30 de agosto de 2010

Não me há


Olha lá
Há um olhar
No ar há
Não me há

Só há
O olhar
A desviar

Ah, que pena
Lá não me há

by Val Costa Pinho

15 de agosto de 2010

Frágil


Chovia,
Como único cúmplice
Os fios de ouro

Abraço de anjo
Sarava o frio

De um roço acalanto
Surgiu a culpa

Pela maldade do mau julgamento,
A transformação

Inocência frágil
Tudo que toca e não é bom
Dói

O tempo se refaz
Então renasce
Outra luz a envolve

É proteção,
Passageira,
É ilusão

Mais tarde,
Um fado
Meteoro sem domínio

Pela falta, a fuga
Pela lembrança, a desordem.

by Val Costa Pinho

7 de agosto de 2010

O meu abraço de hoje

Sentir o frio agasalhar a pele,
Distraindo a mente da companhia dos ventos
Que guiam os passos em direção
Àquela antiga dor sem nome,
É o meu abraço de hoje

O frio que nutre meus espaços em abandono
Sensibiliza uma força doentia
Que sorve a quietude sombria
Dentro de mim

Faz nevar o pó das dores
Há tempos
Atidos num cenário sem visitantes

Brota de meus poros
Sendo levado pela sorte
Suspenso no infinito

O frio que agora se agarra às minhas entranhas
Pulsa fagulhas de luz a despertar a minha mente
Pronta para um novo abraço.

by Val Costa Pinho