10 de junho de 2013

Introspecção e um rótulo a menos


 Pra começar, ser introspectiva, falar pouco, (embora afrontasse os extroversos) sempre foi o meu forte. Não concordo com a ideia de não interação com o ambiente, existem infinitas formas de se ambientar e preferir continuar no anonimato, sem dramas... A cada dia eu aprendo e desfaço o meu pensar devido às inúmeras viagens que se destinam para o meu interior. Coisa que gosto de encontrar é o desapego por tudo que queira me controlar, e eu acabo me surpreendendo com o meu olhar diante destes aspectos, mesmo sendo controlada por tantos eus de mim... 
 Mas o que eu quero com esse papo descabeçado? Talvez desrotular-me de mim mesma? Como seria possível? 
 Se eu sou adepta disso e daquilo; tenho inclinações para isso e para aquilo outro e etcétera; a partir de tais descrições noto que começo a criar rótulos, fazendo com que eu mesma me negue. Logo, me encontro num nicho psicológico que me desajusta. 
 Quando penso que existem bons pensamentos na mente de uma pessoa que segue outros preceitos diferentes dos meus, sejam eles religiosos, sexuais ou comportamentais, a minha caixinha de pensamentos se abre e fico surpresa com o espaço que ainda está por ser preenchido. Ali onde há desacordos, também há conhecimento bastante para desatar nós e julgamentos amarrados no meu pensar...
 Entendo que exista intolerância, ignorância, preconceito, falta de respeito e negligência em todas as configurações sociais e nos diversos movimentos em prol de... assim também, existem os que são benevolentes, compassivos e compreensivos com o outro... 
 Historicamente, o homem devasta a si mesmo, veta a própria liberdade de ser, assim acontece com as coisas e suas inerências, o que poderá nos atrair ou repelir... 
 A introspecção me faz aprender com o silêncio a observar, e observando estou propícia a erros e acertos; a graça está em começar a aceitar tais atos como “objeto” de reflexão e aprendizagem. Daí cabe a mim, guiada pelos meus desejos, aceitar o que me faz uma pessoa mais ajustada aos meus próprios limites. 
 Sendo assim, criei um rótulo que me negue de levinho. Nesse sentido, o meu grupo se chama mundo, o meu significante maior se chama Deus, a minha estrutura psíquica (carregada de intempéries, falhas e virtudes) é constituinte do meu ser mutável, o qual me inclino de acordo com o vento que conchega com leveza e afabilidade. 
 Eis o mérito de governar os meus olhos para onde busco sensações de felicidade; e mesmo que a dor venha ao amanhecer, só de imaginar que posso enxergar a luz, vivo a motivação de reconduzir o olhar para novas direções e suas infinitas sensações.  Por isso não me rotule, (basta a mim!) pertenço à casta dos que caminham em busca de renascimento, ainda que vivam numa prisão corpórea, sendo ela transitória ou não. 

by Val Costa Pinho.