28 de janeiro de 2011

LEMBRANÇAS DE UM CAUSA’DOR



O que reina entre as intempéries de minh'alma?

As cores díspares guardadas na memória
Daqueles caminhos que avistei
Os cheiros da minha história
Cheiro de mato molhado
Flor do meu jardim
Das borboletas que inocente cacei

Trazia beleza ao meu dia,
E a sensação de outrora, da minha alegria,
Só eu sei

Cortes de lanças afiadas
Roubaram aquele sorriso infantil
Por muitas estações

Quem vê o que vejo de mim mesma?

Visões de um lugar que só eu sei
Um sofrer a dor que é só minha
Um tormento passado que passei

São lembranças escritas em páginas úmidas
O olhar da criança em mim
Que lá deixei

Que volta em silêncio
Na espreita de um momento
Pra me proteger de lugares que antes andei

O que reina nas águas calmas de minh'alma?

As cores em sintonia com o equilíbrio que alcancei,
Dos caminhos onde há escolhas
Onde sou o rei

Cheiro de uma nova história
De um novo jardim
Onde as borboletas em liberdade
Voejam a encantar com a sua beleza
Trazendo em mim a inocência que na tormenta, deixei

E a sensação ao olhar as minhas cicatrizes
Ao pensar um tempo que não volta mais,
Nem me dói tanto assim

E hoje, quem vê o que vejo de mim mesma
Nota o tanto de criança em mim que guardei
Daquela que abre os braços
E volta em sorrisos
A me mostrar que onde houve dor
Momentos de amor, também vivenciei

Existindo entre tempestades ou águas calmas
O que eu pude aprender pela dor
E o quanto de mim, estou a alcançar pelo amor que ficou
Tornou-me aprendiz de uma vida, cujo destino cabe a mim escrever

E onde estou?
Só eu sei

by Val Costa Pinho