26 de fevereiro de 2010

Lacunas


Um observar que não é meu
Rodeia as minhas palavras contidas
Observa o véu que delicadamente encobre o meu rosto
De surpresa, se aproxima com interrogações
Atenta a minha reação

As palavras retornam inseguras
Incompletude
Ignora quem sou eu ou quem és tu
Então me dobra palavra solta

Traços e pontos abusam de mim,
Desejos se apresentam nas entrelinhas
Entre nós, tudo está suspenso
O véu, em meu rosto fica
Resguarda o que penso não conhecer
Até o próximo encontro...

by Val Costa Pinho

3 de fevereiro de 2010

Lado a lado

Se fosse ao meu lado
Tu desejarias ter dias mais longos
Viver acordando com os meus afagos
Acordar vivendo em meu “ser quem sou”

Se fosse ao teu lado
Desejaria eu, ter mais dias para olhar em teus olhos
Ter o prazer de ver o teu prazer com os meus afagos
Acordaria satisfazendo o “ser quem tu és”

Se lado a lado fosse o lado que desejo
Ah, o meu desejo
Ai de ti..."

by Val Costa Pinho

1 de fevereiro de 2010

Labirintos

Apertei o gatilho de minha memória
Um rastro de pólvora se formou
Um labirinto se abriu
A mente me conduzirá...

Ele olha profundamente nos meus olhos
Me sorri com doçura
Está sofrendo
Sinto a sua dor ao ver o seu corpo trêmulo
As suas vestes rasgadas
O seu suor misturado ao seu sangue

Mas, ele continua a me sorrir docilmente
Guardando a sua dor
Não deixando que aquele momento me condene ao ódio

Ele esta só,
Lutando por outros
Não consigo entender as suas escolhas
O seu olhar me expulsa daquele lugar fétido

O gatilho é disparado novamente
A mente me conduz a outro tempo

Onde estará aquele homem que me sorriu docilmente?
Eu não o vejo
Estou em meio a uma multidão de doentes,
Famintos, misturados a nobres
Prostitutas e castas caminhando lado a lado
Purificados, se vangloriando acima de pedestais de ouro
Abaixo deles, flagelados como aquele senhor de outrora

Aqueles a quem olho me devolvem um olhar frio e nebuloso
Procurando em mim algum benefício
Estou despida
Como companheira apenas minha consciência

Um ar escravizador me rodeia
Consigo sentir a essência desse lugar imundo
Volto os meus pensamentos para o senhor de sorriso acolhedor
Uma sensação de paz me toma e estou de volta ao meu tempo

Observo atentamente o meu mundo
Sãos os mesmos personagens
Os mesmos espíritos, cobertos com novos trajes
Nada é melhor, nada é pior

Em meu interior, uma semente se faz fruto
Fruto de alguém que estava, através da sua dor, tentando mudar o outro
Talvez eu nunca entenda o porquê de suas escolhas
Mas, seguramente, consigo entender o valor daquele sorriso

by Val Costa Pinho