30 de junho de 2010

Abrigo


O meu mais querido lugar
Lugar de minhas respostas
Onde o meu Deus habita
Os meus demônios pousam

As minhas lágrimas brotam como gotas de orvalho
Posso desenhar tempestades
Escrever ao som dos trovões
Alegrar-me com o sorriso dos lampejos

A minha paz se inventa em meio às minhas aflições
Posso inventar novas histórias
Consentir com candura o que não adiro

Meu silêncio
O meu mais querido lugar

A melhor das minhas glórias
A cura da minha não-adaptação
A qualquer coisa
Não há perdas

É minha unção passageira
Sem predicados
O meu conforto
A minha proteção

by Val Costa Pinho

28 de junho de 2010

Vontade


Perante a pele que queima
Teus olhos devoram
Minha boca há sede
Em meu corpo escorre
O suor me lava
Treme em mim desejo
De ser
Possuída pela mesma minha
Vontade em ti
Almas afins
Uma noite quente - A sós,
Aqui, apenas
Um sonho

E no frio de Junho
Acordo
Estou só!

by Val Costa Pinho

21 de junho de 2010

Pontos de Vista


Junto a mim
Caminham muitos olhares
De tempos em tempos fixam-se aos meus
Lançando-me pesares
Tudo é tão subjetivo...

É como se ao caminhar, as minhas queixas se soltassem de mim
Deixando pedidos de socorro pelas calçadas

Pontos de vista alheios
Suponho que sejam com bons intentos

Suponho

Entretanto, alheios ao que sou
Onde está a porta de saída?

Uma voz profetiza:
“Então a vida é assim, tem dois caminhos. Para ser alguma coisa escolha um”

Comigo?

Não faz a minha cabeça
Não dá certo
Eu sempre vejo três
Ou nenhum

E essa de ‘’ser alguma coisa’’
Escolher um?
Um?

(...)

O tempo está passando
Preciso ser alguma coisa
Que não seja alheia a mim

Preciso de um tempo
Preciso costurar os meus bolsos
Deixar de andar pelas calçadas

Tempo...

Tempo para trabalhar os meus próprios pontos de vista.

by Val Costa Pinho