7 de janeiro de 2013

Os contos, as contas


* Dou-te condições para ter um pensar sobre todas as coisas e decidir o que melhor te apraz

- A princípio, penso que não existem certezas a debater,
Verdades são como grãos de areia, a imensidão se esgota em si.
Não há quem possa enumerá-las, tudo é um conto;
Conte quantos grãos de areia estão contidos em suas mãos e conte para alguém tal feito e este alguém irá contar para outro e no final tudo é conto ou conta.

- Ontem, a conta de mais um dia foi paga,
Ficou aqui a sensação de estar-se devendo para alguém
Sempre fica
Não sei se é o costume de dever de casa a ser feito ou certo devir
Acho que vem a ser isso
Tanto gasto
Sempre fico devendo a mim mesma

* Dou-te o tempo. As considerações a serem feitas requerem tempo. Ofereço também a distância

- Ela é bem vinda, se existe além do tempo,
O pensamento
E é uma tal “limpança”, com o perdão da palavra, que ela fique aí com esse cê cedilhado
Sempre fica algum cartão preso nas cedilhas do meu guarda-roupa
Considerações empoeiradas
Ai, esse tempo! Prende e liberta
Eis o pensamento, eu sabia que ele seria necessário aqui

- Bem, aqui e agora, só o mal-estar
Por ironia: só
Nem o sol apareceu
Até ele aparecer, é olheira pra dar e vender
Insônia também, para quem quiser

* Dou-te sossego e um passarinho que cante apenas à luz do teu desejo

- Pois, eu prefiro cachorros
Vai entender
É uma bagunça a mente da gente
Acho que assim continua até quando está organizada
A mente está bagunçando o meu mundo
- Então eu aceito o sossego, mas os pássaros só em árvores e que cantem quando bem quiserem

- O mundo continua o mesmo
Eu sei que antes os portões ficavam abertos e que era o tempo de reinarem, ladrões de galinha e roupas no varal
Mas, existia guerra, fome e gente sem roupa, vagando
Pinel bem sabe disso...

* Dei-te condições de pensar sobre todas as coisas, por que bodes e Pinel lhe tomam o juízo?

- Pois, em posição de me dar alguma coisa, troca-se as posições e dou-te um doce se adivinhar o meu concluo. Mas, relembre: A vida é um conto e eu estou apenas pagando a conta de mais um dia sem consideração a lógica; o mal-estar sem sossego, preso como um passarinho numa gaiola cheia de conflitos. Onde acha que isso tudo vai dar?

Por fim, era uma vez, duas, três, quatro...


by Val Costa Pinho