21 de junho de 2013

Solstício



by Val Costa Pinho
Imagem via: Google imagens

10 de junho de 2013

Introspecção e um rótulo a menos


 Pra começar, ser introspectiva, falar pouco, (embora afrontasse os extroversos) sempre foi o meu forte. Não concordo com a ideia de não interação com o ambiente, existem infinitas formas de se ambientar e preferir continuar no anonimato, sem dramas... A cada dia eu aprendo e desfaço o meu pensar devido às inúmeras viagens que se destinam para o meu interior. Coisa que gosto de encontrar é o desapego por tudo que queira me controlar, e eu acabo me surpreendendo com o meu olhar diante destes aspectos, mesmo sendo controlada por tantos eus de mim... 
 Mas o que eu quero com esse papo descabeçado? Talvez desrotular-me de mim mesma? Como seria possível? 
 Se eu sou adepta disso e daquilo; tenho inclinações para isso e para aquilo outro e etcétera; a partir de tais descrições noto que começo a criar rótulos, fazendo com que eu mesma me negue. Logo, me encontro num nicho psicológico que me desajusta. 
 Quando penso que existem bons pensamentos na mente de uma pessoa que segue outros preceitos diferentes dos meus, sejam eles religiosos, sexuais ou comportamentais, a minha caixinha de pensamentos se abre e fico surpresa com o espaço que ainda está por ser preenchido. Ali onde há desacordos, também há conhecimento bastante para desatar nós e julgamentos amarrados no meu pensar...
 Entendo que exista intolerância, ignorância, preconceito, falta de respeito e negligência em todas as configurações sociais e nos diversos movimentos em prol de... assim também, existem os que são benevolentes, compassivos e compreensivos com o outro... 
 Historicamente, o homem devasta a si mesmo, veta a própria liberdade de ser, assim acontece com as coisas e suas inerências, o que poderá nos atrair ou repelir... 
 A introspecção me faz aprender com o silêncio a observar, e observando estou propícia a erros e acertos; a graça está em começar a aceitar tais atos como “objeto” de reflexão e aprendizagem. Daí cabe a mim, guiada pelos meus desejos, aceitar o que me faz uma pessoa mais ajustada aos meus próprios limites. 
 Sendo assim, criei um rótulo que me negue de levinho. Nesse sentido, o meu grupo se chama mundo, o meu significante maior se chama Deus, a minha estrutura psíquica (carregada de intempéries, falhas e virtudes) é constituinte do meu ser mutável, o qual me inclino de acordo com o vento que conchega com leveza e afabilidade. 
 Eis o mérito de governar os meus olhos para onde busco sensações de felicidade; e mesmo que a dor venha ao amanhecer, só de imaginar que posso enxergar a luz, vivo a motivação de reconduzir o olhar para novas direções e suas infinitas sensações.  Por isso não me rotule, (basta a mim!) pertenço à casta dos que caminham em busca de renascimento, ainda que vivam numa prisão corpórea, sendo ela transitória ou não. 

by Val Costa Pinho.

1 de junho de 2013

A Despedida

Os dias, uma comédia
E as lágrimas dela rolam
Rolam as pedras na estrada
Partem os velhos companheiros
De uma parte dela
Do inteiro de alguém

Surpresa, também
Ri-se na despedida
Embriagada de lembranças
E como contam os contos de sua memória
Saudade sempre será um dia bom
Que rolou mais que as pedras ponteagudas a
Tocar o para-brisa do seu carro quase zero
Que acelerava os dias, 
Todavia, travava os minutos de prazer
das boas companhias

Por um momento a vida é bela
O tempo paralisa
E parece ser cristal a fala dos seus olhos

Descortinado o dia
Basta sentir
E dói
O sangue agora corre macio
E a única fuga
É encarar todo o circo
Que segue em frente

Por trás da lona
Ela deita, dorme
E logo também será a sua despedida
e lá estará alguma parte que a considere inteira

Nessa comédia, ela deseja aquela que diz adeus
Com um riso
Dói, mas está aí, a graça por trás da diária comédia
Algo lhe diz:
"A estrada somos nós por baixo dos caminhos,
basta sentir. Os abalos sísmicos, 
certamente são pisões do que vibra, do que se esconde
E os caminhos? Uma comédia cíclica"

As setas apontam a direção
Mas tão logo, o dia estará na palma de suas mãos
É rir ou chorar
Até que ela se torne uma eterna saudade.

by Val Costa Pinho