28 de janeiro de 2013

25 de janeiro de 2013

Cabal


Cabana, uma cama me chama,
Tem amor
Tem calor e beijo plural
Cheiro de hortelã no teto
Hálito fresco e boca molhada
E toque que toca a alma
E chama, em chama, o desejo
Carente, crente sem oração
Velas acesas, joelhos nos chão
Mira o enigma dulcificado
Clima ardente, quente
É pele rente,
Frente a frente
Dama e valete
Entregues
Afora isso
O nada

by Val Costa Pinho

10 de janeiro de 2013

Resumindo...


...Somos um resumo do mundo que nos suporta

Do quintal de minha casa sopra um pouco de vento e quietude

Posto difícil, nesses dias que a boca do inferno se abriu para tratamento e o seu bafo não cessa enquanto os dentilhões do juízo não forem arrancados, há quem grite “juízo final”

Voltando ao poço de céu que me abastece, penso sobre o que me tolera

A mente que mente
O desconhecido que nos traça a pele

É possível existir um eu-zombeteiro a devorar o nosso posto de rei?

O equilíbrio frágil que sustenta o nosso ponto de desequilíbrio caótico
Do mesmo modo, nos imprime um eu-santo, opositor
Um eu-mundano, sedutor e tantos, tantos
Tudo num tempo e espaço delirante (?)

E é tão engraçado esse estado de normalidade que existe não existindo
Rio, igualmente, da imortalidade que os soberbos depositam em seus créditos vivenciais

Temos tudo que julgamos de ruim no mundo e, por complemento, o anjo também nos habita a alma
Guerras são travadas,
Eus, destruídos
Partos, perpetrados
A bondade semeada
A maldade caindo como folhas secas espalhadas pelo vento

O mundo e suas tempestades, suas queimadas, seu holocausto cotidiano
O mundo e seus oceanos, rios e cachoeiras cristalinas, seu amor e entrega diária

Sobre quem estou escrevendo?
É uma pergunta retórica, a depender da interpretação e do estado de sensibilidade de quem ler

No momento sou apenas um resumo do que escrevo
Sinto uma paz,
Suponho ser o  eu-sou-da-paz  flertando com os outros tantos

É o vento, o frescor da noite pairando aqui no quintal de minha casa
É a música, o céu sossegador
É o mundo em paz

Ou apenas o seu resumo
Fechando os olhos
Ao atravessar a linha tênue
Entre o desconhecido e as estrelas...

by Val Costa Pinho

8 de janeiro de 2013

Uma conversa ao pé do mar...


Texto e Fotografia: Val Costa Pinho

7 de janeiro de 2013

Os contos, as contas


* Dou-te condições para ter um pensar sobre todas as coisas e decidir o que melhor te apraz

- A princípio, penso que não existem certezas a debater,
Verdades são como grãos de areia, a imensidão se esgota em si.
Não há quem possa enumerá-las, tudo é um conto;
Conte quantos grãos de areia estão contidos em suas mãos e conte para alguém tal feito e este alguém irá contar para outro e no final tudo é conto ou conta.

- Ontem, a conta de mais um dia foi paga,
Ficou aqui a sensação de estar-se devendo para alguém
Sempre fica
Não sei se é o costume de dever de casa a ser feito ou certo devir
Acho que vem a ser isso
Tanto gasto
Sempre fico devendo a mim mesma

* Dou-te o tempo. As considerações a serem feitas requerem tempo. Ofereço também a distância

- Ela é bem vinda, se existe além do tempo,
O pensamento
E é uma tal “limpança”, com o perdão da palavra, que ela fique aí com esse cê cedilhado
Sempre fica algum cartão preso nas cedilhas do meu guarda-roupa
Considerações empoeiradas
Ai, esse tempo! Prende e liberta
Eis o pensamento, eu sabia que ele seria necessário aqui

- Bem, aqui e agora, só o mal-estar
Por ironia: só
Nem o sol apareceu
Até ele aparecer, é olheira pra dar e vender
Insônia também, para quem quiser

* Dou-te sossego e um passarinho que cante apenas à luz do teu desejo

- Pois, eu prefiro cachorros
Vai entender
É uma bagunça a mente da gente
Acho que assim continua até quando está organizada
A mente está bagunçando o meu mundo
- Então eu aceito o sossego, mas os pássaros só em árvores e que cantem quando bem quiserem

- O mundo continua o mesmo
Eu sei que antes os portões ficavam abertos e que era o tempo de reinarem, ladrões de galinha e roupas no varal
Mas, existia guerra, fome e gente sem roupa, vagando
Pinel bem sabe disso...

* Dei-te condições de pensar sobre todas as coisas, por que bodes e Pinel lhe tomam o juízo?

- Pois, em posição de me dar alguma coisa, troca-se as posições e dou-te um doce se adivinhar o meu concluo. Mas, relembre: A vida é um conto e eu estou apenas pagando a conta de mais um dia sem consideração a lógica; o mal-estar sem sossego, preso como um passarinho numa gaiola cheia de conflitos. Onde acha que isso tudo vai dar?

Por fim, era uma vez, duas, três, quatro...


by Val Costa Pinho




6 de janeiro de 2013

E tudo é vida...


Deixe eu me bandear para o canto que eu quiser
Deixe de canto esse teu canto exclusivo
Eu quero o meu ser, homem e mulher
Pluralizado, batizado, castigado e demasiado
Presto igualmente o seu lado contrário

Ao mundo desordenado
Fora o caos, desordem é até bacana
E eu sendo o que for,
Do mesmo modo sou

Deixe eu me apartar das tribos que já conheço
Deixe-me conhecer o infinito de erros que ainda tenho para acertar
Seja em que ser serei
Sereia, rei,
Sol, chuva, depressão e além

É tudo vida

Deixe eu me bandear pros lados onde vai dar
Esse ser desejante
De não se sabe o quê
Não se sabe onde
E mesmo assim
Por mais distante de si
Esse mim, só quer se deixar passar


Quem sabe deixar no canto
De quem quiser cantar
A sensação de que
Toda liberdade vale uma prisão
E toda prisão pode libertar...

E tudo é vida
É movimento para algum lugar
Que não se sabe onde vai chegar


Se assim for, assim sendo
Corajosamente
Seja!

by Val Costa Pinho