14 de abril de 2013

O canto de Maria



Ocorreu que o Mar ia
E junto a ele, Maria

Tamanha curiosidade ocorria
Enquanto o Mar, ditoso, dormia
Maria ia lhe tomando por completo, 

E por completo, a rainha do Mar tomava Maria

Até o encontro com o sol
Quando a vida acordava por dentro do Mar
E Maria arteira se punha a assobiar


Ocorreu que do outro lado da terra
Farta de punhados de areia e água doce
A Dona do espelho, da beleza e bondosa energia
Das margens cristalinas dos rios
Encantou-se com a poesia dos silvos de Maria

O Mar, de longe, a consentiu
As ondas sorriam com o encontro do Rio


O Mar, rio
O Rio, rio
Após o abraço de “até mais ver” entre o Mar e o Rio
Maria ia
Pelas correntes de água atravessaria
Junto à rainha dos espelhos, ancoraria
E,
Toda vez que a saudade lhe vencia
A poesia do assobio nascia

A lua cheia enchia as marés
O mar se engrandecia e agradecia
Mirava, através do reflexo da lua, a sua saudosa Maria
Que, banhando o seu corpo na cachoeira, acenava e lhe sorria.

Até o próximo deságue
O Mar ia
O Rio, ria
E junto a ele, Maria!

by Val Costa Pinho
Imagem: Lídia Luz