18 de junho de 2012

Questão para análise




Nunca me acostumei em ser “eu mesma”
Essa afirmação é para tantos - que não sou eu - aceitar a não existência de um amor que chamam de próprio

Não rejeito o amor próprio, nem o próprio amor
Que pode ser comum, que pode ser de dois.

Ser quem quer que eu seja e fazer-me bem e sentir-me bem
É o que aspiro,
E se ainda aspiro a, é porque quem quer que eu seja não é “eu mesma”
Perderia toda graça e vida se assim fosse

Esse “eu mesma”, cheio de indumentárias de outros tantos é o que espirro agora
Assim como aos que usam palavras a me colocar dentro de caixas, garrafas com rótulos lesivos que impossibilitam de seguir a minha vontade e a sua falta

Não acostumar a ter apenas um pronome a me guiar é não aceitação?
Palavras versus palavras!

Sempre signifiquei as coisas aproximando-as dos meus sentidos
Mas poder encontrar as palavras adequadas para os meus sentimentos, causam certas e erradas agonias
Consequência dos predicados dos muitos sujeitos próximos a mim

Coisas que digo não saber e são minhas,
Talvez se eu as significasse, perderia o teor e o poder de me fazer olhar para algum lugar dentro e fora de mim

Coisa desagradável é vestir os meus sentimentos de palavras para depois matá-los
É também o que faço com as minhas representações e percepções e tudo que vem de dentro pra fora
Por que aqui fora já está tudo sedimentado e limitado
Ou encaixa no que já é ou reprime
Isso é isso por causa disso!
E se existe oposição, se não quero me reprimir, corro o risco de entrar noutra categoria que também me faz opressora

Seria irônico se assim não fosse
Fique claro que não tenho nada contra as palavras!
Quem molharia os papéis com o que tento expressar se elas não existissem?

A questão é que tenho em mim Amor e amor,
Que sou e não sou

O mesmo é o próprio
Que no meio de uma frase se torna comum
E o comum entedia
E se assim acontece

Por que acomodar-se em ser “eu mesma”
Quando sou livre para me perder num mundo cheio de versos soltos e vida demais para me ganhar?


  by Val Costa Pinho