24 de janeiro de 2010

Além de nós

Ele se expõe,
É aceito numa linda canção,
Segue o horizonte
Ganha vida além de quem o pertence
Em meus olhos se espelha
A beleza em si, confunde o admirador
Acende a brasa em meu coração
Nasce uma paixão
Um casal além de nós
Meu olhar e o sorriso seu
Declaram-se no primeiro encontro
Conduzem os nossos corpos
Num enlaço primoroso

Ele se põe,
Enlaçado, segue o horizonte
Não se recolhe mais junto a solidão
Completa-se ao me tocar com os seus versos
Silencia ao ver serenamente refletir de minha retina
A verdade do meu coração

by Val Costa Pinho
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14 de janeiro de 2010

O vale das manhãs de sol


Olhares atentos à espreita de um caminho mais verdejante
Prostram-se imaculados em tua presença
A minha calma se perde em emoção por ver-te
Estas manhãs resplandecentes tão desejadas
Já não sei do mundo
Movimentos, nem atitudes

Palavras? Quais?
Se até mesmo a voz me falta
Algumas lágrimas embaraçam o meu contemplar, não se contém
Calada, a alma arrebatada guia os meus sentidos a fotografar o momento
Passa o dia e ficam em mim pensamentos d’um instante perpetuo
A sombra se faz e vou-me com a tua lembrança em meu ser

Não sou única a contemplar-te
Podo meu possesso querer
Amanhã ofertarei os meus olhos aos céus flamejantes
Entregarei minha ilusão à certeza
E darei as costas mais uma vez ao mundo
Prostrando-me a ti

by Val Costa Pinho

3 de janeiro de 2010

Voo Além

Voei entre arco-íris
Em florestas acaloradas me atirei
Sentia a brisa bater levemente em minha face abandonando o seu doce aroma como oferenda ao meu encanto
Voei sobre rios de águas claras
Vôos rasantes me banhavam a alma
Fui hóspede da natureza em dias de tempestade
Acampei em ninhos afáveis
Em minhas viagens, a cada parada, deixava um ser admirado
Agradeci a liberdade de existir

Fui cúmplice do amor
Quando em dias de serenata
O meu canto se misturava ao canto do ser apaixonado

Num dia sereno,
Ao me despedir do sol
À espera do encontro da lua com as estrelas
Fiéis companheiras desde o meu existir
Senti um perfume brotar por trás da árvore que me sustinha
Num solo fértil, a terra arada parecia abençoada
Um novo cenário se abriu aos meus olhos
Uma paz adentrou o meu ser
Como um pássaro rendido
Curvei-me àquela imagem

Em estado de graça,
Vesti-me de ternura
Agradeci a Deus por cada vôo
E cortei as minhas asas para viver o meu AMOR

by Val Costa Pinho

Por Amor...

Se por amor eu percebesse que, enquanto existir vida, sou um diamante Hope
Percebesse que para estar forte é preciso ser uma guardiã de mim mesma
Compreendesse que não adianta provar do mais puro néctar
Vestir-se em armadura de ouro
Calcar os pés com força sobre terrenos espessos
Se a todo o momento estou a apontar o passado como culpado pelo tempo perdido

Seria como provar o gosto do vento, estar desnuda em meio a uma tempestade de “lembranças em pó”

Se por amor eu resolvesse provar o fel de vez em quando
Lacerar as mãos colhendo espinhos ao invés de rosas
Andar com meus passos à frente dos meus pensamentos
Afrontar a mim mesma por permitir que fantasmas se tornem presentes

Se por amor eu partisse em busca de jardins sem encanto
Atravessasse rios em canoas sem pás
Esquecesse o significado de uma pá
Falasse para mim mesma que eu também posso errar

Se por amor eu me permitisse errar
Saber que antes mesmo de tal permissão, o erro já era um companheiro constante

Se me permitisse saber que todo erro é uma fonte
Toda fonte por mais seca que esteja
Oferece sempre uma nova perspectiva
E o novo é alimento para a alma
E se não houvesse comprovação de que fontes oferecem novas perspectivas?

Se por amor eu enfrentasse o que acho que sou
Dragões nunca existiram
Fadas também são bruxas
E o mundo não pode ser abraçado apenas por dois pequenos braços

E se eu me abraçasse de vez em quando
E se olhos alheios me intitulassem como uma louca
Para mim, eu sou louca?

Se por amor eu ignorasse o espelho antes de sair de casa
Comprasse uma roupa barata que me faz bem
Freqüentasse lugares sem nenhuma badalação
Esquecesse as legendas do meu dia-a-dia
E me rendesse apenas a minha vontade

Se por amor eu aprendesse a dizer não para o que eu realmente quero dizer não
Se ao final de um dia de nãos benditos eu me sentisse bem comigo mesma

Se por amor eu desse bom dia ao vizinho mal-humorado esperando um sorriso acolhedor
E como resposta ele simplesmente me ignorasse

Eu poderia experimentar ser a mesma mulher que saiu de casa querendo arrancar um sorriso acolhedor daquele... “vizinho”
Seguiria meu caminho distribuindo “bom dia” sem achar que o mundo acabou
O mundo certamente continuaria o mesmo

Se por amor eu me achasse uma mulher linda
Um ser encantador, inteligente, radiante
Um raio de sol
Um dos anéis de Saturno

Por esse amor
Que mal eu poderia causar a mim mesma?


by Val Costa Pinho