5 de novembro de 2012

À vida



Do imponderável
Sabe-se do céu
Da loucura
E candura de levantar
E perceber-se estrela
A ruína de qualquer escuridão

Sabe-se do mar
O que principia a sua primeira tormenta (?)
Do louvor e leveza de flutuar
E consentir-se peixe
Provisão divina, sinal secreto
Além-mar

Sabe-se de tanto que não se daria
Aqui a declarar

Onde pisas
Até onde possas chegar
Da distância
Entre vida e morte
Sabe-se o quê?
Resta-se o quê?
Senão apenas, caminhar 

Deixa-se viver
Saber-se de nada, esse
Tudo ornado de sentidos tidos por cima de tidos
Ser-se fingidor,
Amante das palavras que fazem de ti
Pérvio, ademais
Único como cada estrela e peixe a existir


by Val Costa Pinho
Imagem: Vladimir Kush