3 de janeiro de 2010

Por Amor...

Se por amor eu percebesse que, enquanto existir vida, sou um diamante Hope
Percebesse que para estar forte é preciso ser uma guardiã de mim mesma
Compreendesse que não adianta provar do mais puro néctar
Vestir-se em armadura de ouro
Calcar os pés com força sobre terrenos espessos
Se a todo o momento estou a apontar o passado como culpado pelo tempo perdido

Seria como provar o gosto do vento, estar desnuda em meio a uma tempestade de “lembranças em pó”

Se por amor eu resolvesse provar o fel de vez em quando
Lacerar as mãos colhendo espinhos ao invés de rosas
Andar com meus passos à frente dos meus pensamentos
Afrontar a mim mesma por permitir que fantasmas se tornem presentes

Se por amor eu partisse em busca de jardins sem encanto
Atravessasse rios em canoas sem pás
Esquecesse o significado de uma pá
Falasse para mim mesma que eu também posso errar

Se por amor eu me permitisse errar
Saber que antes mesmo de tal permissão, o erro já era um companheiro constante

Se me permitisse saber que todo erro é uma fonte
Toda fonte por mais seca que esteja
Oferece sempre uma nova perspectiva
E o novo é alimento para a alma
E se não houvesse comprovação de que fontes oferecem novas perspectivas?

Se por amor eu enfrentasse o que acho que sou
Dragões nunca existiram
Fadas também são bruxas
E o mundo não pode ser abraçado apenas por dois pequenos braços

E se eu me abraçasse de vez em quando
E se olhos alheios me intitulassem como uma louca
Para mim, eu sou louca?

Se por amor eu ignorasse o espelho antes de sair de casa
Comprasse uma roupa barata que me faz bem
Freqüentasse lugares sem nenhuma badalação
Esquecesse as legendas do meu dia-a-dia
E me rendesse apenas a minha vontade

Se por amor eu aprendesse a dizer não para o que eu realmente quero dizer não
Se ao final de um dia de nãos benditos eu me sentisse bem comigo mesma

Se por amor eu desse bom dia ao vizinho mal-humorado esperando um sorriso acolhedor
E como resposta ele simplesmente me ignorasse

Eu poderia experimentar ser a mesma mulher que saiu de casa querendo arrancar um sorriso acolhedor daquele... “vizinho”
Seguiria meu caminho distribuindo “bom dia” sem achar que o mundo acabou
O mundo certamente continuaria o mesmo

Se por amor eu me achasse uma mulher linda
Um ser encantador, inteligente, radiante
Um raio de sol
Um dos anéis de Saturno

Por esse amor
Que mal eu poderia causar a mim mesma?


by Val Costa Pinho