22 de maio de 2012

O abraço de Caeiro no meu rebanho



Aquela alma vestida, outrora, citada pelo Caeiro: “Triste de nós que temos a alma vestida”, ficou beliscando a minha mente, não digo que foi atrás da agonia,
Foi, dessa vez, diferente, pois liberou muitas interrogações
Ao saírem, me abraçaram, se despediram como que desejassem ser soltas ao vento, Desses que mudam formas e o tudo
É claro, percebi que ficaram algumas
Sustentando os sofismas que ainda hei de proclamar

Embora seja árduo lavar, perfumar e destrancar os caminhos que transformei em labirintos em busca de verdades,
Sigo a partir do que ele me falou e,
Sem essa de verdades absolutas,

Árduo?
É que vivo e pertenço a uma classe dominante
Onde o perfume é de ferrugem que vem do século em que o pensar morreu
Libertar é fazer-se doer ou escolher morrer
Então que fiquem as poucas perguntas e sejam amigas
E se também quiserem assim, podem ficar algumas questões
Só peço que sejam brandas
Como o sol que hoje consigo enxergar
E não mais aquele que queima e faz castigar a muitos
Matando o verde dos pastos e os seus rebanhos

Agora é apenas sol o sol que vejo
E assim, toda a vida que dele se sustenta, passa por meus olhos com mais significações sem que eu tenha lançado dúvidas ou buscado agonias para procurar verdades

Talvez eu não consiga captar a essência das coisas tal como a definem
Mas se eu despir a minha alma
Certamente irei captar a natureza delas dentro de mim
Antevejo assim, paz para algum caminho, algum fim que também pode ser um novo começo...

Por enquanto, se as evidências não batem à minha porta
Não há razão de ser, me atormentar
Se bate forte,
Posso lutar, não com ira nas entranhas
Buscando viver ou partir

Lutar pode ser silenciar
Esperar a agonia passar e se cobrir com a própria natureza, a já citada, que paira por aqui
Se estiver,em algum tempo, castigada,
Posso eu, silenciar o coração e a mente e
Por cima da dor, vislumbrar um Oasis
Com um gigante na porta de entrada

Se tenho escolhas
Então eu posso

Logo, além do sol, a chuva virá
E fazendo parte desse ciclo de sentimentos, abraçados a um leve pensar,
Me fará despertar para as minhas próprias palavras e a sua natural compreensão

É, Caeiro mudou o meu pensar
“Triste de nós que temos a alma vestida”

 *Um pensar que fluiu através da leitura da obra de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) - “O guardador de Rebanhos”.

by Val Costa Pinho


9 de maio de 2012

No Tempo há o meu tempo!


E porque sou feliz e triste como eu sou
Vieram me contar que a culpa seria um bom cobertor

Ser devota do que chamam de dor e carregar nas costas o peso da montanha que não vem a mim
Descansaria na minha indolência uma consciência conformada por ter chegado até um “aqui”

E se lhe dissesse que não me importa montanhas vir, se posso deitar-me aos seus pés
E sentir o vento de leve me atrair e partir sem deixar que o simples momento de prazer se perca do meu cantinho de contemplação, poderia pensar que me corrompi
É. Talvez seja o momento que eu procure motivos para ficar “aqui”

No tempo há o meu tempo e ele é diferente de outros iguais a mim
Seja no tempo da dor ou de sua falta
Se posso daqui, tirar o melhor de mim
Por que me trair e ser fiel ao fingimento e rogar pragas ao que a vida me traz como regalia ou desgraça?
Por que me juntar ao sofrimento que não desejo só para ser face de um mundo que vivo, mas não vive inteiramente em mim

Sei que é difícil lhe dizer o que digo, sei que não consideras assim
Se lhe dissesse que o vento de leve que trouxe tudo num “aqui” de dentro é o mesmo que leva para o lado de fora, ainda assim você diria que sou o mundo e que dele não posso fugir

Posso dizer-lhe que quando junto com outros vieste me alienar, não me tomou por completo
No caminho que fiz até o “aqui” descobri o que chamam de escolhas

E porque sou feliz e triste como eu sou
Aprendi que desgraças também são graças, quando me servem de professor
E que no tempo há o meu tempo e nada é melhor do que a vida como cobertor. 

by Val Costa Pinho