7 de abril de 2013

Sobre a Morte...





A princípio (ou fim), é pra quem tem vida; não precisa coragem, não existe fuga
Supre todas as faltas... É fascinante, pela visão real do observador
Delirante e dor, pela visão real doutro observador
É o nada sendo tudo, e este se tornando o que ainda não sei
É o que se espera e se renega
Uma queda num abismo de estacas ou plumas
Quem saberá?

Feri a nossa egocêntrica carapuça
Afinal, somos mortais (uhuu!)
E, ainda  que fôssemos imortais, a dona da foice  nos perseguiria
Ela nos secaria as emoções;
O tédio, e os seus outros escravos, nos mostrariam os seus grilhões até a carne apodrecer, cheirar mal...

Ai! Aquele corpo, antes, tão desejado
O objeto de tantas inspirações,
O suco do mais delicioso néctar
O corpo 
Quanto a morte, quem haverá de beber do seu néctar, 
Não tornará possível falar do seu gosto...

Para corpos amargos, morte amarga
E entre os corpos doces, a morte calma, o tempo para ser aceita, com tempo para olhar lá atrás e pensar em tudo, 
Ou fechar os olhos e não pensar em nada

Paz, talvez venha assim, à beira dela
E ela nos beira tanto,
Quem haverá de saber se existe um momento de folga?
No qual a paz se achega e a mais incrível realização da vida
A grande descoberta,
Seja o adeus...

Certamente a pessoa mais amada será aquela que retina no seu último suspiro,
Poetizar o momento me conforta
Mas, certamente é algo que eu não saberei até aqui, o momento em que escrevo
Então nada é certo
Afora, a morte
Certeira, rainha das flechas letais...

Confesso que não existe  em mim, inclinação para trocá-la por versos
Talvez numa simples tentativa, eu, um pouco zonza...
Possa completar:

A morte,
Eu posso não estar nela
Mas ela está em mim...
Eu posso não compreendê-la
Mas ela compreende o meu ser

Se existe a prisão num corpo
De espírito, mente, alma...
E todos (iguais) em busca de algo
Supõe o meu instinto
Que a descoberta só virá
Quando a ela chegarem

A vejo tão voraz e, ainda assim, libertadora
Devora corpos, deixando apenas o monte de frestas ossais
A gaiola aberta
Para, enfim o pássaro voar

Talvez, seja a resposta para o “ser faltante”
A real liberdade,

Irônico pensar o real fora do real
Mas, se assim penso, nessa tal e infinita liberdade, não haverá "faltas a ser"...
Sendo assim, eu desconfio que só a morte possa nos apresentar o fim do grande enigma que carregamos... (Alguns carregam cruzes, outros palavras, outros o vento e o nada...)

Os pássaros talvez sejam o elo entre a vida e a morte ...
Por querer voar, seria alguém tão infeliz assim?

A resposta talvez venha de um sorriso
O elo entre a vida e a imortalidade
A morte também lhe sorrir

Mas, ainda assim, eu prefiro o sorriso da vida
E tenho tempo enquanto escrevo,
Com a ponta dos dedos, com o olhar, com essa prisão, que mesmo apertada, é o meu lar
A vida me diz que enquanto existir tempo para mim, tenho todo o tempo do mundo...

É aquele começo que vai dar no fim de outro fim (ou doutro começo)
É a vida que lembra da morte: 
Eu posso não estar nela
Mas ela está em mim...

Enquanto isso, do alto, os pássaros riem dos gigantes e sua eternidade...

 by Val Costa Pinho