24 de setembro de 2010

CONSTÂNCIA E O PERFUME DO SOFRER



Hoje,
Eu queria ludibriar os meus pensamentos a falar de flores
Seus cheiros e suas cores
Propor um pacto irreal com o tempo presente
Mas as curvas das folhas secas unidas ao chão
Retorcidas e amarelecidas,
Avivam sentidos avulsos, deslembrados, até então, em mim

É o valor consciente, indefinido, apaixonado pelos resquícios ignorados
São aqueles não contemplados, ressequidos e solitários
Unidos pela falta de aromas primaveris,
Que os meus olhos estão a seguir

Então esqueçam as orquídeas, rosas e lírios
E tantas outras que possam sorrir ao vê-los passar
Esperem a colheita dos seus corpos esmorecidos
Quando não mais a luz se fizer par

Ou se deixem ludibriar
Buscando perfumar o consciente
Contagiando o fosco inanimado que os dominam
Deleitando-se do “doce engano” que a vida proporciona
Em cada escolha
Em cada estação

by Val Costa Pinho