10 de janeiro de 2013

Resumindo...


...Somos um resumo do mundo que nos suporta

Do quintal de minha casa sopra um pouco de vento e quietude

Posto difícil, nesses dias que a boca do inferno se abriu para tratamento e o seu bafo não cessa enquanto os dentilhões do juízo não forem arrancados, há quem grite “juízo final”

Voltando ao poço de céu que me abastece, penso sobre o que me tolera

A mente que mente
O desconhecido que nos traça a pele

É possível existir um eu-zombeteiro a devorar o nosso posto de rei?

O equilíbrio frágil que sustenta o nosso ponto de desequilíbrio caótico
Do mesmo modo, nos imprime um eu-santo, opositor
Um eu-mundano, sedutor e tantos, tantos
Tudo num tempo e espaço delirante (?)

E é tão engraçado esse estado de normalidade que existe não existindo
Rio, igualmente, da imortalidade que os soberbos depositam em seus créditos vivenciais

Temos tudo que julgamos de ruim no mundo e, por complemento, o anjo também nos habita a alma
Guerras são travadas,
Eus, destruídos
Partos, perpetrados
A bondade semeada
A maldade caindo como folhas secas espalhadas pelo vento

O mundo e suas tempestades, suas queimadas, seu holocausto cotidiano
O mundo e seus oceanos, rios e cachoeiras cristalinas, seu amor e entrega diária

Sobre quem estou escrevendo?
É uma pergunta retórica, a depender da interpretação e do estado de sensibilidade de quem ler

No momento sou apenas um resumo do que escrevo
Sinto uma paz,
Suponho ser o  eu-sou-da-paz  flertando com os outros tantos

É o vento, o frescor da noite pairando aqui no quintal de minha casa
É a música, o céu sossegador
É o mundo em paz

Ou apenas o seu resumo
Fechando os olhos
Ao atravessar a linha tênue
Entre o desconhecido e as estrelas...

by Val Costa Pinho