1 de fevereiro de 2010

Labirintos

Apertei o gatilho de minha memória
Um rastro de pólvora se formou
Um labirinto se abriu
A mente me conduzirá...

Ele olha profundamente nos meus olhos
Me sorri com doçura
Está sofrendo
Sinto a sua dor ao ver o seu corpo trêmulo
As suas vestes rasgadas
O seu suor misturado ao seu sangue

Mas, ele continua a me sorrir docilmente
Guardando a sua dor
Não deixando que aquele momento me condene ao ódio

Ele esta só,
Lutando por outros
Não consigo entender as suas escolhas
O seu olhar me expulsa daquele lugar fétido

O gatilho é disparado novamente
A mente me conduz a outro tempo

Onde estará aquele homem que me sorriu docilmente?
Eu não o vejo
Estou em meio a uma multidão de doentes,
Famintos, misturados a nobres
Prostitutas e castas caminhando lado a lado
Purificados, se vangloriando acima de pedestais de ouro
Abaixo deles, flagelados como aquele senhor de outrora

Aqueles a quem olho me devolvem um olhar frio e nebuloso
Procurando em mim algum benefício
Estou despida
Como companheira apenas minha consciência

Um ar escravizador me rodeia
Consigo sentir a essência desse lugar imundo
Volto os meus pensamentos para o senhor de sorriso acolhedor
Uma sensação de paz me toma e estou de volta ao meu tempo

Observo atentamente o meu mundo
Sãos os mesmos personagens
Os mesmos espíritos, cobertos com novos trajes
Nada é melhor, nada é pior

Em meu interior, uma semente se faz fruto
Fruto de alguém que estava, através da sua dor, tentando mudar o outro
Talvez eu nunca entenda o porquê de suas escolhas
Mas, seguramente, consigo entender o valor daquele sorriso

by Val Costa Pinho