21 de abril de 2013

Sobre um cérebro pirata de incompletudes completas



O meu ser faltante é a própria falta já existente
Antes do verbo encarnado
Da criatura em barro a encantar o vazio

É um causo essas coisas de fixar um pensamento
Num determinado ser que também se fartou de faltas e
Tocar a sua filosofia sem movimentar a própria existência do pensamento
Que é moldado é claro, das cópias que o mundo dá

E das voltas que o mundo deu
Também nos deu o arbítrio que é livre sem ser
E eu prenhe de palavras prestes a serem jorradas por um orgasmo de pensamentos
Sou barrada...

E se fujo alguma letra a mais do que algum teórico um dia pensou
Fico borrada até me apagarem com a tal borracha do intelectualismo humano
Aquele humano, barro
Esculpido da mesma lama de onde eu vim
Do mesmo vazio que já existia antes da palavra incorporar na tal criatura
Conhece
?

Ainda bem que levo tais palavras com graça
Pois, quer ver desgraça?
É contestar o pessoal que já cantou uma estrofe de música que nem o autor sabia que existia, mas a certeza só deixará de ser certa até que um dia alguém em osso e osso, cante: “ressuscita-me” e a coisa der certo...

Pois eu vejo é graça
Papagaio de pirata falar e querer bicar quem tem olho demais pra enxergar

Esta aí, uma coisa que faz o meu ser faltante que antes de ser
É recheio de um vazio que já era ainda sendo,
Sentir-se cheio de si.
Escorregar numa lama de barro e...
O risco é saber se
Brincando, vou endurecer

É barra, essa coisa de não saber
Quem sabe, desses saberes não sabendo nada,
Mexer com lama seja sujo demais como a primeira obra
De uma criança,

De arte? - Perguntaria um pensador andante
É, pode ser! De arte, de barro, do que você quiser...
Contanto que não endureça e se transforme em mal-estar

Há quem, meio a lama, encontre cura, mas haja evolução
Abençoados, sejam!

O meu ser faltante, apenas se entretém com modestas palavras
Pois gosta de sentir-se um Peter Pan,
Seria um disparato (a mais) não lembrar a Terra do nunca
Tão sofrível para o real e tão real para a fantasia

Penso que é a mesma terra do vazio,
A diferença é que aqui muitas crianças crescem e se tornam Capitães
Nesse contexto, de areia
Deixando o Amado fora dessa
Se estiver fora do real vai pro gancho
Aí é barra de ferro, de tranqüilizante...
E não tem Panacéia que dê jeito

Quer ver graça?
Não tem graça!

Volta a ter, quando eu lembro que aprendi, mesmo não tendo como verdade universal, que o vazio é um deus (desprovido de cunho religioso)
Não o preencheremos dentro de nós, mas também não somos só sopro por dentro
Somos o que preenche ele, o mundo que é o vazio completo preenchido de incompletudes
Um conjunto infinito de pessoas vivendo a finitude
E dando adeus à completude externa, superlotada internamente de lindas e ricas individualidades
Deixando espaço para outros conjuntos se formarem...
E vejo tão grande importância nessa falta que é o conjunto unitário, único de cada ser
Insubstituível e real
Seja quem e como for...
Ainda que seja o Peter Pan!

By Val Costa Pinho
(Risos e mais risos, “não sei não assim eu acabo me entregando...”, mas está na hora de adormecer)