24 de abril de 2012

Da série “imagens que trazem questionamentos”



Tendo consciência da “widht” e da imensidão de possibilidades existentes na vida, como eu posso aproveitar o “lenght” (da vida), me prendendo ao desejo do outro?
Consequentemente, anulando-me em favor do outro, não estaria eu, preenchendo o “lenght” e seu curto espaço de tempo com frustrações, angústias e toda gama de coisas negativas?
Se prefiro continuar me anulando e é na dor que me acho satisfeita, que direito eu tenho de escravizar alguém? Por que não deixar-se viver, em outras vibrações de energia, aquele que tenho afeto?
Se tendo consciência de que posso preencher as minhas faltas, trazendo a mim e ao próximo, vibrações positivas, sensações de prazer e satisfação e que, sendo assim, posso enriquecer tanto “widht” e “length” da vida, por que prefiro continuar prisioneira da dor e nociva àqueles que suponho amar?
O desejo em mim é que, para além da consciência, enquanto houver tempo e vida, haja também, movimento, sacolejo (em busca de mudanças). Desejo que nesse balanço, o outro e eu, possamos tornar a vida, em sua largura e comprimento, um processo em curso onde se “viva e se deixe viver”.

Alguns tenderão ao cárcere que acelera o fim do “lenght” da vida. Outros sempre buscarão, mesmo tendo a consciência do fim, tirar o melhor da “widht” da LIFE e é aqui que eu quero estar.

Val Costa Pinho.

16 de abril de 2012

Letras que se encontram


Não sou poeta
Não sei o que ler
É de dentro que solto
Letras que se encontram e se fazem
Num eterno saber e não-saber

Basta um tempo,
Uma fisgada
Lá onde se encosta a dor e o prazer
E elas, de mãos dadas
Se vão
Saindo assim
Nalgum lugar
Em que eu possa acordar

by Val Costa Pinho

8 de abril de 2012

Repetições



E quem sabe a boba da corte não canse
Quem sabe a dor não pare de doer
E o prazer de sofrer,
Enfim, tenha fim

Quem sabe não ouça palavras benditas
De um ser bem vindo
De uma vida vinda assim pra mim

Aquela que venha me querer
Não é nem tanto
O desejo assim

É só um querer bem de mim
Que às vezes parece impossível
Mas, por que não pra mim?

E essa dor vai embora sim
Ela há de ir

A dona desse lugar de boba quer se ir
Sabe que merece lugar melhor
Sabe que é melhor que esse só de si

E ai de Deus que queira assim
Por que doer dói tanto
E só de imaginar o fim
A gente se abraça só e sorri

É, não tem como

É a velha boba
É o velho fim...

by Val Costa Pinho

2 de abril de 2012

Guerreiro de si



Não há guerreiro maior
Do que aquele dentro de si

O alimento que contenta o hospedeiro
Vem do tempo que se faz desde a nascente

Desde a primeira palavra
Os sons das trombetas são revelados
Canhões são armados,
O fogo alastrado

A pausa, de vez em quando, é chegada

Bandeiras são hasteadas
Verdades aprisionadas e
Cada vez mais, longe das margens
Faz tornar o corpo febril

Porém, mais íntimo do fim
Da guerra auto-anunciada
Dela, saber ser perdedor é-se morrer
E numa vida em que se morre tantas vezes
Tantas vezes morrendo,
Se começa a viver...

by Val Costa Pinho