21 de julho de 2012

Redescoberta



Ao vizinho incomodado


Se me visto de sorrisos, incomodo o vizinho
Se visto o vizinho, incomodo os sorrisos meus
O jeito seria queimar os vistos, as vistas
E parar de viver?

As pessoas se incomodam
Acomodam-se em seus incômodos
Moldam-se em seus cômodos e querem amolar quem não é tesoura

Quem disse que quero me afiar?
Quero fiar poesia, usar alternativas
Ser "alter" das coisas que idealizo
"Nativa" em vidas que me dão prazer

Demonstrar felicidade
Não faz a vida perfeita
Quem leu "Morte e Vida Severina", viu que "se somos Severinos, iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte Severina"
E se tenho a opção de vestir-me de sorrisos
Pulsar vida - que a morte por ser natural, há de chegar -
Por que em meio a caminhos cheios de pedras
Devo construir um muro de lamentações
Quando posso construir muros contra lamentações?

Não, não quero dizer que inexistem lamentações em mim
Ó céus, sou um poço delas!
Entendeu? Poço, interno, profundo,
Afundo lá no fundo
E só se torna muro de lamentos em presença dos prudentes
Que possam tornar-me contente em presença de mim mesma

Não vizinho, não peço que vista a minha vida
Só não queira me vestir com o seu desconforto e a suas lamúrias
Se tu criaste paixão infindável por elas e não as quer divorciar
Dá-me licença e deixa-me passar, pois não fui eu quem construiu paredes para te incomodar.

by Val