20 de novembro de 2012

Balzaca


Balzaca, és tu mulher?
- Eu mesma
Estranhamente desconcertada frente ao espelho

Quem te ver não acredita!
O que está acontecendo, Peter Pan sumiu ou se perdeste dele?

Cadê  a graça da menina-mulher
As músicas que faziam, esquisitadamente, o teu dançar manar
A imaturidade disfarçada que deixava um mar de graça a ser solto por ondas de gargalhadas?

Balzaca, és tu mulher?
- Eu mesma
Arrasada e sem respostas para lhe oferecer

Quem eras tu!
Por que tanta preocupação com um cravo?
Tu és o próprio cravo, flor
Formosura,
Tás aí a se avelhantar

Teu cheiro nem é mais o mesmo
Por que colônia tão cara?
Quem te enfeitiçou, retirou tua magia...

Por que tu me deixaste presa ao espelho?
Sou a que te sorrir e só quero te fazer acreditar
Que Balzaca és
Mas ainda pode brincar,
Sorrir, gargalhar
Cair e levantar
Cantar e errar
Viver e errar

Ressuscita esta criança levada
E deixa, sem medos, ela te levar

- Ó Criança, és tu?
Eu mesma, Balzaca
Pintando e bordando frente ao espelho
Que usaste para me chamar...

 Estou sujeita a ti,
Sobreviverei
?


by Val Costa Pinho