17 de janeiro de 2012

Subliminar, sem você



 É,  “nobody said it was easy”?
E deste lugar que me encontro agora, observo:

Um prendedor de cabelos em cima de um estojo de maquiagens que eu nem sei usar,
Um rolo de fita colante por cima de fios desconectados
Um molho de chaves preso entre caixinhas de som
E a música termina com suaves bramidos e se repete novamente

“Nobody Said it was easy”
Ficar sem você?

Daqui, tudo parece subliminar...
O que eu quero prender, o que não sei usar?
O que deveria ser colado, conectado?
Por que o que poderia abrir caminhos está unido ao que causa barulho e agonia?
O que causa estes pequenos sons que só se repetem?

Na parte de cima, os meus olhos miram os CDs que estão criando uma camada áspera e estranha,
Em cima deles um coração, um desses porta-coisas que guardam miudezas, fazendo com que elas não se percam por aí, 
Ainda assim, elas se perdem...

Por trás de mim,
Um lençol enrolado e um travesseiro solitário
Um papel de bombom no canto acompanhando uma bíblia
E do espelho empoeirado
Eu vejo você
E mais uma vez a música termina e recomeça

De onde vem tanta estranheza?
O que faz um coração estar tão alto e ainda assim, sentir-se “assim, assim”?
Por que me tenho tão pequena em mim?
Onde estou, por que não me acho?
Vejo que o enrolado sempre se torna solitário...
Por que não encontro a doce lembrança de nossas orações?
Por que na poeira eu só vejo você?
Seria eu a própria poeira?

Em meio a alguns livros, um título desponta em meus olhos “Laços Eternos”.
Mais à direita a cor verde de um "Nietzsche" sobressai,
Parece querer cair por cima dos óculos escuros postos na escrivaninha, “Vontade de potência - parte um”
Só me resta um sorriso e mil vontades,
Volto a atenção para a música e ironicamente ela diz: 
“Oh let's go back to the start”

As mensagens do que não posso ver ainda ecoam por aqui
Quem rompeu o que nos prendia?
De onde vem a escuridão que me proíbe de ir ao encontro das minhas mil vontades?
Essa “parte um” exige uma “parte dois” ou acompanha o pedido em lamento de voltarmos para o começo?

Tudo parece tão subliminar
E eu pareço psicoticamente perdida sem você.

by Val Costa Pinho

Escutando Coldplay - The scientist