12 de novembro de 2012

Apenas falo


Ando desconfiada...
Falo do tipo de andar que se completa na inércia
Alguns até sentam no sofá assistindo a vida passar

Tem vida que se imagina em tela projetada
Em traços típicos que fumaçam ideais
Fantasia nossa de cada dia

E se não vive os seus ais
Oh, dó!

É como panela de pressão
Tem gente que não usa por medo de explosão
Mas quando come do seu resultado, se lambuza

De ais vem a boa morte
Falo do tipo que não se vai e se completa nalgum lugar por aqui mesmo
E por não falar em fantasia, ela se revelou...

Mas o que eu queria mesmo era tocar na paz
Dessas, do tipo intenso, que para os mais vigilantes ·é mau presságio·
Dizem que é falta de fé

Será que alguém já viu uma panela de pressão estourar?
Diante do que, momentos antes, era paz
-É muita pressão pra pouca panela...
E essa intensidade é desassossego

Eu bem sei desses vigilantes
Ouvi falar aqui, de dentro pra fora

Coisa de quem fecha os olhos pra sentir o silêncio límpido
E a fragrância do tempo sem projetos, sem nada
Do tempo da indolência do olhar, se me permite assim dizer
Cansado das telas, que entre tantos dizeres, não dizem nada
E por querer assim estar, 
Pulam de dentro da massa de ideias, monstros de dentes afiados e olhos esbugalhados

Não entendo suas cabeças disformes e
Por que são tão grandes?
E por que muitos e eu, não entendemos o que eles falam?
Alguns babam,
-E se “nos” não for inadequado, se me permite assim dizer-
Só querem nos comer

E por falar em fantasia...
Paz, aqui jaz.

by Val Costa Pinho
Imagem: Tom Gauld