15 de março de 2013

Os Pés, o cais




Arrastando correntes
Lá se vão
pés
Como o peso das âncoras
Dos grandes barcos
Que ancoram por não ter partida

É o fim,  
E o princípio de logo mais
Partir para aportar

Noutro cais

Mesmo com o peso das correntes
A paisagem virgem
Dá ares de recomeço

Mas
o que passou fica
Seguindo o fluxo da lógica
De todos que partem para o mar:
Seguir e chegar...

Até a próxima âncora descer
O marinheiro espera
E a vida é uma espera, desejo de alcançar o horizonte,
despedidas
 e assim se parte
Sem nunca
Saber o que
Esperar

Deve haver alguma lógica nas correntes que arrastamos
Uma espera sem saber o que esperar

E a maré muda
Até o barco muda
E se a gente não muda
Afundar é o fim que chega
Antes da vida afundar

Daí
Vem a sorte de cada um
Se debater
O porquê de juntar barcos
Para depois afundá-los ou
Se debater até fenecer...

Acalmai o teu cais com um só barquinho.

by Val Costa Pinho