14 de novembro de 2013

O mundo de Joões


Espera um pouco..."O que devo esperar do mundo? O que o mundo deve esperar de mim?"
─ Penso que não espero nada do mundo. 
Eu estou aqui, agora, grão de areia, 
junto a outros grãos a formar castelos de areia. 
Basta o João partir e pronto, o castelo desaba e começa outras dis’formas a se formar, qualquer coisa... 
Eu observo no mundo os que nele estão e alcanço os que no meu alcance, estão. 
Tem gente esperando gente, e esperando muito da gente, e a gente, igualmente, muito dessa gente. 
Existe coisa mais desesperada, esperar coisa dos outros? 
Eu espero o abraço chegar no horário certo, a música começar e terminar, a agonia passar... 
Putz, e a agonia é tonta, é tanta, é persistente e eu vagueio sóbria, embora em sombra, pois quis a vida que eu não me desse bem com os etílicos, os destilados, os lados... 
Sendo assim, o meu superego agradece e me enche o saco, inclusive! 
E como muita gente eu também sou, em parte, desespero... 
O que o mundo deve esperar de mim? 
Uma piada, risos e ponto final. 
O mundo não espera ninguém e nada de ninguém, 
o mundo vai e o homem vai arruinando tudo e indo junto para algum buraco maior que a própria vala que o João vai e todos vão... 
No final, cara, pro mundo, todo João é ninguém...
Essa nau de esperas vai acabar atracando em algum cais e apodrecer toda a matéria, daí vem o além... 
Eu espero ir além. É isso, eu só quero ir além, cara!


by Val Costa Pinho