
A verdade do meu coração

by Val Costa Pinho
......../.........

14 de janeiro de 2010

O vale das manhãs de sol


Olhares atentos à espreita de um caminho mais verdejante
Prostram-se imaculados em tua presença
A minha calma se perde em emoção por ver-te
Estas manhãs resplandecentes tão desejadas
Já não sei do mundo
Movimentos, nem atitudes

Palavras? Quais?
Se até mesmo a voz me falta
Algumas lágrimas embaraçam o meu contemplar, não se contém
Calada, a alma arrebatada guia os meus sentidos a fotografar o momento
Passa o dia e ficam em mim pensamentos d’um instante perpetuo
A sombra se faz e vou-me com a tua lembrança em meu ser

Não sou única a contemplar-te
Podo meu possesso querer
Amanhã ofertarei os meus olhos aos céus flamejantes
Entregarei minha ilusão à certeza
E darei as costas mais uma vez ao mundo
Prostrando-me a ti

by Val Costa Pinho

3 de janeiro de 2010

Voo Além

Voei entre arco-íris
Em florestas acaloradas me atirei
Sentia a brisa bater levemente em minha face abandonando o seu doce aroma como oferenda ao meu encanto
Voei sobre rios de águas claras
Vôos rasantes me banhavam a alma
Fui hóspede da natureza em dias de tempestade
Acampei em ninhos afáveis
Em minhas viagens, a cada parada, deixava um ser admirado
Agradeci a liberdade de existir

Fui cúmplice do amor
Quando em dias de serenata
O meu canto se misturava ao canto do ser apaixonado

Num dia sereno,
Ao me despedir do sol
À espera do encontro da lua com as estrelas
Fiéis companheiras desde o meu existir
Senti um perfume brotar por trás da árvore que me sustinha
Num solo fértil, a terra arada parecia abençoada
Um novo cenário se abriu aos meus olhos
Uma paz adentrou o meu ser
Como um pássaro rendido
Curvei-me àquela imagem

Em estado de graça,
Vesti-me de ternura
Agradeci a Deus por cada vôo
E cortei as minhas asas para viver o meu AMOR

by Val Costa Pinho

Por Amor...

Se por amor eu percebesse que, enquanto existir vida, sou um diamante Hope
Percebesse que para estar forte é preciso ser uma guardiã de mim mesma
Compreendesse que não adianta provar do mais puro néctar
Vestir-se em armadura de ouro
Calcar os pés com força sobre terrenos espessos
Se a todo o momento estou a apontar o passado como culpado pelo tempo perdido

Seria como provar o gosto do vento, estar desnuda em meio a uma tempestade de “lembranças em pó”

Se por amor eu resolvesse provar o fel de vez em quando
Lacerar as mãos colhendo espinhos ao invés de rosas
Andar com meus passos à frente dos meus pensamentos
Afrontar a mim mesma por permitir que fantasmas se tornem presentes

Se por amor eu partisse em busca de jardins sem encanto
Atravessasse rios em canoas sem pás
Esquecesse o significado de uma pá
Falasse para mim mesma que eu também posso errar

Se por amor eu me permitisse errar
Saber que antes mesmo de tal permissão, o erro já era um companheiro constante

Se me permitisse saber que todo erro é uma fonte
Toda fonte por mais seca que esteja
Oferece sempre uma nova perspectiva
E o novo é alimento para a alma
E se não houvesse comprovação de que fontes oferecem novas perspectivas?

Se por amor eu enfrentasse o que acho que sou
Dragões nunca existiram
Fadas também são bruxas
E o mundo não pode ser abraçado apenas por dois pequenos braços

E se eu me abraçasse de vez em quando
E se olhos alheios me intitulassem como uma louca
Para mim, eu sou louca?

Se por amor eu ignorasse o espelho antes de sair de casa
Comprasse uma roupa barata que me faz bem
Freqüentasse lugares sem nenhuma badalação
Esquecesse as legendas do meu dia-a-dia
E me rendesse apenas a minha vontade

Se por amor eu aprendesse a dizer não para o que eu realmente quero dizer não
Se ao final de um dia de nãos benditos eu me sentisse bem comigo mesma

Se por amor eu desse bom dia ao vizinho mal-humorado esperando um sorriso acolhedor
E como resposta ele simplesmente me ignorasse

Eu poderia experimentar ser a mesma mulher que saiu de casa querendo arrancar um sorriso acolhedor daquele... “vizinho”
Seguiria meu caminho distribuindo “bom dia” sem achar que o mundo acabou
O mundo certamente continuaria o mesmo

Se por amor eu me achasse uma mulher linda
Um ser encantador, inteligente, radiante
Um raio de sol
Um dos anéis de Saturno

Por esse amor
Que mal eu poderia causar a mim mesma?


by Val Costa Pinho