7 de maio de 2010

Um adeus

Sou fruto descendente
De várias árvores sou cria
No solo que vim ao mundo
Sou a história que semeei

Ali plantado foi
Por muito tempo meu retentor

Entre laços de união
Deram luz há uma flor
Flor de um fruto sonhador

Quantas vidas me puseram aqui
Quantas lágrimas me serviram de adubo

Muitos frutos
Vi secar
Quando ainda
Abotoava-me como incógnita
Num galho frágil e delicado

Eu não sequei
Tornei-me ternura
Fruto precioso
Afável sedutor

Protegido entre o calor de um sol punidor
E de tempestades enfurecidas
Eu cresci
Fui colhido e provado

As minhas sementes semeadas
Tornaram-me bosque
Regressei ao solo do meu criador

Uma falta aflora
Muitos se foram
Como muitos hão de partir

Esta noite
Dou adeus ao tronco-rei varonil
Mas,
Continuo a seguir
Renovando a minha morada

Até quando
Quem há de prever?
Sigo olhando a minha história
Aquela que semeei
Sigo olhando de perto um novo adeus
Há de nascer um jardim no lugar daquela árvore que a vida levou?


by Val Costa Pinho

10.04.2010+
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