9 de maio de 2012

No Tempo há o meu tempo!


E porque sou feliz e triste como eu sou
Vieram me contar que a culpa seria um bom cobertor

Ser devota do que chamam de dor e carregar nas costas o peso da montanha que não vem a mim
Descansaria na minha indolência uma consciência conformada por ter chegado até um “aqui”

E se lhe dissesse que não me importa montanhas vir, se posso deitar-me aos seus pés
E sentir o vento de leve me atrair e partir sem deixar que o simples momento de prazer se perca do meu cantinho de contemplação, poderia pensar que me corrompi
É. Talvez seja o momento que eu procure motivos para ficar “aqui”

No tempo há o meu tempo e ele é diferente de outros iguais a mim
Seja no tempo da dor ou de sua falta
Se posso daqui, tirar o melhor de mim
Por que me trair e ser fiel ao fingimento e rogar pragas ao que a vida me traz como regalia ou desgraça?
Por que me juntar ao sofrimento que não desejo só para ser face de um mundo que vivo, mas não vive inteiramente em mim

Sei que é difícil lhe dizer o que digo, sei que não consideras assim
Se lhe dissesse que o vento de leve que trouxe tudo num “aqui” de dentro é o mesmo que leva para o lado de fora, ainda assim você diria que sou o mundo e que dele não posso fugir

Posso dizer-lhe que quando junto com outros vieste me alienar, não me tomou por completo
No caminho que fiz até o “aqui” descobri o que chamam de escolhas

E porque sou feliz e triste como eu sou
Aprendi que desgraças também são graças, quando me servem de professor
E que no tempo há o meu tempo e nada é melhor do que a vida como cobertor. 

by Val Costa Pinho