30 de dezembro de 2012

2013: Feliz Ano Novo!



Ano Novo, momento de boas-vindas, de abrir as portas para o novo desconhecido; momento também de despedidas; perdas e ganhos; boas e más lembranças. 2012 fecha as portas. E lá vamos nós seguir com a sensação de que tudo é novo de novo. E não é?

Eu - sigo em frente com algumas cicatrizes, marcas de aprendiz das experiências que eu escolhi e me permiti viver. “Amadurecimento” é o sinônimo maior do meu estado de ser em 2012. O amadurecimento trouxe/traz consigo bons frutos e, para que os bons se multipliquem, fico na torcida para que no vindouro ano, o meu estado de ser me permita arriscar mais, ousar mais e me despir diante do olhar alheio - sem culpas, medos, receios...

Quero apenas passar com algum nível de transparência que não me faça invisível, certo estado de leveza que não me faça voar e excessiva educação (nunca é demais), sem esquecer da elegância do comportamento e amabilidade com aqueles que tocam o meu coração...

“Ontem”, ainda recordo, comemorava-se o ano de 2000 - doze anos se passaram - amanhã celebraremos a chegada do jovem 2013, que logo se tornará um Senhor...

Passagens, elas demonstram que no tempo todos os caminhos levam a um fim, o que não deixa de ser sempre um começo. Ainda, tudo é passageiro, efêmero e jaz...

Então é isso! Desejo para a boa gente "Feliz Tudo"! Que tudo termine e comece bem, e que a força maior que existe no mundo de cada um, aparte os obstáculos que buscam azucrinar o bom estado de espírito e bem viver... Assim Seja!
Feliz Ano Novo!

by Val

17 de dezembro de 2012

Um adendo...

Alguns programas estão documentando matérias sobre o grande número de famílias que vêm sendo despejadas dos centros urbanos (usuários de drogas, moradores de rua, moradores de cortiços e prédios antigos, entre outros). Essa expurgação acelerada, ocasiona uma sensação de segurança na sociedade. Porém, existem questões que estão além da busca pelo bem do povo. Os “pobres, feios e marginalizados” deixam livres os espaços físicos, propícios para investimentos na área de turismo, hotelaria, etc. Muitos dos meios de comunicação demonstram que as causas para essa “limpeza social” giram em torno dos programas de revitalização adotados pelo governo. Contudo, suponho que o "país" já começa a projetar o grande carnaval das alegorias e maquiagens e do esconde-esconde para que a grande festa se inicie... Em lugar de Copa do Mundo e outros eventos esportivos de destaque mundial, não têm espaço para os “miseráveis”. A curiosidade está em saber para onde estão despachando esses seres humanos...



by Val
Imagem: Cláudio Roberto

13 de dezembro de 2012

12 de dezembro de 2012

Nós de meu “a gente“



... a princípio, incomoda esse “a gente” que se enquadra em “nós”, pronome que torna plural as minhas ações, como se elas não fossem particulares, restritas à minha filosofia de vida. A propósito, a filosofia surgiu, felizmente, para nos libertar dos “nós” hierárquicos que impossibilitavam de nos expressar de acordo com as nossas elaborações.
Elaborar o quê? Se em nós mesmos, havia cadeados à porta dos sentimentos. Desse modo, como poderíamos pensar? Percebo que estou voltando, quando não deveria nem ter partido.
Agora! Isso é atual, chocalha em nossos ouvidos por todos os meios de comunicação. Limitados a gostar de, comprar o/a, aceitar isso, desfazer daquilo e ser feliz. Não demonstrar tristeza e fraqueza faz “a gente” se tornar bem-aventurado. Inúmeros estudos elucidam textos atraentes sobre a sociedade consumista, do aqui-agora, compulsiva - eu quero, é meu, é o que me satisfaz - assim também, como todo aquele emaranhado medicamentoso que me faz dormir quando eu sinto dor e sorrir quando eu quero chorar...
Eu, com o perdão da individualização, percebo que as correntes de pensamento que comungam contra a desqualificação do sujeito, também o desqualifica, à medida que impõe sutilmente uma forma de desejar, “um desejo comum a todos”. Se aos trinta anos de idade eu não casei ainda, provavelmente eu tenho alguma questão edípica, existencial, comportamental, financeira, sexual, religiosa, mal resolvida; Se quero ser mãe solteira, alimento apego e demasiado amor aos meus genitores, há algo errado; Se não sou socialmente comunicativa, expressiva e extrovertida, tenho que ser posta numa cadeia de exercícios mentais e físicos, tenho que me adaptar, ser contra a minha natureza, o meu próprio desejo; Se estou acima do peso, devo conhecer a fome, a anemia e os meus ossos... Então me pergunto, por que existem antônimos? Seria apenas para bater face um espelho e saltar por cima de nós para o canto de um quarto escuro e desaparecer?
A cabeça que não é da gente quer nos fazer anjos, palhaços, “paraísos artificiais”. Estamos num grande baile de fantasia, usamos máscaras para lidarmos com o cotidiano que nem temos o direito de escolher. O mundo cheio de significações, fica limitado aos significantes de uma minoria pseudo-guia-intelectual, que não aceita idéias pautadas no livre-ser que adoece, entristece, chora, se queixa, e, mesmo assim, é capaz de ser feliz dentro de sua própria filosofia... Ajude-nos por favor a conseguirmos lidar com o nosso livre-ser.
O livre-ser que não tem a cara do “emotion smile”, sorrir nas pausas do seu natural descontentamento sobre a vida, essa grande interrogação sustentada por um ponto que em breve será final para todos.
Se a insatisfação é inerente ao ser, se a busca será eterna mesmo que eu não saiba o que esteja procurando, por que temos que ser “a gente” quando queremos ser apenas um “eu”... Tenho tentando me considerar imperfeita, inacabada, vazia, porém preenchida de significantes que são meus: A minha cadeira rosa ferrugem, as minhas meias algodão do pé, o meu colchão de nuvens, o meu braço amigo e o meu “te amo” perfeito e cheio de luz; as minhas quedas num chão de borracha que apaga qualquer dor que insista em ficar, o cheiro de azul, o frio do calor tardio – Tudo isso pode ter um significado para “a gente”, mas só eu sei do meu e o que me faz ser assim diante de tantos rótulos e imposições a favor do extermínio de uma individualidade que - ainda que tremule e insista em ser “a gente” – é, acima de tudo, divina, livre-ser-arbitrária e só...
         Cá pra nós, quando a gente vai se adaptar?

by Val Costa Pinho

7 de dezembro de 2012

Labirintos sensíveis


Estou com sintomas estranhos ao meu controle
De tanto tentar moldar o mundo à minha volta
Ele se cansou e agora vive em mim
Possui as minhas vistas e percepções
Tudo gira com mais intensidade

Ainda não aprendi a cirandar
Entonteço e tropeço em meus pensamentos
Dias difíceis são esses,
De levantar

Serei tonta nesse mundo girante?

Se ao menos eu soubesse dançar

Começo a pensar que tamanha tontura
É o mundo convidando o meu corpo a bailar

Lá vem ela!
É hora de saber onde esse labirinto-salão vai dar
Solta o som DJ Orbe


by Val Costa Pinho
Fotografia - Ale Rielo

6 de dezembro de 2012

Cântico humanalesco



O homem chora, 
A seca suplantou as suas lágrimas
A ordem do que fora posto em seus ideais 
Nas fraturas da terra dura se atirou
Cresce o homem das lágrimas
Parte com sua lástima
Sem ter dos ventos o acordo que se firmou 
Desde que o tempo não permitia mais o incesto
E a dor crescia em seu peito
E o amor e o desejo era perturbador
E essa busca pela pureza encontrou barreiras 
E elas por elas eram todas iguais 
Era espelho e mais
Mais e mais vidas herdeiras
Hospedeiras
Dos iguais
E os cárceres libertos
Dito e certo em atos desleais
Foram aumentando seus crimes
Suas injurias e angústias e mais
Tendo como a vida
O desacerto
E hoje, existe a certeza de quem são os animais?
As marcas do tempo anunciam que cavalos ainda possuem virtudes ...

by Val Costa Pinho