31 de janeiro de 2014

Recomeços

Quem me dera

A chance do esquecimento
Momento dos meus tormentos
Seria a contento
Alivio de minh’alma
Um segundo tempo para se ter nova
Folha em branco
Pronta a ser bem escrita

Mas qual o escrito benquisto
No frenesi desta vida
Que passa à luz das incompletudes?

Ontem mesmo ao olhar o céu e a sua plêiade
Sumiu de minhas vistas a estrela Dalva
Dalva, onde estará?
Será o fio de minha memória
Se desprendendo no ar?
Creio que a esqueci no ponto incerto da imensidão
Tentando como meio de esquecê-la

Um novo começo.

by Val Costa Pinho.

16 de janeiro de 2014

Parto

Por amor, a permissão
Sujeitar-se à violação
Em sentido romanesco
O amor por necessidade
Exigências da casta
Irmã da santidade
Demanda ao eu mundo
“Semeia”
E ser inteira,
Prenhe da completude
A plenitude que respira
Vive por dentro de nós

Por ordem do tempo, concha aberta
Mãos cheias, ante o corte
 Ou a dor do natural
Choro a gota da felicidade
Solta para fora o meu afeto
Sobra-me por dentro, o vazio
Prenhe, não mais preenchida
Mas, para o resto da vida,
Prenhe.

by Val Costa Pinho
Imagem: María Angeles Martín Vega