30 de dezembro de 2012

2013: Feliz Ano Novo!



Ano Novo, momento de boas-vindas, de abrir as portas para o novo desconhecido; momento também de despedidas; perdas e ganhos; boas e más lembranças. 2012 fecha as portas. E lá vamos nós seguir com a sensação de que tudo é novo de novo. E não é?

Eu - sigo em frente com algumas cicatrizes, marcas de aprendiz das experiências que eu escolhi e me permiti viver. “Amadurecimento” é o sinônimo maior do meu estado de ser em 2012. O amadurecimento trouxe/traz consigo bons frutos e, para que os bons se multipliquem, fico na torcida para que no vindouro ano, o meu estado de ser me permita arriscar mais, ousar mais e me despir diante do olhar alheio - sem culpas, medos, receios...

Quero apenas passar com algum nível de transparência que não me faça invisível, certo estado de leveza que não me faça voar e excessiva educação (nunca é demais), sem esquecer da elegância do comportamento e amabilidade com aqueles que tocam o meu coração...

“Ontem”, ainda recordo, comemorava-se o ano de 2000 - doze anos se passaram - amanhã celebraremos a chegada do jovem 2013, que logo se tornará um Senhor...

Passagens, elas demonstram que no tempo todos os caminhos levam a um fim, o que não deixa de ser sempre um começo. Ainda, tudo é passageiro, efêmero e jaz...

Então é isso! Desejo para a boa gente "Feliz Tudo"! Que tudo termine e comece bem, e que a força maior que existe no mundo de cada um, aparte os obstáculos que buscam azucrinar o bom estado de espírito e bem viver... Assim Seja!
Feliz Ano Novo!

by Val

17 de dezembro de 2012

Um adendo...

Alguns programas estão documentando matérias sobre o grande número de famílias que vêm sendo despejadas dos centros urbanos (usuários de drogas, moradores de rua, moradores de cortiços e prédios antigos, entre outros). Essa expurgação acelerada, ocasiona uma sensação de segurança na sociedade. Porém, existem questões que estão além da busca pelo bem do povo. Os “pobres, feios e marginalizados” deixam livres os espaços físicos, propícios para investimentos na área de turismo, hotelaria, etc. Muitos dos meios de comunicação demonstram que as causas para essa “limpeza social” giram em torno dos programas de revitalização adotados pelo governo. Contudo, suponho que o "país" já começa a projetar o grande carnaval das alegorias e maquiagens e do esconde-esconde para que a grande festa se inicie... Em lugar de Copa do Mundo e outros eventos esportivos de destaque mundial, não têm espaço para os “miseráveis”. A curiosidade está em saber para onde estão despachando esses seres humanos...



by Val
Imagem: Cláudio Roberto

13 de dezembro de 2012

12 de dezembro de 2012

Nós de meu “a gente“



... a princípio, incomoda esse “a gente” que se enquadra em “nós”, pronome que torna plural as minhas ações, como se elas não fossem particulares, restritas à minha filosofia de vida. A propósito, a filosofia surgiu, felizmente, para nos libertar dos “nós” hierárquicos que impossibilitavam de nos expressar de acordo com as nossas elaborações.
Elaborar o quê? Se em nós mesmos, havia cadeados à porta dos sentimentos. Desse modo, como poderíamos pensar? Percebo que estou voltando, quando não deveria nem ter partido.
Agora! Isso é atual, chocalha em nossos ouvidos por todos os meios de comunicação. Limitados a gostar de, comprar o/a, aceitar isso, desfazer daquilo e ser feliz. Não demonstrar tristeza e fraqueza faz “a gente” se tornar bem-aventurado. Inúmeros estudos elucidam textos atraentes sobre a sociedade consumista, do aqui-agora, compulsiva - eu quero, é meu, é o que me satisfaz - assim também, como todo aquele emaranhado medicamentoso que me faz dormir quando eu sinto dor e sorrir quando eu quero chorar...
Eu, com o perdão da individualização, percebo que as correntes de pensamento que comungam contra a desqualificação do sujeito, também o desqualifica, à medida que impõe sutilmente uma forma de desejar, “um desejo comum a todos”. Se aos trinta anos de idade eu não casei ainda, provavelmente eu tenho alguma questão edípica, existencial, comportamental, financeira, sexual, religiosa, mal resolvida; Se quero ser mãe solteira, alimento apego e demasiado amor aos meus genitores, há algo errado; Se não sou socialmente comunicativa, expressiva e extrovertida, tenho que ser posta numa cadeia de exercícios mentais e físicos, tenho que me adaptar, ser contra a minha natureza, o meu próprio desejo; Se estou acima do peso, devo conhecer a fome, a anemia e os meus ossos... Então me pergunto, por que existem antônimos? Seria apenas para bater face um espelho e saltar por cima de nós para o canto de um quarto escuro e desaparecer?
A cabeça que não é da gente quer nos fazer anjos, palhaços, “paraísos artificiais”. Estamos num grande baile de fantasia, usamos máscaras para lidarmos com o cotidiano que nem temos o direito de escolher. O mundo cheio de significações, fica limitado aos significantes de uma minoria pseudo-guia-intelectual, que não aceita idéias pautadas no livre-ser que adoece, entristece, chora, se queixa, e, mesmo assim, é capaz de ser feliz dentro de sua própria filosofia... Ajude-nos por favor a conseguirmos lidar com o nosso livre-ser.
O livre-ser que não tem a cara do “emotion smile”, sorrir nas pausas do seu natural descontentamento sobre a vida, essa grande interrogação sustentada por um ponto que em breve será final para todos.
Se a insatisfação é inerente ao ser, se a busca será eterna mesmo que eu não saiba o que esteja procurando, por que temos que ser “a gente” quando queremos ser apenas um “eu”... Tenho tentando me considerar imperfeita, inacabada, vazia, porém preenchida de significantes que são meus: A minha cadeira rosa ferrugem, as minhas meias algodão do pé, o meu colchão de nuvens, o meu braço amigo e o meu “te amo” perfeito e cheio de luz; as minhas quedas num chão de borracha que apaga qualquer dor que insista em ficar, o cheiro de azul, o frio do calor tardio – Tudo isso pode ter um significado para “a gente”, mas só eu sei do meu e o que me faz ser assim diante de tantos rótulos e imposições a favor do extermínio de uma individualidade que - ainda que tremule e insista em ser “a gente” – é, acima de tudo, divina, livre-ser-arbitrária e só...
         Cá pra nós, quando a gente vai se adaptar?

by Val Costa Pinho

7 de dezembro de 2012

Labirintos sensíveis


Estou com sintomas estranhos ao meu controle
De tanto tentar moldar o mundo à minha volta
Ele se cansou e agora vive em mim
Possui as minhas vistas e percepções
Tudo gira com mais intensidade

Ainda não aprendi a cirandar
Entonteço e tropeço em meus pensamentos
Dias difíceis são esses,
De levantar

Serei tonta nesse mundo girante?

Se ao menos eu soubesse dançar

Começo a pensar que tamanha tontura
É o mundo convidando o meu corpo a bailar

Lá vem ela!
É hora de saber onde esse labirinto-salão vai dar
Solta o som DJ Orbe


by Val Costa Pinho
Fotografia - Ale Rielo

6 de dezembro de 2012

Cântico humanalesco



O homem chora, 
A seca suplantou as suas lágrimas
A ordem do que fora posto em seus ideais 
Nas fraturas da terra dura se atirou
Cresce o homem das lágrimas
Parte com sua lástima
Sem ter dos ventos o acordo que se firmou 
Desde que o tempo não permitia mais o incesto
E a dor crescia em seu peito
E o amor e o desejo era perturbador
E essa busca pela pureza encontrou barreiras 
E elas por elas eram todas iguais 
Era espelho e mais
Mais e mais vidas herdeiras
Hospedeiras
Dos iguais
E os cárceres libertos
Dito e certo em atos desleais
Foram aumentando seus crimes
Suas injurias e angústias e mais
Tendo como a vida
O desacerto
E hoje, existe a certeza de quem são os animais?
As marcas do tempo anunciam que cavalos ainda possuem virtudes ...

by Val Costa Pinho 

28 de novembro de 2012

Arte-consequência


Eis ela
Falta, excesso
Contradição

Ora existe,
Ora não

Eis ela
Oração
Excelência
Negação

Uma assialia
Outro sacia ali

Eis a arte-consequência
Constituída na interseção de todos os fundamentos teóricos
formados acerca de si.

by Val Costa Pinho
Fotografia: Klaus Kampert

26 de novembro de 2012

Ambições x ambições


E no desenrolar de uma conversa entre o Senhor V. e eu...
Lanço uma fala com poucas pretensões: "Existem ambições e ambições".

Qual a sua ambição? - pergunta o Senhor V.
- A minha? Continuar vivendo. - respondo.

Isso é ambição?
- Talvez eu lhe faça a mesma pergunta ao ouvi-lo falar da sua, Senhor! A minha mente inquieta, me fez pensar sobre um peixe.

Um peixe?
- Sim. Um desses peixes servidos à mesa...

Não entendo! Que um peixe tem a ver com ambição?
- Nada. São embaraços, o Senhor me entende? Tem os seus? No momento em que lhe faço esta pergunta, penso sobre o fato deste “nada” ser conjugado. Se ele seguisse nadando, não estaria sendo servido à mesa, o que acha?

Mas peixes, igualmente aos humanos, sentem fome. Ser fisgado é uma conseqüência... Confesso que fiquei curioso com o peixe ambicioso. Conte-me, o que se passa em sua mente inquieta?
- Antes de ser fisgado, ele sempre encontrou meios de se alimentar. Eu não tenho nada contra a sua ambição em devorar iscas, hoje elas são tão modernas e atraentes. Que peixe não se deixaria levar por essas armadilhas, não é mesmo? Mas, eu no lugar dele, continuaria nadando.

Acho que entendi. O peixe deve continuar vivendo, e para que isso aconteça, é preciso se desprover de ambições, estou certo?
- Não se trata de estar certo ou errado, nem mesmo abandonar suas ambições. O peixe fisgou meus pensamentos, talvez pela necessidade deste momento, ou seja, satisfazer a minha fome e se não fosse o peixe ambicioso, como eu poderia me deliciar com o seu sabor, não é verdade? Já passa do meio-dia, se o Senhor refizesse a sua pergunta inicial, eu certamente responderia: “comer e continuar vivendo”. Diga- me, qual a sua ambição?

A minha ambição talvez seja a de atingir a glória. - responde o Senho V.

- Por que “talvez”? Ainda tem dúvida, Senhor? E desculpe a minha ironia, mas o Senhor tem mesmo que atingir a glória, o que ela lhe fez de tão mal?

Mocinha! Atingir, tocar, afetar... você ainda tem muito que aprender com a vida. Noutro momento continuaremos com a nossa conversa, a sua necessidade de fome me contagiou, preciso forrar o estômago e voltar ao trabalho. E você, vai fazer o quê?
- Torcer para que o Senhor não seja fisgado e servido à mesa do mundo. Olha, desculpe a minha audácia, concordo que ainda tenho muito que aprender... Porém, penso que no decorrer de sua vida, lá na frente do tempo que marca o hoje, talvez entenda um pouco sobre a minha ambição. Ela não é melhor, nem pior que a sua... Até logo, Tenha uma Boa Tarde!

- E o Senhor se foi, acompanhado pela pressa, cruzando o imenso oceano da vida.- 

Glória!
Glória não seria a própria vida?
Por que será que ele quer atingi-la, afetá-la, tocá-la?
Não lhe basta vivê-la?

O homem e os seus significados!
Eu e essa falta de entendimento,
O peixe e eu...
Será a minha ambição algo tão reles?

Qual será a ambição do garçom?
Garçom,
Sirva-me um salmão marinado com gengibre, por favor!
...

by Val Costa Pinho

20 de novembro de 2012

Balzaca


Balzaca, és tu mulher?
- Eu mesma
Estranhamente desconcertada frente ao espelho

Quem te ver não acredita!
O que está acontecendo, Peter Pan sumiu ou se perdeste dele?

Cadê  a graça da menina-mulher
As músicas que faziam, esquisitadamente, o teu dançar manar
A imaturidade disfarçada que deixava um mar de graça a ser solto por ondas de gargalhadas?

Balzaca, és tu mulher?
- Eu mesma
Arrasada e sem respostas para lhe oferecer

Quem eras tu!
Por que tanta preocupação com um cravo?
Tu és o próprio cravo, flor
Formosura,
Tás aí a se avelhantar

Teu cheiro nem é mais o mesmo
Por que colônia tão cara?
Quem te enfeitiçou, retirou tua magia...

Por que tu me deixaste presa ao espelho?
Sou a que te sorrir e só quero te fazer acreditar
Que Balzaca és
Mas ainda pode brincar,
Sorrir, gargalhar
Cair e levantar
Cantar e errar
Viver e errar

Ressuscita esta criança levada
E deixa, sem medos, ela te levar

- Ó Criança, és tu?
Eu mesma, Balzaca
Pintando e bordando frente ao espelho
Que usaste para me chamar...

 Estou sujeita a ti,
Sobreviverei
?


by Val Costa Pinho

18 de novembro de 2012

Vinho e cristais



Hoje eu não quero tocá-lo
Não sentirei o gosto de ti
Os teus pés, 

Por ora, em cristal
Ficarão onde estão

E os fios que levam ao côncavo de onde me espera
Essa coisa que inebria
Tocará apenas a ilusão a pontear
Em minha língua o teu doce sabor

Quer o desejo lúcido,
Apenas olhar-te
Em lugar de possuí-lo

E assim,
Quer este mesmo desejo,
Ver-te alcançar o valor do tempo

Se por destino perseverares
Ficarás mais espesso
- É certo asseverar

Todavia, seduzirás um paladar mais refinado

E tenhas fé

Os teus pés, ainda que seja doutro cristal,
Serão bem tratados e
O teu sabor mais bem sorvido

Assim me diz tal sã consciência que
Renuncia ao fadado gosto efêmero
Ao passo que se apressa a
Apurar o meu paladar

by Val Costa Pinho
Imagem: 
Francine Van Hove

12 de novembro de 2012

Apenas falo


Ando desconfiada...
Falo do tipo de andar que se completa na inércia
Alguns até sentam no sofá assistindo a vida passar

Tem vida que se imagina em tela projetada
Em traços típicos que fumaçam ideais
Fantasia nossa de cada dia

E se não vive os seus ais
Oh, dó!

É como panela de pressão
Tem gente que não usa por medo de explosão
Mas quando come do seu resultado, se lambuza

De ais vem a boa morte
Falo do tipo que não se vai e se completa nalgum lugar por aqui mesmo
E por não falar em fantasia, ela se revelou...

Mas o que eu queria mesmo era tocar na paz
Dessas, do tipo intenso, que para os mais vigilantes ·é mau presságio·
Dizem que é falta de fé

Será que alguém já viu uma panela de pressão estourar?
Diante do que, momentos antes, era paz
-É muita pressão pra pouca panela...
E essa intensidade é desassossego

Eu bem sei desses vigilantes
Ouvi falar aqui, de dentro pra fora

Coisa de quem fecha os olhos pra sentir o silêncio límpido
E a fragrância do tempo sem projetos, sem nada
Do tempo da indolência do olhar, se me permite assim dizer
Cansado das telas, que entre tantos dizeres, não dizem nada
E por querer assim estar, 
Pulam de dentro da massa de ideias, monstros de dentes afiados e olhos esbugalhados

Não entendo suas cabeças disformes e
Por que são tão grandes?
E por que muitos e eu, não entendemos o que eles falam?
Alguns babam,
-E se “nos” não for inadequado, se me permite assim dizer-
Só querem nos comer

E por falar em fantasia...
Paz, aqui jaz.

by Val Costa Pinho
Imagem: Tom Gauld

9 de novembro de 2012

Atos




Às repetições do meu bom-dia...
Em meio ao tempo que corta sem sujar roupas
As repetições acompanham comportamentos
O dote é caro para quem as cortejam
Paga-se com a própria vida...

Não sei por que escrevo, mas o meu ato de escrever é ato de repetição de quem escreve desde que letra é letra e serve para alinhar a vida fora do papel
E fora do papel vivem todos que aqui estão
Por que se tudo é repetição e, por entendimento de palavra, cópia
Creio estar correta sobre parca afirmação

E Deus que já escrevia certo em linhas tortas,
Talvez tenha me feito assim também, nos mesmos moldes
Por isso, insistindo no talvez, eu não consiga encontrar caminhos para descansar
Não é o que parece... Nada de epitáfios - não neste texto

O meu desejo é continuar a busca pelo que não é repetição
Mesmo sabendo que o encontro será com o impossível
Deixo-me ir, é divertido
Faz sentido...
Em teoria, não se sabe o que se busca, não é mesmo?
É um tal jogo de faltas, que bem poderia ser flautas
Canção, unção e ponto final.

Depois do ponto final que melhor seria se fosse reticências,
Pensei - pois eu penso - que as repetições só acontecem quando postas em palavras
A ação é cópia, mas a forma como eu ajo usando a ação é particular
Aquele fio de cabelo que cai devido a falta de vitamina A, no momento de...
A gagueira seguida de chá de “sumiu a minha voz”, na hora de...
Talvez me faça pensar, equivocadamente, assim

Mas, alguém que não me ver acordar de mau-humor, como quem deseja que a noite próxima, caia por cima das cabeças que me dirigem palavras matinais sem antes me acarinhar - estou certa que há, de nalgum lugar, repetir esse despautério

Então nesse mesmo escrito
Contradigo e prossigo com as repetições para não sair do contexto
Mas penso, com direito a balãozinho suspenso no ar:
 “Como se a vida fosse contextual do lado de dentro - Até parece”

Todavia - ninguém via que a vida era uma via - eu estou dentro dessa “vibe”
Odeio esses termos
Embora jovial, não me adapto, não tem jeito
Já vivo caindo nas linhas tortas
Que, com todo respeito
Agradeço ao Senhor

Mas cair numa adaptação grotesca e vazia
Isso é só um modo de repetir as minhas falhas
E eu rio porque é o que me resta
Mesmo sabendo que chorar proporciona o mesmo prazer
Todavia - ninguém via que a vida era uma via - no momento rio, porque lembrei do David (da Anne Holm) que não ria

Tadinho
Antes de sentir ares de liberdade, ao fugir do campo de concentração
Ele era cópia do sofrimento em forma de cão, digo - em forma de gente,
Mais logo conheceu o próprio sorriso. Lembrei,
Então resolvi rir, igualzinha a ele
Ou seja, repetindo o seu ato de esboçar boa emoção e, por conseqüência, exercitar os músculos de minha face (o mais sem graça possível).

Há uma fuga catastrófica do contexto, ou não. (com direito a piscadelas)

Propositadamente, suponho que eu tenha feito isso para finalizar o texto
Pois quero dormir
Será que amanhã acordarei de mau-humor
?
Se ninguém me acarinhar e chamar de amor,
Eis a sentença já manifestada: Sim.

Pois estou nessa... é a tal demanda de amor
Por conseqüência, repete-se a vida
Em comportamento (mesmo que me falte a vitamina A),
Em palavras e suas cópias


E o que é isso nada?  Ops! E o que é isso tudo? – pergunta a voz da consciência
A mesma voz, dessa vez fingindo não ser a mesma, responde - Como saberei? Não sou eu quem escreve certo por linhas tortas...

by Val Costa Pinho

5 de novembro de 2012

À vida



Do imponderável
Sabe-se do céu
Da loucura
E candura de levantar
E perceber-se estrela
A ruína de qualquer escuridão

Sabe-se do mar
O que principia a sua primeira tormenta (?)
Do louvor e leveza de flutuar
E consentir-se peixe
Provisão divina, sinal secreto
Além-mar

Sabe-se de tanto que não se daria
Aqui a declarar

Onde pisas
Até onde possas chegar
Da distância
Entre vida e morte
Sabe-se o quê?
Resta-se o quê?
Senão apenas, caminhar 

Deixa-se viver
Saber-se de nada, esse
Tudo ornado de sentidos tidos por cima de tidos
Ser-se fingidor,
Amante das palavras que fazem de ti
Pérvio, ademais
Único como cada estrela e peixe a existir


by Val Costa Pinho
Imagem: Vladimir Kush

1 de novembro de 2012

Sustentação


O que seria de minha feliz cidade
Se não houvesse uma atriz 
Tesa de desejos
Uma canção sedutora e um ator pujante
Juiz e jurado, rendido às curvas das avenidas
Porém cônscio, quando chamado
A ser lei diante do seio amado?


by Val Costa Pinho

31 de outubro de 2012

Ó poeminha




Ó poeminha, 
Caminha, 
Caminha 
Já é noitinha 
Deix'eu sonhar

Ó poeminha
Corre, depressa
Não é receio
De a noite ao ir
Deixar meus sonhos
Nalgum Lugar

Pois sou a dos sonhos
De tu também
Perto do sol ou do luar
 
É que me vem o primeiro bocejo
Deita poeminha
Caminha quentinha

Deix'eu sonhar

Valha-me sorte
De serdes o próprio sonho
o meu poemar


by Val Costa Pinho
Imagem: Silvi Hei Ilustraciones




29 de outubro de 2012

Entre o Céu e o Chão, Acordos.


Hoje a curvatura das minhas costas faz com que os meus olhos observem o chão mais adjacente à escuridão que salta dos meus desatinos vivenciais,
Faz com que o travesseiro dos meus lamentos seja os meus joelhos
Porém, diante da repetição de dias encurvados
Mais tarde, quando, diante do obscuro dia, as pedrinhas de areia
Deixarem de ser o único brilho a esperançar a minha espera pelo avesso de mim
A consciência me alertará sobre uma sempre escuridão
Que ao vingar, traz aos céus um brilho intenso,
Capaz de desvirtuar pensamentos penosos e devastadores
Deixando que o auto-julgo se volte para onde estiver luz
Que as minhas costas retomem a sua flexão “habitual”,
Comum aos dias de repetição que fazem valer a pena caminhar.
É assim, entre o céu e o chão, 
Acordos entre a Vida e Eu.


by Val Costa Pinho

(Expressão "faz com que" , de acordo com Prof. Cláudio Moreno "...escolha livre, aprovada pela tradição culta ao longo dos séculos")

26 de outubro de 2012

Querido Johann


Neste momento, todo o meu mundo parece caber dentro de uma canção. Uma mão me convida a sentar-se no alto de uma montanha solitária, de onde, abaixo, se avista uma orquestra de pássaros humanos e uma plêiade de sentimentos, que refletem a luz do Criador. Creio eu, ser o seu poder de fazer o meu silêncio cantar.
Dança vivificante, faz o meu coração. Sensação de ter experimentado um chá de encanto que serena a alma e faz planar sem precisar nascer noutro lugar.
Senhor Johann, há tempos eu não me atirava ao fulgor entontecido, sem correntes de embriaguez etílica. É linda essa mágica de sons sóbrios e diáfanos, que ao entrar pelas frestas de minh’alma, posta fora todas as minhas fadas fantasias. Há quem diga: “eis uma cidadela de dementes circundando a razão desta mulher insossa”.
Mas que luta hei de travar, se onde dói mais não está em mim?
Devo apenas respirar o ar da montanha, pois logo abrirei os meus olhos. Sei que o avesso do real é a casa do meu existir. Do mesmo modo, sei que ao abrir os olhos, tenho cortinas com janelas abertas e elas dançam.
Eu devo sentir culpa porque elas dançam?
Acho mágico vê-las se abrindo como véus, deixando a luz do dia entrar e nascer em mim. E como essa linda canção, eu sempre poderei ser - nesse mundo de realidades afanosas e débeis - maior. Em mim, sempre maior. Assim como a sua inspiração ao criar “Canon in D major”.

Querido Johann, obrigada pelo adorável momento.

Valéria

by Val Costa Pinho
Escutando: 
Johann Pachelbel - Canon in D major
Imagem
http://www.shutterstock.com

24 de outubro de 2012

Outros, mesmos eus!



Estranho este ser tão particular
Ser sendo, vivendo, humano

O falante, o que cala?
E no silêncio, o que fala?

Trovões que não só o atinge
Contra, porém, ética transferência de um par
Efêmera presença, movimento
Sustent(ação)

E o que olha, onde estará?
Existe ali para si?

Encontro ou fardo
É ser

Entre erros e acertos tão existenciais
Estranho este ser se não aqui.

by Val Costa Pinho
Imagem: Vladimir Kush



13 de outubro de 2012

Lar


Sê-la 
 - Sei lá
Será?
 - Cela
Sei, lar!

by Val







11 de outubro de 2012

Urgências



Olhares por cima dos muros que criaste
Atenta à atenção do forasteiro observador
Que tonto fica nessa multidão de dor, diante do horror que encobre as nuvens que sobrevoam por ali?
Um pedido de socorro alivia a tensão de quem só deseja ajudar
Sabe o observador que a sua própria ansiedade o assola
Mas sabe também que sob o alívio existem outros tantos com fome de amparo
Mas, diante do cotidiano dissabor do que se escuta entre as janelas do doce-amargo lar, não há o que dizer, então como há de socorrer?
Ouvires que passa o tempo, alguns muros perdem sua força, se tornam úmidos e querem se transformar,
Talvez edifício ou espaço para um lindo jardim depois de sumir, e assim espera o forasteiro colher as flores que hão de nascer ou caminhar pelos vãos edificados de uma alma desamparada que só quer ser usada para se curar de sua dor... 
Eis multidão e observador!

By Val.

27 de setembro de 2012

O Fim, Um Começo

Texto: Val Costa Pinho
Imagem: www.tumblr.com

16 de setembro de 2012

Esquecidos


Eles estão fatigados, 
Querem gritar – serem ouvidos em seus clamores 
Falar de dor, de faltas – de quem lhes falta 
No tocante do desespero, se excitam e zombam do próprio semblante 

Eles estão esquecidos, 
Empobrecidos e doídos 
E este “agudo acento” que os diferenciam dos, tidos por eles, loucos 
Está se desgastando na ferrugem que o tempo vai deixando em seus corpos, suas fechaduras, cadeados e lados – quer de dentro ou de fora 
O desgosto vai guardando as palavras, os “brados retumbantes” e as forças restantes 

Os dias, 
Carregados se vão 
Sem que uma alma acolhedora venha lhes sorrir ou apenas escutar, ajudar, escutar, cuidar...

by Val 

Breve Diálogo


O amor perguntou para a força: "De onde vens?".
"De você" - respondeu a força!


by Val.

Caminho


- E neste silêncio caminha a vida e vem trazendo caminhos vindos de vindas antevistas que ajuízo: 
Hei de caminhar... 
by Val

Sem cabimento




Já não cabe em mim espaço para “megalocoisificações”.
Falo dessas “sociomultialienais”,
Estou dando o primeiro passo,
Sei que há para a vaidade um grande espaço, mas o incômodo do mundo afora, hoje se transforma no meu maior cômodo, ocupando assim, as minhas lacunas, traços, laços... 
São novas necessidades; o novo, inundado de urgências existenciais que – no momento – é o meu “néctar”.
Hoje e adiante, ainda que possua várias associações com os muitos “ontens”, de alguma forma, está mudado, maturado.
Pode ser que estacione – à beira de um precipício – esse meu início, mas sendo meu, devo respeitá-lo, abraçá-lo e vivê-lo.
Sendo assim, para melhor prognóstico, devo ocupar – com as pequenas e prazerosas recompensas vivenciais do meu primeiro passo – a sufocante e viciosa “megalocoisa”, seu espaço e – sobretudo – as suas conexões. 
Avante!

by Val


1 de setembro de 2012

Sexo



É quando os meus desejos mais primitivos e institivos tomam de assalto o pudor e os seus comparsas, causando uma sensação de impunidade em suas ações, irrompendo cárceres e deixando que o meu corpo exercite o seu livre-arbítrio descobrindo como é gostoso ser livre por alguns instantes. 

by Val

30 de agosto de 2012

Mentira



Na coroa, doce
Na cara, foice

No olhar, esconderijo
Foge como fosse
Das veias até a raiz

Se não há corte
Há reprodução

Nasce em Maria
Nasce em João

É delicada pra matar a fome
No poder é escancarada e ultrajante
Gás carbonizante

É petulante quando contribuinte
Dos pecados endiabrados
Dos alienados

É viril, maliciadora
É veneno e quando sem mando
É morte
É sorte
Do hospedeiro, é o norte

Expressão em ação que na palma da mão
Encontra egressão

Na coroa, vida
Na cara, prisão

Mentira,
Doce foice
Dilacerante de corações



by Val






Gosto do Ser




Gosto do ser inteligente distraído; Criador de sorrisos agradáveis diante de palavras propositadamente desconexas, porém, reflexivas... Gosto dos atos falhos, das falhas e tropeços no meio da multidão e do nada aparente. Dos olhares distantes, perdidos, porém vigilantes! Os que parecem indolentes, desleixados; Em grupo, são os mais calados... Apaixono-me por quem consegue traçar imagens quase vivas diante de uma parede fria e mofada. Muro, mundo, tudo... Suas emoções não precisam ser abalos sísmicos, seus abalos não precisam desmoronar sobre o próximo. Exceto se - quando distraído - sacode a poeira para todos os lados deixando em nossos olhos a sua própria emoção incrustada nessas coisas que chamam de cisco - É certo que uns incomodam. No entanto, outros com delicadeza, saem cingidos por lágrimas e pronto, acabou a tempestade e podemos continuar juntos... Gosto de quem cria desertos teóricos, todavia considera que um grão de areia é capaz de fazer desconstruir quaisquer desertos e construir castelos, mulheres de areia e coisa e tal. Gosto dos que passeiam sozinhos em seus dromedários e corcovas textuais sem imposições; Quem, quando necessário, aponta erros de forma descontraída ou não havendo porquês, simplesmente se cala e não aponta, mas sim, pontua e apetece, tece... Tenho atração pelos que não tem apego a verdades absolutas e padrões fixos, embora, como ímã – atraio também  os contrários e vou me dando bem... Vejo beleza no sarcasmo despretensioso, na ironia descabida; Beleza na beleza fina, educada, gentil; Aquele ser meio anjo-réu. Ai, ai, amo o arquiteto do invisível, com seus traços (im)perfeitos, suas construções inacabadas e as suas instalações que causam curto em mim. Ouvi dizer que eu gosto do que não existe. Mas o que seria “do que não existe” se todos desistissem de procurar? 


by Val