30 de agosto de 2012

Gosto do Ser




Gosto do ser inteligente distraído; Criador de sorrisos agradáveis diante de palavras propositadamente desconexas, porém, reflexivas... Gosto dos atos falhos, das falhas e tropeços no meio da multidão e do nada aparente. Dos olhares distantes, perdidos, porém vigilantes! Os que parecem indolentes, desleixados; Em grupo, são os mais calados... Apaixono-me por quem consegue traçar imagens quase vivas diante de uma parede fria e mofada. Muro, mundo, tudo... Suas emoções não precisam ser abalos sísmicos, seus abalos não precisam desmoronar sobre o próximo. Exceto se - quando distraído - sacode a poeira para todos os lados deixando em nossos olhos a sua própria emoção incrustada nessas coisas que chamam de cisco - É certo que uns incomodam. No entanto, outros com delicadeza, saem cingidos por lágrimas e pronto, acabou a tempestade e podemos continuar juntos... Gosto de quem cria desertos teóricos, todavia considera que um grão de areia é capaz de fazer desconstruir quaisquer desertos e construir castelos, mulheres de areia e coisa e tal. Gosto dos que passeiam sozinhos em seus dromedários e corcovas textuais sem imposições; Quem, quando necessário, aponta erros de forma descontraída ou não havendo porquês, simplesmente se cala e não aponta, mas sim, pontua e apetece, tece... Tenho atração pelos que não tem apego a verdades absolutas e padrões fixos, embora, como ímã – atraio também  os contrários e vou me dando bem... Vejo beleza no sarcasmo despretensioso, na ironia descabida; Beleza na beleza fina, educada, gentil; Aquele ser meio anjo-réu. Ai, ai, amo o arquiteto do invisível, com seus traços (im)perfeitos, suas construções inacabadas e as suas instalações que causam curto em mim. Ouvi dizer que eu gosto do que não existe. Mas o que seria “do que não existe” se todos desistissem de procurar? 


by Val