12 de abril de 2011

Criador e criatura




Os braços abertos para Ti
Refletindo a minha satisfação
Buscava "vida" em minha criação


Como me moldar diante de Ti?

Era a minha agonia, minha consumição


E tudo que eu via
Retido em teus olhos
Tinha melancolia e dor

E nessa imagem eu ia
Formando-me como ser sem guia,
Forjada nesse ser embotado
Porém, bom pastor

Meu frio acobertado seria
Eu sei que me sorria

E tudo o que eu via
Vinha pra mim
Mesmo quando tu ias
Fingindo que nada sentias
Que de imaginário eu não seria
A causa do teu amor

E tudo que eu queria
Para além do seu desejo
Seria
Ser símbolo de tua cria
Concebida em alegria
Distante de teu "senhor"

Fui símbolo do teu vazio
Tua falta, teu clamor
Me fiz um objeto direto
Sem saber um incompleto

E hoje o que sei
Decerto
No tempo que nada é certo
Só certo é o meu grande amor!

by Val Costa Pinho


2 de abril de 2011

O gozo da desejosa



Ante os olhos meus que te comem
Tu me devoras e traças

Ante a boca minha que te suga
Tu me mordes e mascas

Os dedos meus que se nutrem
Tu envolves e gastas

Gemidos meus que sucumbem
Os teus diante os meus, ultrapassam

Nesses corpos nús que se unem
Tu e eu, fogo e brasa

Um meu e teu que se funde
Nesse nós que goza e mata

by Val Costa Pinho