9 de novembro de 2012

Atos




Às repetições do meu bom-dia...
Em meio ao tempo que corta sem sujar roupas
As repetições acompanham comportamentos
O dote é caro para quem as cortejam
Paga-se com a própria vida...

Não sei por que escrevo, mas o meu ato de escrever é ato de repetição de quem escreve desde que letra é letra e serve para alinhar a vida fora do papel
E fora do papel vivem todos que aqui estão
Por que se tudo é repetição e, por entendimento de palavra, cópia
Creio estar correta sobre parca afirmação

E Deus que já escrevia certo em linhas tortas,
Talvez tenha me feito assim também, nos mesmos moldes
Por isso, insistindo no talvez, eu não consiga encontrar caminhos para descansar
Não é o que parece... Nada de epitáfios - não neste texto

O meu desejo é continuar a busca pelo que não é repetição
Mesmo sabendo que o encontro será com o impossível
Deixo-me ir, é divertido
Faz sentido...
Em teoria, não se sabe o que se busca, não é mesmo?
É um tal jogo de faltas, que bem poderia ser flautas
Canção, unção e ponto final.

Depois do ponto final que melhor seria se fosse reticências,
Pensei - pois eu penso - que as repetições só acontecem quando postas em palavras
A ação é cópia, mas a forma como eu ajo usando a ação é particular
Aquele fio de cabelo que cai devido a falta de vitamina A, no momento de...
A gagueira seguida de chá de “sumiu a minha voz”, na hora de...
Talvez me faça pensar, equivocadamente, assim

Mas, alguém que não me ver acordar de mau-humor, como quem deseja que a noite próxima, caia por cima das cabeças que me dirigem palavras matinais sem antes me acarinhar - estou certa que há, de nalgum lugar, repetir esse despautério

Então nesse mesmo escrito
Contradigo e prossigo com as repetições para não sair do contexto
Mas penso, com direito a balãozinho suspenso no ar:
 “Como se a vida fosse contextual do lado de dentro - Até parece”

Todavia - ninguém via que a vida era uma via - eu estou dentro dessa “vibe”
Odeio esses termos
Embora jovial, não me adapto, não tem jeito
Já vivo caindo nas linhas tortas
Que, com todo respeito
Agradeço ao Senhor

Mas cair numa adaptação grotesca e vazia
Isso é só um modo de repetir as minhas falhas
E eu rio porque é o que me resta
Mesmo sabendo que chorar proporciona o mesmo prazer
Todavia - ninguém via que a vida era uma via - no momento rio, porque lembrei do David (da Anne Holm) que não ria

Tadinho
Antes de sentir ares de liberdade, ao fugir do campo de concentração
Ele era cópia do sofrimento em forma de cão, digo - em forma de gente,
Mais logo conheceu o próprio sorriso. Lembrei,
Então resolvi rir, igualzinha a ele
Ou seja, repetindo o seu ato de esboçar boa emoção e, por conseqüência, exercitar os músculos de minha face (o mais sem graça possível).

Há uma fuga catastrófica do contexto, ou não. (com direito a piscadelas)

Propositadamente, suponho que eu tenha feito isso para finalizar o texto
Pois quero dormir
Será que amanhã acordarei de mau-humor
?
Se ninguém me acarinhar e chamar de amor,
Eis a sentença já manifestada: Sim.

Pois estou nessa... é a tal demanda de amor
Por conseqüência, repete-se a vida
Em comportamento (mesmo que me falte a vitamina A),
Em palavras e suas cópias


E o que é isso nada?  Ops! E o que é isso tudo? – pergunta a voz da consciência
A mesma voz, dessa vez fingindo não ser a mesma, responde - Como saberei? Não sou eu quem escreve certo por linhas tortas...

by Val Costa Pinho