8 de dezembro de 2013

- EM PRECE, CORAÇÃO, ORAÇÃO, AMÉM



Às vezes tal estado de solidão
Tal sensação de inferno
De céu nublado
De sentidos buliçosos dentro de nós
É a tão desejada paz
Que ora gritamos, ora silenciamos
em nossas travessias diárias

O mundo não nos acostumou,
Mesmo diante da ventania
A silenciar o nosso silêncio,
A nossa respiração
e movimento diante da vida

À paz da calma e tranqüilidade,
peço licença
Mas quero dançar com a minha paz
num quarto vazio
No centro da cidade,
nessa tal invisibilidade urbana
Até mesmo no sem fim florestal,
nessa tal invisibilidade natural

Essa paz quer soltar-se,
me fazer enxergar
Que mesmo em presença dos males vivenciais
O anjo que me guarda é magnífico
E guarda parte dessa paz embaixo de suas asas
E pode chover,
Lampejos cair

Paz é estado de espírito
Que não é unicamente santo, imaculado
Vaga numa canção
Coração, oração, amém!

by Val Costa Pinho.

14 de novembro de 2013

O mundo de Joões


Espera um pouco..."O que devo esperar do mundo? O que o mundo deve esperar de mim?"
─ Penso que não espero nada do mundo. 
Eu estou aqui, agora, grão de areia, 
junto a outros grãos a formar castelos de areia. 
Basta o João partir e pronto, o castelo desaba e começa outras dis’formas a se formar, qualquer coisa... 
Eu observo no mundo os que nele estão e alcanço os que no meu alcance, estão. 
Tem gente esperando gente, e esperando muito da gente, e a gente, igualmente, muito dessa gente. 
Existe coisa mais desesperada, esperar coisa dos outros? 
Eu espero o abraço chegar no horário certo, a música começar e terminar, a agonia passar... 
Putz, e a agonia é tonta, é tanta, é persistente e eu vagueio sóbria, embora em sombra, pois quis a vida que eu não me desse bem com os etílicos, os destilados, os lados... 
Sendo assim, o meu superego agradece e me enche o saco, inclusive! 
E como muita gente eu também sou, em parte, desespero... 
O que o mundo deve esperar de mim? 
Uma piada, risos e ponto final. 
O mundo não espera ninguém e nada de ninguém, 
o mundo vai e o homem vai arruinando tudo e indo junto para algum buraco maior que a própria vala que o João vai e todos vão... 
No final, cara, pro mundo, todo João é ninguém...
Essa nau de esperas vai acabar atracando em algum cais e apodrecer toda a matéria, daí vem o além... 
Eu espero ir além. É isso, eu só quero ir além, cara!


by Val Costa Pinho

13 de outubro de 2013

Transpirando...


Não faz muito tempo, um seminário que “cruzava” a Filosofia com a Psicologia, tocou a minha atenção com a expressão “transpirar”... A arte como meio de transpiração se deslocando do foco da sublimação, do sempre escoamento das pulsões e indo ao encontro da “excrescência”, elevação de algo ditado por uma ouvinte, excitada pelas elucubrações filosóficas da palestrante. 

Eu adoro quando a fome é despertada pelos ouvidos, e isso quase sempre acontece quando estilhaços de coisas fixas voam pelos ares dos meus pensamentos. É, eu tenho certas (e erradas) manias; me prendo fácil por que sinto sempre algum prazer em desprender-se, e nesse ato, cair, levantar... Desequilíbrio, este é o lema de minha bandeira em lugar de ordem e progresso; refiro-me apenas ao meu país, aqui, o de dentro, sem fronteiras, sem roteiros, vestido pelo equilíbrio mais irritante possível.

Equilíbrio não é uma forma de desequilíbrio? Eu cresci achando assim. Gosto do não entendível, do paradoxo, do contraste, da figura e fundo subjetivos, sem determinismos, a “excrescência” (adorei essa palavra falada pela ouvinte excitada), sem a busca do real significado, sem freudeslizar todas as coisas ditas. Porque se caíssemos nessa coisificação teórica e aprisionada, o eu e os outros eus de mim estariam conversando sobre “excrementos”, analidades em seu caráter mais profundo e sexualizado...

Quando isso ocorre, eu sinto uma prisão no meu pensar... Hoje eu entendo o meu silêncio quando posta em grupo! Sem invencionismos, espaço para criação, liberdade de pensamento, eu paraliso. Está aí, a causa de não transpirar ultimamente: tentativa de adequação ao não adequado para mim. O recipiente está vazio pelas certezas (que não existem), pela concreticidade dos questionamentos... Simbolizar, simbolizar, simbolizar! A sensação é de estar preenchendo faltas com argamassa e nesse espaço de tempo (ou falta dele), falta ar e faltando ar, não respiro, e não respirando, eu imobilizo, não existe movimento. Sendo assim, eu não transpiro, não há arte, poesia, vida; ILUSÃO! (Argamassa costuma preencher lacunas? Se sim, eu prefiro preenchê-las com poeira estelar).

As certezas (incertas, impostas) destroem com as nossas ilusões, eu entendo que o mundo queira realidade ferrenha, nua e crua, mas eu também entendo que eu quero e desejo a minha ilusão; sem ela, como hei de criar o (in)imaginável, o ganha-pão dos meus pensamentos, da minha (re)criação, do meu vir a ser... Vida é infinita, é oceânica... É interessante saber das inúmeras visões acerca do que nos move em busca do nosso bem-estar, das nossas satisfações vivenciais... Mas cá pra mim, não quero me curar de todas as coisas... Onde está a graça de achar respostas em tudo? Ainda, de determinar, de moldar tudo à luz de um pensamento universalizado, sedimentado, perpetuado e endeuzado?

Da ilusão que enfatizo, não cultivo a patologia, mas sim, a transformação do bruto no lapidado pelos meus olhos quiméricos, da fantasia de subjetivar o objeto costumeiro e entediante, pintar o invisível com cores vivas "nessa vida" de padrões mortificados e enjoativos.

A vida é uma arte e eu adorei saber que essa arte é uma forma de transpiração. Isso me lembra suor, calor, corpo, toque, gozo, pulsão sem aprisioná-la numa definição apenas pulsão e as infinitas formas de fazê-la pulsar...

Em suma, o cruzamento dessas correntes de pensamento me fez desconstruir princípios que estavam se cristalizando e coisificando a minha visão acerca do meu comportamento e pior, do comportamento alheio (que não me pertence)! Enfim, “nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda”, entende?

by Val Costa Pinho.

Orfandade Sem Este


Ter o frio cobertor do arrepio
Uma dor espinhada na pele
De pêlo que ainda não vingou
Do alimento água da chuva
Que brota na poça
Copo d’água
Café da manhã
E o sol, ainda energia
Seca as lágrimas
O coração

No peito a pulsar
A fome
Tatuagem em seu corpo
A capa de criança
Filha da friagem
Da sorte do azar
De não ser ninguém

by Val Costa Pinho
Imagem: Anna Gillespie


Perseverança


Ara a terra a pisar
Os reis nem aviaram
Um dizer de compaixão
Teus dedos assim em carne
Ficarão
É viva a vida também é
O destino está nas mãos
Mas os pés descalços acham-se impotentes
Anda que a terra afofa o costume
E a dor há de passar
E todo o resto
Reis e a moléstia dos atrasos
Que assolam as vestes do teu pensamento
E mais tarde
Pés e mãos soltos
Sarados do conforto da perseverança
É só o que vem depois do furacão
De poeira e miséria
Bonança avessa
É ater a vista
Na direção do rei em si
E assim seguir...

by Val Costa Pinho

27 de julho de 2013

Segre'dum Desejo


Devolvo toda a tua beleza
Através do reflexo dos meus olhos
O mundo é mero coadjuvante
E eu um semblante
Escondido entre um querer

E aquela flor que não irei despetalar
Será o segredo íntimo
Da minha cobiça

Injustiça seria matá-la
E condenar uma a mais
Porque o que aqui está, jaz
Desde o momento de meu Deus
Quando você nasceu em mim

E por atraso do meu descaso
Com a mágica do tempo
Meu delírio não o viu passar


E por condenação
Aceito o teu sacramento
E me contento com o vento
Que ao passar, deixa em mim
A fragrância daquela flor

Única testemunha
Que guarda como tino
O desatino desse fervor

by Val Costa Pinho

21 de junho de 2013

Solstício



by Val Costa Pinho
Imagem via: Google imagens

10 de junho de 2013

Introspecção e um rótulo a menos


 Pra começar, ser introspectiva, falar pouco, (embora afrontasse os extroversos) sempre foi o meu forte. Não concordo com a ideia de não interação com o ambiente, existem infinitas formas de se ambientar e preferir continuar no anonimato, sem dramas... A cada dia eu aprendo e desfaço o meu pensar devido às inúmeras viagens que se destinam para o meu interior. Coisa que gosto de encontrar é o desapego por tudo que queira me controlar, e eu acabo me surpreendendo com o meu olhar diante destes aspectos, mesmo sendo controlada por tantos eus de mim... 
 Mas o que eu quero com esse papo descabeçado? Talvez desrotular-me de mim mesma? Como seria possível? 
 Se eu sou adepta disso e daquilo; tenho inclinações para isso e para aquilo outro e etcétera; a partir de tais descrições noto que começo a criar rótulos, fazendo com que eu mesma me negue. Logo, me encontro num nicho psicológico que me desajusta. 
 Quando penso que existem bons pensamentos na mente de uma pessoa que segue outros preceitos diferentes dos meus, sejam eles religiosos, sexuais ou comportamentais, a minha caixinha de pensamentos se abre e fico surpresa com o espaço que ainda está por ser preenchido. Ali onde há desacordos, também há conhecimento bastante para desatar nós e julgamentos amarrados no meu pensar...
 Entendo que exista intolerância, ignorância, preconceito, falta de respeito e negligência em todas as configurações sociais e nos diversos movimentos em prol de... assim também, existem os que são benevolentes, compassivos e compreensivos com o outro... 
 Historicamente, o homem devasta a si mesmo, veta a própria liberdade de ser, assim acontece com as coisas e suas inerências, o que poderá nos atrair ou repelir... 
 A introspecção me faz aprender com o silêncio a observar, e observando estou propícia a erros e acertos; a graça está em começar a aceitar tais atos como “objeto” de reflexão e aprendizagem. Daí cabe a mim, guiada pelos meus desejos, aceitar o que me faz uma pessoa mais ajustada aos meus próprios limites. 
 Sendo assim, criei um rótulo que me negue de levinho. Nesse sentido, o meu grupo se chama mundo, o meu significante maior se chama Deus, a minha estrutura psíquica (carregada de intempéries, falhas e virtudes) é constituinte do meu ser mutável, o qual me inclino de acordo com o vento que conchega com leveza e afabilidade. 
 Eis o mérito de governar os meus olhos para onde busco sensações de felicidade; e mesmo que a dor venha ao amanhecer, só de imaginar que posso enxergar a luz, vivo a motivação de reconduzir o olhar para novas direções e suas infinitas sensações.  Por isso não me rotule, (basta a mim!) pertenço à casta dos que caminham em busca de renascimento, ainda que vivam numa prisão corpórea, sendo ela transitória ou não. 

by Val Costa Pinho.

1 de junho de 2013

A Despedida

Os dias, uma comédia
E as lágrimas dela rolam
Rolam as pedras na estrada
Partem os velhos companheiros
De uma parte dela
Do inteiro de alguém

Surpresa, também
Ri-se na despedida
Embriagada de lembranças
E como contam os contos de sua memória
Saudade sempre será um dia bom
Que rolou mais que as pedras ponteagudas a
Tocar o para-brisa do seu carro quase zero
Que acelerava os dias, 
Todavia, travava os minutos de prazer
das boas companhias

Por um momento a vida é bela
O tempo paralisa
E parece ser cristal a fala dos seus olhos

Descortinado o dia
Basta sentir
E dói
O sangue agora corre macio
E a única fuga
É encarar todo o circo
Que segue em frente

Por trás da lona
Ela deita, dorme
E logo também será a sua despedida
e lá estará alguma parte que a considere inteira

Nessa comédia, ela deseja aquela que diz adeus
Com um riso
Dói, mas está aí, a graça por trás da diária comédia
Algo lhe diz:
"A estrada somos nós por baixo dos caminhos,
basta sentir. Os abalos sísmicos, 
certamente são pisões do que vibra, do que se esconde
E os caminhos? Uma comédia cíclica"

As setas apontam a direção
Mas tão logo, o dia estará na palma de suas mãos
É rir ou chorar
Até que ela se torne uma eterna saudade.

by Val Costa Pinho

29 de maio de 2013

Os dizeres de uma imagem...

Essa é porque eu vejo uma mensagem na imagem que me diz: "ultrapasse a imagem, a aparência e por que não dizer, a transparência – não se torne invisível. Viva os teus sentimentos... É que tão logo, sem aviso, a fotografia será uma lembrança de tua finitude, não lhe restará senão a campa ou o mar, o ar..."
O meu lado espirituoso ressalta a pá (cheia de má intenção) cravada na terra, observando duas vidas compartilhando vida, enquanto houver...

by Val.
Imagem: Semiotic Apocalypse

27 de maio de 2013

Desejo audaz


Eu troquei essa dor pela música que toca, pois sei quão difícil é o teu toque
Então me peça algo em troca...
Eu daria meu último suspiro

Não me veja como pobre coitada
Não tenho posses, assevero
Mas sou virtuosa em meus sentimentos
Sou forte e por isso persisto
Por saber que ao final de guerrear contra a paciência que os minutos pedem
Eu estarei com você em meus braços

Olhar os teus olhos é como olhar aquele rio
Na época de criança que a vasta mata não fazia medo
E os rios mais lindos estavam escondidos banhando a si mesmo
As pedras tinham valor, mas eram brutas
Mal sabia eu, que encontraria a representação do lapidado em teus olhos

Se ao menos tivesse eu, uma daquelas jóias virgens para trocar por teus olhos e por segundos fossem o reflexo dos meus desejos mais inconscientes
Como o meu medo
O meu pedido não declarado
As palavras que eu não sei falar quando sinto que devo falar...

E a vida eu vejo passando todos os dias quando acordo
Ao som de algum silêncio mais barulhento que o meu
E algo de triste me toma no colo e quase viro criança
Mas desperto com a tua imagem
E levanto a poeira, cheia de emoção

E vou buscando vida nos minutos que se alinham em meu relógio de pulso
E o meu pulso tão acelerado fica, ao saber que
Você será o meu encontro mais desejado
A minha guia quando algo se perder no meio do caminho
Eu estarei realizada
E eu sei que a felicidade vai me brindar
E quando estiver olhando frente ao espelho
A criança das matas virgens e cheias de perigo aparecerá
Devolvendo a pedra bruta para que esculpamos juntos, jóia de nós dois

Tenho certeza, que o resultado final
Será o nosso destino
Refletindo em montanha
E o meu medo ao tocar o ponto mais alto junto aos teus medos
Pedirá em oração
Um coração batendo acima das nuvens
Onde nenhuma tempestade seja capaz de alcançar
E quando chegar o momento de partir
Que ele continue brilhando lá no céu, meio às estrelas
Significando todo o amor que eu eternamente levarei comigo


Desejos, ai estes tais...

by Val.

17 de maio de 2013

Na tentativa de ler você


Você é do jeito meio sem jeito de chegar, mas quando chega toma conta do lugar sem uma palavra pronunciar
Talvez o brilho no sorriso ou no olhar
Talvez a feição, fina, meiga
Guarda um mistério que retina quando se perde querendo encontrar em algum canto algo para saborear
Talvez palavras bobas mas bem elaboradas, discurso sem lógica, filosofia encontrada apenas em pensamentos afins
Conversa com alguns, e se perde em alguns que pensa não se perde em você também
Deixa que a noite passe sabendo que poderia ter encontrado o que queria se os pés não se acorrentassem ao medo de dizer apenas “olá”
Então é isso, não sei muito sobre você, mas esse seu jeito assim, solto
De quem vem sempre da lua, ou do fundo do oceano, deserto, Maracá
É o enigma, que do jeito que sou, não vou tentar desvendar...
Espelhos!! Nunca sei do que ou com quem estou falando.

by Val Costa Pinho

30 de abril de 2013

Pólos de um sorriso



O que diz um sorriso de uma pessoa?
Por que um sorriso incomoda a tantos?
Se ele está estampado em nossa cara, como segurarmos para satisfazer o desgosto dos outros?
O mal-estar de ver o outro feliz; as definições de provar o quanto de felicidade inexiste na vida; os pontos de vista que rodeiam a não existência das coisas boas, do amor, da paz e da felicidade, deve ser encarada como uma perda de si mesmo dentro de um contexto relacional saudável
É como não esperar a ordem natural de nossas aflições, e buscar afligir o próximo para assim sentir-se útil diante da própria deficiência
Às vezes eu sinto como se os outros quisessem nos ver lamentando a vida, nos queixando dos nossos normais desajustes vivenciais
E me questiono, tal atitude serve para satisfazer o quê, quem?
Se eu digo amar a vida, se eu sorrio na fotografia, não estou excluindo o sofrimento e a dor inerente à minha existência...
Estamos sobrevivendo, e sobre a vida podemos escolher viver o lado bom e sob a vida podemos colocar as boas vibrações, as coisas que cabe à vida suportar
Pois naturalmente, a dor virá
Em muitos momentos, a solidão será visceral 
E vai arder a saudade dos bons momentos
E só em existir saudade
Creio que tenha coisas absurdamente boas demais existindo
Se bem acredito em movimentos, bem sei que as ondas,
os ventos e o passeio dos pássaros levam pra algum lugar
Estão todos ao sabor da vida,
Repleta de caminhos e sorrisos que nunca são demais para enaltecer
a breve caminhada que termina antes do alvorecer final.
Então, o que me importa
É ser tomada pelo que é absurdamente gostoso de viver
Todo sorriso será bem-vindo
Até que o palco seja aberto às lágrimas do meu oceano
Eis a vida, bipolar

Aí questiono o pólo "negativo" dessa face instável
O que diz a tristeza de uma pessoa?
Por que muitos se incomodam?
Afora o sofrimento que impede o próximo de seguir a sua caminhada com autonomia
Não creio existir males que não possamos suportar na tristeza, nos momentos de introspecção e solidão...
Nem mesmo, males da dor e das lágrimas póstumas aos momentos inesperados, inacabados e decepcionantes em nossa estadia por aqui

Eu aprendi a entender que só posso conhecer o horizonte se eu enxergar além dele, pelo menos tentar alcançá-lo. Eu sei que não tocarei em sua linha horizontal, mas se eu acreditar que, simbolicamente, como a diz a música "além do horizonte existe um lugar", estarei alimentando outras perspectivas diante dele.
Mas o que isso tem a ver com sofrimento?
- Eu só poderei julgar que existe o oposto se enxergar além dele, mas para isso eu tenho que passar por ele, alcançá-lo em sua raiz e acreditar que realmente existe um lugar fora do sofrimento...

Em suma, do sorriso e da tristeza de uma pessoa, só ela poderá dizer...
O meu sorriso diz que a minha tristeza está à espreita, mas ele, por ser tão contagiante, faz a própria tristeza também sorrir. Ao contrário, apenas me recolho; meu horizonte, meu rio triste, na espera da boa maré, se achegar.

by Val  Costa Pinho

21 de abril de 2013

Sobre um cérebro pirata de incompletudes completas



O meu ser faltante é a própria falta já existente
Antes do verbo encarnado
Da criatura em barro a encantar o vazio

É um causo essas coisas de fixar um pensamento
Num determinado ser que também se fartou de faltas e
Tocar a sua filosofia sem movimentar a própria existência do pensamento
Que é moldado é claro, das cópias que o mundo dá

E das voltas que o mundo deu
Também nos deu o arbítrio que é livre sem ser
E eu prenhe de palavras prestes a serem jorradas por um orgasmo de pensamentos
Sou barrada...

E se fujo alguma letra a mais do que algum teórico um dia pensou
Fico borrada até me apagarem com a tal borracha do intelectualismo humano
Aquele humano, barro
Esculpido da mesma lama de onde eu vim
Do mesmo vazio que já existia antes da palavra incorporar na tal criatura
Conhece
?

Ainda bem que levo tais palavras com graça
Pois, quer ver desgraça?
É contestar o pessoal que já cantou uma estrofe de música que nem o autor sabia que existia, mas a certeza só deixará de ser certa até que um dia alguém em osso e osso, cante: “ressuscita-me” e a coisa der certo...

Pois eu vejo é graça
Papagaio de pirata falar e querer bicar quem tem olho demais pra enxergar

Esta aí, uma coisa que faz o meu ser faltante que antes de ser
É recheio de um vazio que já era ainda sendo,
Sentir-se cheio de si.
Escorregar numa lama de barro e...
O risco é saber se
Brincando, vou endurecer

É barra, essa coisa de não saber
Quem sabe, desses saberes não sabendo nada,
Mexer com lama seja sujo demais como a primeira obra
De uma criança,

De arte? - Perguntaria um pensador andante
É, pode ser! De arte, de barro, do que você quiser...
Contanto que não endureça e se transforme em mal-estar

Há quem, meio a lama, encontre cura, mas haja evolução
Abençoados, sejam!

O meu ser faltante, apenas se entretém com modestas palavras
Pois gosta de sentir-se um Peter Pan,
Seria um disparato (a mais) não lembrar a Terra do nunca
Tão sofrível para o real e tão real para a fantasia

Penso que é a mesma terra do vazio,
A diferença é que aqui muitas crianças crescem e se tornam Capitães
Nesse contexto, de areia
Deixando o Amado fora dessa
Se estiver fora do real vai pro gancho
Aí é barra de ferro, de tranqüilizante...
E não tem Panacéia que dê jeito

Quer ver graça?
Não tem graça!

Volta a ter, quando eu lembro que aprendi, mesmo não tendo como verdade universal, que o vazio é um deus (desprovido de cunho religioso)
Não o preencheremos dentro de nós, mas também não somos só sopro por dentro
Somos o que preenche ele, o mundo que é o vazio completo preenchido de incompletudes
Um conjunto infinito de pessoas vivendo a finitude
E dando adeus à completude externa, superlotada internamente de lindas e ricas individualidades
Deixando espaço para outros conjuntos se formarem...
E vejo tão grande importância nessa falta que é o conjunto unitário, único de cada ser
Insubstituível e real
Seja quem e como for...
Ainda que seja o Peter Pan!

By Val Costa Pinho
(Risos e mais risos, “não sei não assim eu acabo me entregando...”, mas está na hora de adormecer)


20 de abril de 2013

Ao Deus que nos basta e abastece



Deus,
Basta respirar
Amor,
Basta sentir
Felicidade,
Basta sonhar
Horizonte,
Basta enxergar além
Conquistas,
Basta batalhar...

A vida é cheia de bastas
Se nada for o bastante
Se baste
Respire, sinta, sonhe, enxergue além, batalhe...
Deus? Nos basta e abastece!
É você, sou eu, somos nós...


by Val Costa Pinho