31 de outubro de 2012

Ó poeminha




Ó poeminha, 
Caminha, 
Caminha 
Já é noitinha 
Deix'eu sonhar

Ó poeminha
Corre, depressa
Não é receio
De a noite ao ir
Deixar meus sonhos
Nalgum Lugar

Pois sou a dos sonhos
De tu também
Perto do sol ou do luar
 
É que me vem o primeiro bocejo
Deita poeminha
Caminha quentinha

Deix'eu sonhar

Valha-me sorte
De serdes o próprio sonho
o meu poemar


by Val Costa Pinho
Imagem: Silvi Hei Ilustraciones




29 de outubro de 2012

Entre o Céu e o Chão, Acordos.


Hoje a curvatura das minhas costas faz com que os meus olhos observem o chão mais adjacente à escuridão que salta dos meus desatinos vivenciais,
Faz com que o travesseiro dos meus lamentos seja os meus joelhos
Porém, diante da repetição de dias encurvados
Mais tarde, quando, diante do obscuro dia, as pedrinhas de areia
Deixarem de ser o único brilho a esperançar a minha espera pelo avesso de mim
A consciência me alertará sobre uma sempre escuridão
Que ao vingar, traz aos céus um brilho intenso,
Capaz de desvirtuar pensamentos penosos e devastadores
Deixando que o auto-julgo se volte para onde estiver luz
Que as minhas costas retomem a sua flexão “habitual”,
Comum aos dias de repetição que fazem valer a pena caminhar.
É assim, entre o céu e o chão, 
Acordos entre a Vida e Eu.


by Val Costa Pinho

(Expressão "faz com que" , de acordo com Prof. Cláudio Moreno "...escolha livre, aprovada pela tradição culta ao longo dos séculos")

26 de outubro de 2012

Querido Johann


Neste momento, todo o meu mundo parece caber dentro de uma canção. Uma mão me convida a sentar-se no alto de uma montanha solitária, de onde, abaixo, se avista uma orquestra de pássaros humanos e uma plêiade de sentimentos, que refletem a luz do Criador. Creio eu, ser o seu poder de fazer o meu silêncio cantar.
Dança vivificante, faz o meu coração. Sensação de ter experimentado um chá de encanto que serena a alma e faz planar sem precisar nascer noutro lugar.
Senhor Johann, há tempos eu não me atirava ao fulgor entontecido, sem correntes de embriaguez etílica. É linda essa mágica de sons sóbrios e diáfanos, que ao entrar pelas frestas de minh’alma, posta fora todas as minhas fadas fantasias. Há quem diga: “eis uma cidadela de dementes circundando a razão desta mulher insossa”.
Mas que luta hei de travar, se onde dói mais não está em mim?
Devo apenas respirar o ar da montanha, pois logo abrirei os meus olhos. Sei que o avesso do real é a casa do meu existir. Do mesmo modo, sei que ao abrir os olhos, tenho cortinas com janelas abertas e elas dançam.
Eu devo sentir culpa porque elas dançam?
Acho mágico vê-las se abrindo como véus, deixando a luz do dia entrar e nascer em mim. E como essa linda canção, eu sempre poderei ser - nesse mundo de realidades afanosas e débeis - maior. Em mim, sempre maior. Assim como a sua inspiração ao criar “Canon in D major”.

Querido Johann, obrigada pelo adorável momento.

Valéria

by Val Costa Pinho
Escutando: 
Johann Pachelbel - Canon in D major
Imagem
http://www.shutterstock.com

24 de outubro de 2012

Outros, mesmos eus!



Estranho este ser tão particular
Ser sendo, vivendo, humano

O falante, o que cala?
E no silêncio, o que fala?

Trovões que não só o atinge
Contra, porém, ética transferência de um par
Efêmera presença, movimento
Sustent(ação)

E o que olha, onde estará?
Existe ali para si?

Encontro ou fardo
É ser

Entre erros e acertos tão existenciais
Estranho este ser se não aqui.

by Val Costa Pinho
Imagem: Vladimir Kush



13 de outubro de 2012

Lar


Sê-la 
 - Sei lá
Será?
 - Cela
Sei, lar!

by Val







11 de outubro de 2012

Urgências



Olhares por cima dos muros que criaste
Atenta à atenção do forasteiro observador
Que tonto fica nessa multidão de dor, diante do horror que encobre as nuvens que sobrevoam por ali?
Um pedido de socorro alivia a tensão de quem só deseja ajudar
Sabe o observador que a sua própria ansiedade o assola
Mas sabe também que sob o alívio existem outros tantos com fome de amparo
Mas, diante do cotidiano dissabor do que se escuta entre as janelas do doce-amargo lar, não há o que dizer, então como há de socorrer?
Ouvires que passa o tempo, alguns muros perdem sua força, se tornam úmidos e querem se transformar,
Talvez edifício ou espaço para um lindo jardim depois de sumir, e assim espera o forasteiro colher as flores que hão de nascer ou caminhar pelos vãos edificados de uma alma desamparada que só quer ser usada para se curar de sua dor... 
Eis multidão e observador!

By Val.